Início AMÉRICA DO SUL Trilha Salkantay no Peru: como contratar, o que levar e dicas

Trilha Salkantay no Peru: como contratar, o que levar e dicas

“Como contratar a Trilha Salkantay?” Essa é a primeira pergunta que a gente se faz depois de decidir chegar em Machu Picchu por esse trekking incrível no Peru.

Para ajudar no seu planejamento, fizemos um guia completo de como organizar sua experiência. Leia o post até o final para descobrir:

  • Por que percorrer a trilha
  • Como chegar em Cusco, no Peru
  • Melhor época para visitar
  • Tipos de tour, preços e como contratar
  • O que a agência oferece e o que é preciso levar
  • Planejamento antes da viagem (documentos, seguro, ingresso, etc)
  • Atrações da Trilha Salkantay
  • Relato dos 5 dias de trekking
trilha salkantay
Marco dos 4.650 metros de altitude, ponto culminante da Trilha Salkantay
umantay peru
Laguna Umantay é um dos pontos altos da trilha

Trilha Salkantay, Peru: vale a pena?

A Salkantay está entre as 25 melhores trilhas do mundo de acordo com a revista National Geographic Adventure Travel. São 74 quilômetros percorridos em 4 ou 5 dias, passando por altitudes que vão de 2.800 a 4.650 metros, de temperaturas negativas até o calor da Amazônia peruana, em terrenos que variam entre pedra, vales cheios de cachoeiras e floresta.

Aos pés do nevado Salkantay, com 6.271 metros de altitude, passamos por pequenos povoados e paisagens de beleza extraordinária na grande cordilheira de Vilcabamba, nos Andes, até chegar em Aguas Calientes, último povoado, que é base para visitar Machu Picchu

A trilha Salkantay é mais barata que a Trilha Inca, o circuito mais famoso para Machu Picchu (mais ou menos a metade do preço). Além disso, é menos concorrida, dispensando a reserva com meses de antecedência (como acontece na outra trilha). É um desafio para quem gosta de trekking e montanhismo, com atitudes bem mais elevadas do que as que estamos acostumados no Brasil.

Trilha Salkantay
A Salkantay percorre montanhas da Cordilheira Vilcabamba, nos andes peruanos

Como chegar em Cusco, Peru

Não há voos diretos do Brasil para Cusco. A Latam oferece voos com escala em Lima, saindo de São Paulo ou do Rio de Janeiro. Outra opção é comprar um voo para Lima e pegar outro avião low cost para Cusco. As empresas que fazem o trajeto são Viva Air Peru, Peruvian, Star Peru e Latam. Veja ofertas de passagem aérea para Lima ou Cusco.

Quem está na Bolívia pode ir de ônibus a partir de La Paz, e é possível comprar passagem no site oficial Tickets Bolívia. Se quiser saber mais informações sobre como chegar, consulte nosso guia completo de Cusco.


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Melhor época para visitar

A região tem estações bem definidas, e a melhor época para percorrer a trilha Salkantay é durante o período seco, que vai de maio a outubro.

Os meses de junho e julho, são muito procurados, por causa do solstício de inverno e das férias, o que exige reservas com antecedência.


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Trilha Salkantay: como contratar

São dois tipos de tour: com 4 dias ou com 5 dias. O mais tradicional é o de 5 dias, e a diferença entre eles, além do preço, está no fato de que na opção de 4 dias, corta-se a última caminhada, única que é feita com mochila cargueira. Uma van leva os trilheiros de Santa Teresa até Aguas Calientes, encurtando a experiência em 1 dia.

São duas opções para contratar o trekking na trilha Salkantay:

1. Reservando o pacote antecipadamente. Nós indicamos esse pacote no site GetYourGuide, onde é possível conferir as avaliações.

2. Diretamente em Cusco, opção recomendada para quem tem flexibilidade na viagem. Essa foi nossa escolha na época. Os pacotes custam em torno de U$250 (mar/2020), mas o pagamento pode ser feito em soles.

Depois de pesquisar, decidimos contratar diretamente em Cusco. Como a oferta de agências lá é enorme, foi fácil pechinchar e conseguir um desconto no preço. No nosso caso foi ótimo não precisar pagar nada antes.

Para garantir nossa visita a Machu Picchu, compramos os ingressos no site oficial, para o caso de não conseguirmos contratar a trilha. Em Cusco, fizemos orçamentos com agências já descontando o valor do ingresso no pacote. Confira aqui como comprar o ingresso de Machu Picchu.

A maior parte das agências fica no entorno da praça principal – a Plaza de Armas – e os vendedores ficam na rua oferecendo passeios. Quando alguém nos abordava, já falávamos: “Qual é o preço da trilha para 5 dias e 4 noites sem o valor do ingresso de Machu Picchu?”.

Nós olhamos em umas seis agências diferentes e TODOS os pacotes são semelhantes. Depois de encontrar os preços mais baratos, fomos conversar sobre o serviço e o roteiro. O horário do trem de volta de Aguas Calientes para Ollantaytambo ao fim dos 5 dias pode influenciar no preço: quanto mais tarde, mais barato fica o pacote. Voltamos no trem de 21h30. Foi cansativo, mas pudemos aproveitar um pouco mais de Aguas Calientes.

Como escolher uma agência ao contratar lá?

Assim como contamos no post com dicas para o Salar de Uyuni na Bolívia, salvo raras exceções, as agências de turismo NÃO operam as trilhas. O que isso significa? Que quem organiza TODOS os detalhes da aventura (camping, alimentação, carregadores, tíquetes) são os guias. As agências fazem o contato com os clientes e os enviam para o grupo dos guias. Assim, no nosso grupo de 14 pessoas, cada um contratou de uma agência diferente e pagou um preço diferente do nosso, incluindo duas pessoas que contrataram ainda no Brasil.

Qual a importância de saber isso? TODOS do nosso grupo tiveram a mesma experiência e isso não está relacionado à determinada agência ou ao valor pago. Conclusão: pesquise, pechinche, exija o máximo de informações na agência e tudo discriminado no recibo.

Escolhemos uma agência chamada Machu Picchu Round Trip Travel, que fica na Plaza de Armas, pagamos 575 soles por pessoa (cerca de R$ 650 na época), sem o ingresso de Machu Picchu, e ficamos satisfeitas com o serviço.

trilha salkantay
A trilha Salkantay percorre montanhas nevadas de beleza singular

O que está incluído no pacote da agência?

Todos os pacotes são mais ou menos semelhantes e caso seja necessário, você pode alugar outros itens. A agência auxilia nisso, assim como a adequar o pacote às suas necessidades.

  • Transporte do hotel até Mollepata
  • Guia profissional bilíngue (Inglês e Espanhol)
  • 4 cafés da manhã / 4 almoços / 4 jantares
  • Cozinheiro e equipamentos para cozinhar
  • Transporte das barracas, alimentos e equipamentos da cozinha
  • 1 noite em hotel em Aguas Calientes
  • Ingresso de entrada para Machu Picchu
  • Ticket de trem de Águas Calientes a Ollantaytambo
  • Translado de Ollantaytambo para Cusco
  • Barracas e isolantes ou colchonetes
  • Algumas ainda oferecem Balão de Oxigênio e Kit de primeiros socorros

Itens opcionais:

  • Ingresso para montanha Machu Picchu ou Huayna Picchu – 48 soles (mar/2020)
  • Ônibus para subir e descer para a cidade de Machu Picchu – 39 soles (mar/2020) cada trecho
  • Tirolesa em Santa Teresa – 70 soles (abr/16)

Agências para a Trilha Salkantay: sobre o serviço oferecido

Nosso grupo de 14 pessoas tinha 2 guias: o principal e um auxiliar. Ambos muito competentes e simpáticos.

Consideramos a alimentação perfeita: todas as refeições eram fartas, completas e deliciosas. Nosso cozinheiro, Rafael, era um senhor baixinho, que apelidamos carinhosamente de “nosso inca”. Ele dava conta de tudo sozinho e não repetiu nenhum cardápio, tamanha a variedade.

Cada pessoa pode levar até 5 kg em uma mochila ou sacola para serem carregados pela equipe. Eles contam com o auxílio de mulas, e embora a gente seja totalmente contra a exploração animal, percebemos que elas não estavam sobrecarregas. Levavam um peso correspondente ao de um homem montado. Eram 4 mulas: uma para as mochilas, uma para os equipamentos de camping, outra para os equipamentos de cozinha e alimentos, e outra com o ajudante que, além de transportar tudo, montava e desmontava as nossas barracas. E por falar nas barracas, eram boas e limpas, com espaço para 4, mas usadas apenas por duas pessoas. Deu para guardar as coisas com sobra e até ficar em pé dentro delas.

Ao final do trabalho do ajudante e do cozinheiro, os guias passam um “chapeuzinho” para que a gente dê gorjetas para eles.

Nos locais em que dormimos e em alguns pontos do caminho há pequenas vendinhas onde é possível comprar coisas como sabonete, água, papel higiênico, biscoitos e outras.

Só não tinha banho no primeiro pernoite. No segundo local havia banho com água quente pago à parte, e até um pequeno bar vendendo cervejas. No terceiro pernoite o banho é nas águas termais de Santa Tereza. A visita é opcional e custou 5 soles o ingresso do “clube” e mais 10 soles de ida e volta de van. Depois de 3 dias frios, vale a pena ficar de molho nas águas com cerca de 35ºC.

Nós também fizemos a tirolesa de Santa Teresa, e contamos como foi a experiência cheia de adrenalina.

O guia organiza os tíquetes de ônibus e trem da volta e explica tudo durante o jantar na quarta noite em Aguas Calientes, momento em que entregam os ingressos de Machu Picchu.

Para encerrar, ele explica como será o dia seguinte e combina o horário de saída do grupo. Na cidade perdida dos Incas, temos 2 horas de visita guiada.

Trilha Salkantay: o que levamos na mochila

Para o trekking:

  • 2 calças, uma de microfibra, uma legging de lycra
  • 3 blusas, 2 dry manga curta e uma com proteção solar manga longa
  • 1 top
  • 1 roupa de banho (para as águas termais)
  • 1 corta vento impermeável
  • 1 blusa de lã para Machu Picchu
  • 1 touca
  • 1 luva
  • 1 boné
  • 4 meias
  • 1 bota, a mesma que usamos a viagem inteira

Para dormir:

  • 1 conjunto segunda pele (blusa e calça)
  • 1 calça de lã
  • 2 fleeces
  • 2 meias
  • 1 balaclava (não usei)

Outros itens:

  • 1 toalha pequena de microfibra
  • 1 chinelo
  • Sabonete, xampu e condicionador em vidrinhos pequenos
  • 1 saco de dormir com extremo de -18ºC (alugado em Cusco com ajuda da agência – U$ 15)

Organizamos tudo em uma mochila cargueira só. A Nange tinha as mesmas coisas que eu e tudo pesou 10 kg cravados (cada pessoa pode levar até 5 kg). O restante das nossas coisas ficou na outra mochila no nosso hostel em Cusco.

Itens na mochila de ataque:

  • Carteira e passaporte
  • Celular, câmera fotográfica e bateria portátil (só há energia elétrica em Aguas Calientes)
  • Óculos de sol
  • Capa de chuva
  • Protetor solar e manteiga de cacau
  • Kit de primeiros socorros (o mesmo da viagem inteira)
  • Higiene pessoal: lenços umedecido / papel higiênico / álcool em gel)
  • Bolsa de água de 2 L.
  • Alguns biscoitos e chocolates (reabastecemos os lanches em Aguas Calientes)
  • Caneta e caderninho de anotações
  • Lanterna 

Planejamento antes da viagem:

> Brasileiros não precisam de passaporte ou visto para entrar no Peru. Basta o RG em bom estado de conservação e com menos de 10 anos de expedição. Se preferir, confira como tirar passaporte.

> Não é obrigatório ter um Certificado de Vacinação contra Febre Amarela para visitar o Peru. Em todo caso, é mais garantido ter o documento.

> Não é obrigatório fazer seguro viagem para visitar o país, mas é altamente recomendável. Compare os preços de várias seguradoras e pague parcelado no cartão, ou com desconto no boleto bancário no Seguros Promo. Use nosso cupom de desconto: VIDASEMPAREDES5

Atrações da trilha Salkantay

O trekking começa na pequena cidade de Mollepata, a cerca de 2 horas de Cusco, a 2.800 metros de altitude. Depois segue pela colina Ch´Allacancha até Soraypampa, passando pela laguna sagrada de Umantay, uma obra-prima da natureza a 5km do primeiro acampamento.

Passamos do nevado Salkantay ao Umantay à 4.650 metros, o ponto culminante da trilha, com direito a uma mini celebração de garra e determinação de quem se atreve a esse tipo de aventura.

Outros pontos interessantes da trilha são as águas termais de Santa Teresa, aquecidas por atividades vulcânicas, já na Amazônia Peruana. É como um clube para relaxar no meio do nada, depois de 3 dias de temperaturas baixíssimas.

No vilarejo, para quem tem coragem, há uma das melhores tirolesas do Peru. São 5 trechos em que você pode escolher descer em várias posições.

É incrível como existe um ponto no terceiro dia de trilha em que você sente nitidamente que o ar mudou. Quando adentramos na Amazônia Peruana, cada pedra, cada vegetação, tudo muda de uma forma brusca, como se tivéssemos passado em um portal.

No fim do quarto dia de trekking chegamos em Aguas Calientes. E o ponto final da aventura é a cidade perdida dos incas: Machu Picchu

machu picchu
Machu Picchu é uma das atrações mais visitadas do Peru e do mundo

Relato da Trilha Salkantay: trilha para Machu Picchu

Dia 1: de Mollepata a Soraypampa

A subida já se revela atrevida logo que começamos. Carlos, nosso guia, apontava as curvas da cordilheira, os cumes e tudo que nossos olhares perdiam naquela abundância de retratos-paisagem. Fechando a fila do nosso grupo de 14 pessoas de 8 nacionalidades, Ciro, o guia auxiliar. Além de Nange e eu, havia o casal de brasileiros super gente boa, Rafael e Rafaela.

A primeira subida era de tirar o fôlego. Pela colina Ch´Allacancha, nosso destino era o povoado de Soraypampa, local do primeiro acampamento, almoço, lanche e jantar.

Eram duas e meia da tarde quando terminamos os onze quilômetros do primeiro dia. Começou a chover, mas depois do almoço, nosso plano era subir mais dois quilômetros e meio rumo a laguna sagrada de Umantay, entre os nevados de Umantay e Salkantay.

O almoço foi capaz de reabastecer todas as energias. Depois da sopa de legumes, servida em uma cumbuca, entraram as bandejas fartas, sempre com arroz, salada, carne e pratos locais. De sobremesa, um chá de menta, bom para a digestão, como dizia nosso cozinheiro.

trilha salkantay
A trilha Salkantay tem distância de 74km

Laguna Umantay

A subida até a laguna é pesada e em todo o trajeto avistamos a geleira lá no topo, cintilante e reluzente. Passamos por um riacho que deságua junto com outros tantos no rio lá embaixo. Quando a trilha fica mais plana, a laguna desponta. Linda, de um azul celestial único, emoldurada pelo gelo que a forma e cheia de pedras ao redor. Parece um cenário de filme. Ficamos ali uma hora, admirando.

De volta ao acampamento, a chuva estava mais forte e era uma ótima desculpa para descansar nas barracas até a hora do lanche da tarde – chá com biscoito – e a hora do jantar, igualmente farto e delicioso.

Sem banho nesse dia, fomos dormir para fugir do frio e do vento que sacudia o lado de fora. Foi a noite mais fria da trilha, mas só sei disso porque acordei para ir ao banheiro durante a madrugada. Minhas roupas e o saco de dormir deram conta da temperatura gelada a 3.800 metros de altitude. O dia seguinte era o mais aguardado.

laguna umantay
É preciso percorrer mais 5km de ida e volta do acampamento do 1º dia até a Laguna Umantay

Dia 2: de Soraypampa a Colpapampa

Com o dia ainda escuro, Rafael, nosso cozinheiro, um senhor baixinho que apelidamos carinhosamente de “nosso inca”, veio nos acordar com um chá bem quente. A caminhada mais forte nos esperava, em um total de 22 quilômetros. Depois do café reforçado, seguimos ao lado do rio revoltado, acompanhados pelo som de geleiras caindo em algum lugar. A subida parecia interminável.

O dia continuava encoberto e era impossível ver as geleiras ao redor, apenas ouvi-las. Fizemos uma parada antes de encarar a última e pior parte da subida. 

O ponto culminante da trilha Salkantay, a 4.650 metros de altitude, é exatamente o ponto de passagem do nevado Salkantay para o Umantay. É o ponto mais alto que já estive na vida chegando por uma trilha. Entre as nuvens, em alguns relances, era possível ver os nevados rapidamente. Os mesmos que congelavam o ar que respirávamos. A cada colega que chegava, uma comemoração. 

Pegamos um pouco de chuva na descida, até o local do almoço. E que bom que o nosso cozinheiro nos recebia sempre com um chá quente. Adquiri um hábito de tomar chás depois que voltei de lá. O local do almoço, um barracão de madeira no meio do nada nos protegia do vento e do frio que ficou mais intenso por causa da chuva. A vontade era comer um balde de sopa, mas as cumbucas vinham servidas da cozinha, ao contrário do almoço, que era servido em bandejas e nós mesmos pegávamos o quanto muito que queríamos.

Depois de mais algumas horas de caminhada na chuva, no fim da tarde chegamos ao local de acampamento em Colpapampa, a 2.950 metros de altitude, que parecia um pequeno sítio, tinha uma pequena venda, e chuveiro quente! Pagamos 10 soles (abril de 2016) por um banho de 10 minutos.

O local tinha uma estrutura de madeira e nossas barracas estavam montadas no segundo andar. Ali não tinha atrativos próximos, como a laguna do primeiro acampamento, mas tinha cerveja e o pessoal aproveitou.

salkantay peru
Grupo reunido no ponto culminante da trilha Salkantay, a 4.650 metros de altitude

Dia 3: de Colpapampa a Santa Teresa

No início do terceiro dia da trilha Salkantay o café se superou: panquecas com doce de leite! Depois de vários dias de mochilão na Bolívia e no Peru, eu já tinha até me acostumado com aquele pão achatado e seco, mas a panqueca é igualzinha a que conhecemos no Brasil. Nos despedimos do carregador nesse momento e os guias passam uma touca para darmos gorjetas para ele, que seguiria até o local do acampamento, montaria as barracas e retornaria para casa.

Partimos sem chuva, mas ela veio dar o ar da graça ainda durante a manhã. A caminhada não tem muitos aclives e declives nesse dia e de repente a gente entra na chamada Amazônia peruana. O clima muda e a temperatura sobe.

A aridez e as pedras dão lugar a uma floresta densa e os rios ficam mais abundantes. Em várias partes da trilha, tivemos que atravessar alguns cursos de água, outros nos seguiam ao lado e lá embaixo. 

As plantações de café e coca e as árvores frutíferas começam a aparecer: bananas (plátano), laranjas (mandarinas) e maracujás. Esses últimos, apreciadíssimos pelos europeus que estavam no nosso grupo, fazendo desse trecho de 10 quilômetros extremamente agradável.

Quando chegamos ao local do almoço o sol era escaldante a ponto de virarmos uma Cusqueña gelada. Nesse dia, tivemos o autêntico ceviche peruano. Ali, 3 colegas se despediram de nós e pegaram uma van até Aguas Calientes (tudo combinado antes), pois a trilha deles era de 4 dias e 3 noites, sendo que o último dia é o tour em Machu Picchu. O guia auxiliar também se despediu.

Dali, nós pegamos uma van até Santa Teresa, e foi nesse caminho que presenciamos uma cena curiosa. Devido às chuvas, um trecho da estrada caiu barranco abaixo, abrindo um buraco e deixando o trajeto fechado. Chamaram um trator para alargar esse trecho, pegando uma parte de uma plantação que ficava na beirada e algumas senhoras, provavelmente as donas, estavam abraçadas às bananeiras, impedindo o trator de abrir caminho. A cena era triste, mas a situação era engraçada.

Pena não saber o final da história: nosso guia foi muito ágil e contatou outra van, que veio do outro lado da estrada para nos pegar. Descemos as mochilas e atravessamos a cratera caída para entrar na van que chegou em minutos.

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No terceiro dia de trilha, as montanhas geladas dão lugar à uma densa floresta e vários rios

Santa Teresa e as águas termais

Chegamos no meio da tarde ao destino – Santa Teresa – a tempo de ir para as águas termais. Engraçado que o povoado tem várias lojinhas que alugam roupa de banho e a gente ficou se perguntando quem faz isso. Pagamos 10 soles para a van que leva e busca, mais 5 soles (abril de 2016) para entrar no clube.

São quatro piscinas de águas aquecidas naturalmente pela atividade vulcânica e quanto mais perto de onde a água sai, mais quente. E foi ali que eu fiquei, direto na fonte, me escaldando por cerca de uma hora. Há um restaurante lá e percebemos a presença de muitos locais.

De volta ao acampamento, que na verdade, ficava em um terraço de um prédio de dois andares, aproveitamos o jantar e esticamos a noite em volta de uma fogueira, com direito a música, aula de forró para alguns colegas, algumas Inka Tequilas – a cachaça local – e a uma noite tranquila de sono.

Dia 4: de Santa Teresa a Aguas Calientes

O delicioso café da manhã fez a despedida do nosso cozinheiro ser sentida com mais pesar. Reunimos gorjetas para ele também e Nange e eu saímos com a van que nos buscou para a tirolesa em Santa Teresa.

Por 70 soles (abril de 2016), nós contratamos a aventura à parte na mesma agência em Cusco em que contratamos a trilha Salkantay. E adoramos! Tem um post especial sobre a experiência nessa tirolesa no Peru aqui no Vida sem Paredes.

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Nossos colegas partiram caminhando em uma linda manhã ensolarada e, ao fim da tirolesa, nós duas fomos levadas de van ao encontro deles na hidrelétrica. Nesse dia, todos precisam carregar as mochilas cargueiras.

Muitos grupos almoçavam no local e haviam muitos restaurantes ali – por isso a dispensa do nosso cozinheiro. Muitas pessoas chegam de van nesse local, para ir a pé da hidrelétrica até Aguas Calientes. No povoado há campings e vimos muitos turistas que passaram alguns dias por ali.

Nós seguimos por 11 quilômetros ao lado da linha do trem em uma caminhada de cerca de duas horas, e choveu. Só paramos para avistar as montanhas que cercam Machu Picchu. Chegamos a Aguas Calientes (a 2.250 metros de altitude) sem chuva por volta das 15h30.

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O último dia de caminhada vai da hidrelétrica a Aguas Calientes

Aguas Calientes: última parada da trilha para Machu Picchu

Às 16h já estávamos tomando banho no hostel, mas sem a menor vontade de descansar. Perambulamos pelas ruas apertadas, compramos frutas, biscoito e água para o dia seguinte, e “exploramos” o centro totalmente turístico da cidade-base para Machu Picchu.

Carlos, nosso guia, combinou com todos às 18h30 na porta do hostel que ficava em uma subida atrás da praça principal. Seguimos para o restaurante e ele ainda nos mostrou alguns pontos da cidade, mostrou a estação do trem onde embarcaríamos no dia seguinte após o tour em Machu Picchu, e deu todas as instruções do último dia.

Para ser sincera, o jantar no restaurante não foi melhor que a comida preparada pelo nosso cozinheiro solo nos três dias anteriores, mas a vantagem é que o restaurante tinha doble de Pisco Sour, um drink local que eu experimentei em todas as cidades que passamos (rs).

Após o jantar, ele distribuiu as entradas de Machu Picchu. Exceto para nós, que compramos antes de ir (clique aqui para comprar o seu, ou confira o post sobre como comprar ingresso de Machu Picchu).

Também entregou os kits de café da manhã e os bilhetes do trem. Para o dia seguinte, nosso plano era jantar em Aguas Calientes mesmo e ficar no restaurante aguardando o horário do trem, já que nossas mochilas ficariam no hostel. A viagem levaria 1h45 até Ollantaytambo, onde uma van nos esperaria para mais 2h de viagem de volta a Cusco.

Depois de mais alguns Piscos, Carlos disse que nos esperaria na entrada da cidade perdida dos incas às 6h do quinto e último dia da Trilha Salkantay, para um tour guiado com duração de duas horas.

Ele recomendou que saíssemos no máximo às 4 e meia do hostel para caminhar até a entrada de Aguas Calientes, onde está o portão para Machu Picchu, que se abre às 5h, e subir até a entrada da cidade pelos inúmeros degraus montanha acima.

Dia 5: Machu Picchu

A Trilha Salkantay termina com uma visita guiada na cidade perdida dos incas, Machu Picchu. O sítio arqueológico é um dos atrativos mais procurados do mundo, é Patrimônio Mundial da Unesco e uma das 7 maravilhas do mundo moderno. O lugar é impressionante e tem uma energia incrível.

A última noite foi de expectativas. Depois de dar notícias ao mundo, já que encontramos o primeiro sinal wi-fi de toda a trilha, só conseguimos dormir porque o cansaço vencia a batalha contra a ansiedade. Machu Picchu nos aguardava. Era o “ponto culminante” da nossa experiência na Trilha Salkantay.

Organizamos algumas dicas práticas para visitar Machu Picchu. Leia e confira tudo sobre a atração.

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Machu Picchu pequenininha vista de Intipunku (Puerta del Sol)

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Nós com o guia Carlos
Dicas para a Trilha Salkantay no Peru
  1. A Trilha Salkantay é considerada de nível difícil e exige preparo físico. Lembre-se que grande parte da trilha é feita acima dos 3 mil metros de altitude, o que a dificulta ainda mais. A recomendação é se aclimatar alguns dias em Cusco antes.
  2. Não jogue lixo na trilha.
  3. Respeite e valorize a cultura local.

Leia também

> O que fazer em Cusco

> Passeio no Valle Sagrado dos Incas

> Salar de Uyuni: tudo sobre o deserto de sal da Bolívia

> Monte Roraima: guia completo para visitar

    

A trilha Salkantay foi uma experiência incrível para nós, e a primeira acima dos 4 mil metros de altitude. Se você tem alguma dúvida sobre o trekking, será um prazer ajudar. Deixe um comentário!

Por Camila Coubelle

 
 

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Um blog sobre descobertas e viagens, ou vice-versa. Aqui você encontra muitas dicas, roteiros, guias de destinos incríveis pelo mundo. A gente divide nossas experiências para inspirar as suas.

8 COMENTÁRIOS

  1. Olá! Vi que a sua viagem foi em 2016 , estou indo no px mês , meu medo é … somos eu e mais um e tenho receio de comprar os ingressos a machu sendo que terei que estar em um grupo já formado para a expedição, o que me indica por gentileza ?

    • Oi Filipe. Nós compramos os ingressos de Machu Picchu pela internet, mesmo sem ter fechado a trilha. Nós só fechamos em Cusco… informamos ao agente que já tínhamos e ele nos deu um desconto no valor do ingresso. Comprar com antecedência vai garantir que você entre na atração na data que deseja. Corre o risco de deixar para comprar tudo em Cusco e não ter para a data que você planejou. Machu Picchu tem limite de visitantes por dia, então achamos melhor garantir. O seu grupo para a trilha já está fechado?

  2. […] a agência ofereceu uma tirolesa em Santa Teresa, no Peru, povoado base do terceiro acampamento da Trilha Salkantay, meus olhos devem ter brilhado. Mesmo assim, decidimos pensar um pouco a respeito, mas depois do […]

  3. […] Nossa ida a Machu Picchu estava atrelada a Trilha Salkantay e no post que fizemos sobre como contratar o trekking, a gente explica como comprar o ingresso para Machu Picchu e também tem dicas preciosas de como contratar uma agência para fazer o passeio, independente se você quer fazer apenas o passeio para Machu Picchu. Confira aqui. […]

  4. […] Confira aqui no Vida sem Paredes como contratar e o que levar na Trilha Salkantay. […]

  5. Olá, muito providencial as informações postadas. Pretendo ir para Machu Picchu em Maio de 2017 e fazer a Trilha Salkantay. Fiquei com uma dúvida, vi que é mais interessante comprar o pacote lá em Cusco, como faço com relação aos ingressos para Machu Picchu. Pergunto isto porque não sei ao certo a data exata de chegada (pretendo ir por Corumbá – Trem da Morte e Ônibus). Fico com receio de compra antecipadamente e data não casar com a chegada em Machu Picchu.

    • Oi Geovane! No meu caso foi assim: comprei de forma que se atrasasse a chegada em Cusco, iria primeiro para a trilha e depois conheceria a cidade, se chegasse na data certa, teria um dia antes e dois depois da trilha na cidade…. foi difícil chegar a uma data “perfeita”, mas ter essa margem de erro funcionou. Abraços

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