Salar de Uyuni: guia completo para visitar o deserto de sal na Bolívia

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O Salar de Uyuni, na Bolívia, é o maior deserto de sal do mundo. É aquele tipo de lugar que divide as pessoas em três grupos: o dos que já foram, o dos que querem ir, e o dos que mesmo sem intenção de visitar, não negam a extraordinária beleza do lugar.

De fato, o maior deserto de sal do mundo, com sua imensidão branca estonteante, é um dos destinos mais cobiçados entre viajantes do mundo inteiro.

É uma das principais atrações da Bolívia e da América do Sul e fica a cerca de 540 quilômetros de La Paz. Apesar disso, você já deve ter ouvido falar que esse lugar é sinônimo de perrengue.

Preparamos um guia completo com informações essenciais para ajudar você a planejar sua visita ao Salar de Uyuni, no estilo mochileiro ou com conforto total.

Leia o post até o final para descobrir:

  • Onde se localiza e por que visitar
  • Como chegar no Salar de Uyuni pela Bolívia
  • Melhor época para visitar
  • Tipos de tour, preços e como contratar
  • Gastos extras
  • Quais as atrações do deserto de sal
  • O que levar
  • Planejamento antes da viagem (documentos, seguro, etc)
  • Como são as refeições, os hotéis, banheiros
  • Relato dos 3 dias de tour
Salar de Uyuni
O Salar de Uyuni é o maior deserto de sal do mundo
Salar de Uyuni
Fizemos a travessia de 3 dias e presenciamos o sol nascer e se por
Espelho Salar de Uyuni
Em abril, mês da nossa viagem, restavam poucos espelhos d’água no salar
Totem na laguna Cañapa
Itália Perdida, ponto lindíssimo da travessia do Salar de Uyuni
Isla Incahuasi
Isla Incahuasi, ou isla del Pescado – Salar de Uyuni

Onde se localiza e por que visitar o Salar de Uyuni

O Salar de Uyuni, conhecido como o maior deserto de sal do mundo, fica na região sudoeste da Bolívia, perto de cidades como Uyuni, Sucre e Potosí. Esse lugar extraordinários do planeta tem cerca de 12.000 km² de extensão e está a 3.600 metros de altitude, mas alguns pontos chegam a 5.200 metros.

As paisagens são surreais e incluem não só a imensidão branca feita de sal, mas também diversas formações únicas, como lagunas coloridas, ilhas com cactos gigantes, formações rochosas, vulcões, gêiseres, lhamas e flamingos, um pôr do sol e um céu estrelado inacreditáveis.

O tour de 1 dia ou a travessia de 3 ou 4 dias são as opções para quem quer conhecer o Salar de Uyuni.

Como chegar no Salar de Uyuni pela Bolívia

Há duas cidades de entrada para o deserto de sal: Uyuni, na Bolívia e São Pedro do Atacama, no Chile. A primeira oferece tours mais econômicos.

O aeroporto de Calama, no Chile, recebe voos com conexão em Santiago, e conta com serviço de transfer para São Pedro do Atacama.

Na Bolívia, o aeroporto mais próximo é o de La Paz, a 540 quilômetros, mas o de Santa Cruz de la Sierra, a 845 quilômetros, também é uma opção, pois há voos domésticos de ambas cidades para Uyuni com as empresas Amaszonas, BoA e Tam (não é a brasileira). Consulte ofertas de passagem aérea para Bolívia nesse link.

Tem ampla oferta de ônibus de La Paz para Uyuni, em viagem noturna com cerca de 10 horas de duração, e de Santa Cruz também, com baldeação em Sucre. É possível comprar passagem no site Tickets Bolívia, que tem todos os endereços de terminais rodoviários, horários e preços de ônibus entre as cidades turísticas. 

Mas se precisar alugar um carro, a dica é comparar preços de várias locadoras, reservar o quanto antes e pagar só na retirada do veículo, parcelando sem juros e sem IOF no buscador Rentcars.com.

Começamos e terminamos em Uyuni, mas você também pode começar em uma e terminar na outra, contratando o transfer na mesma agência em que fechar o passeio.

Nó contamos tudo sobre a cidade no artigo Dicas de Uyuni: a cidade de entrada no salar. É pequena, mas totalmente turística, com inúmeras opções de hospedagem, muitos restaurantes de vários tipos de culinárias, e intensa circulação de turistas do mundo todo.

Consulte as ofertas e reserve sua hospedagem em Uyuni de maneira rápida e segura, com opções de cancelamento gratuito e pagamento no check-in através da Booking.com, ou confira o artigo acima para descobrir os hotéis recomendados.

Melhor época para visitar o deserto de sal?

Essa é uma questão que divide opiniões. Explico: é possível visitar o Salar de Uyuni em qualquer época do ano, mas cada período tem suas caraterísticas e a escolha vai depender do que você quer ver.

Dezembro, janeiro, fevereiro e março: período mais quente, sendo que janeiro e fevereiro têm mais chances de chuvas e de ver espelhos d’água. Ponto negativo é que se chover muito é impossível visitar algumas atrações.

Junho, julho e agosto: período mais seco e mais frio, com temperaturas que podem chegar a -10ºC a noite.

Abril, maio, setembro, outubro e novembro: período intermediário, com temperaturas menos frias e pouquíssimas chances de chuva.

Nós visitamos em abril, fazia bastante frio a noite e haviam pouquíssimos espelhos de água.

espelho d'água salar de uyuni
Paisagem no espelho d’água
Salar Capina
Salar Capina
Itália Perdida
“Itália Perida – ou Cidade Perdida”

Tipos de tour e preços

Os tours no Salar de Uyuni são com carros 4×4, geralmente para grupos de 6 pessoas 1 motorista, que também é guia. Também é possível fazer o tour privativo, que é bem mais caro.

TOUR DE 1 DIA: um passeio mais básico, que visita o Cemitério de Trens, o povoado e feira de Colchani, o deserto de sal em si e a Isla Incahuasi, a ilha dos cactos gigantes. Alguns ainda não ao povoado de Coqueza, onde está o vulcão Tunupa, e incluem o pôr do sol no Salar. Vai das 10h às 18h, inclui almoço, e custa em torno de 29 dólares em grupo e 170 dólares o privativo (abril/2019).

TRAVESSIA DE 3 OU 4 DIAS: um passeio completo, que visita o deserto e uma lista grande de atrações incríveis (veja abaixo). São 3 dias e 2 noites, começando às 10h e terminando por volta das 18h do terceiro dia, com almoço, jantar e café da manhã incluídos. Esse pacote custa em torno de 140 dólares o tour normal, e 2.450 dólares o tour privado para uma pessoa ou grupo de até 4. Começando em São Pedro com término em Uyuni o tour pode ser de 3 dias (195 dólares), ou em torno de 2.980 dólares o privado.

O tour de 4 dias geralmente acontece quando o passeio começa e termina em São Pedro do Atacama, sendo o último dia somente para o transfer de volta (235 dólares). 

Ao contratar o passeio no Salar de Uyuni, verifique com a agência se oferecem opções de quartos individuais ou duplos, caso não queira dormir no quarto coletivo com seu grupo. As melhores opções são os hotéis da rede Taika.

HOTEL DENTRO DO SALAR – COM LUXO E CONFORTO: o Palácio de Sal é um hotel 5 estrelas em pleno Salar de Uyuni, conhecido por ser o primeiro hotel de sal do mundo. Ele oferece várias mordomias como wi-fi, piscina, sauna, spa, academia, salão de jogos, restaurante, e transfer do aeroporto de Uyuni, que fica a 25 quilômetros. Ou seja, não precisa do intermédio de agências: tem como reservar pela Booking e combinar o transfer diretamente com eles. O hotel tem ótima avaliação e fica perto do povoado de Colchani. Estando hospedado nele é possível passear pelo deserto de sal a pé ou de bike. 

Salar de Uyuni: como contratar

É possível chegar em Uyuni até as 17 horas e ainda encontrar facilmente seu tour para o dia seguinte – seja de 1, 2 ou 3 dias – no Salar de Uyuni, porque são muitas agências e algumas funcionam além das 19h. Às 7 da manhã já tinha agentes oferecendo passeios nas ruas e eu conheci pessoas que fecharam na parte da manhã do mesmo dia, já que os tours começam às 10 da manhã.

É claro que é preciso pesquisar bem, mas é importante ressaltar que as agências trabalham da seguinte forma: quem tem o maior número de pessoas fechadas “pega” os clientes das outras agências que têm menor número. Por exemplo, os passeios são com 6 ou 7 pessoas. Nossa agência tinha 4 pessoas confirmadas, e completou o carro com 2 pessoas de uma outra agência + 1 pessoa de uma terceira agência.

O que eu quero dizer com isso é que nosso grupo de 7 pessoas foi proveniente de 3 agências diferentes que cobraram diferentes preços e TODOS nós tivemos exatamente o mesmo serviço. Então, não tenha medo de pagar menos achando que as agências que cobram mais caro serão melhores.  O que você precisa fazer é verificar a qualidade do jipe em que você fará o tour, pedir informações detalhadas da alimentação, da hospedagem e do roteiro, e exigir tudo isso anotado no recibo. E contar com a sorte, pois é uma loteria. Alguns amigos contrataram agências que pareciam muito boas e passaram mal com a comida. 

Algumas das agências mais recomendadas são a Cordillera Traveller, Estrella del Sur, World White Travel, e a Ruta Verde, que também oferecem tours privados. São agências maiores que conseguem fechar os grupos de 6 e não precisam “repassar” os clientes para outra agência.

Nós fizemos com a Huracan, pagamos 580 bolivianos por pessoa (em abril de 2016) e ficamos muito satisfeitas com o serviço.

Uma outra opção é comprar um dos diversos tours do GetYourGuide, que oferece opções a partir de Uyuni ou La Paz, e dá para conferir as avaliações de quem já comprou.

jipes salar de uyuni
Carros que fazem os tour no deserto de sal
Os grupos geralmente tem 6 ou 7 pessoas, mas é possível fazer o passeio privativo

Gastos extras

Os ingressos para algumas atrações incluídas no tour geralmente são pagos a parte, e não variam de uma agência para outra. Verifique ao contratar.

  • Água, biscoitos e chocolate
  • Banhos, no caso dos hotéis mais simples: entre 10 e 15 bolivianos
  • Ingresso Aguas Termales: 6 bolivianos
  • Ingresso Isla Incahuasi: 30 bolivianos
  • Ingresso Parque Nacional Eduardo Avaroa (onde estão as lagunas): 150 bolivianos
  • Aluguel de galochas no caso do salar estar alagado: 30 bolivianos

>> A agência que você escolher vai mencionar esses valores extras.

Atrações no Salar de Uyuni

Cemitério de Trens

Povoado de Colchani, onde tem feira de artesanato

Isla Incahuasi, ou Ilha do Pescado, onde tem cactos milenares de chegam a 10 metros de altura

Salar de Uyuni, o deserto de sal em si

Ojos Del Salar, buracos de onde brotam água no meio do deserto

Museu de Sal (antigo hotel) e Praça das Bandeiras

Monumento Dakar

Vilarejo San Juan

Povoado San Cristóbal

Mirante do Vulcão Ollagüe

Povoado Coqueza

Vulcão Tunupa

Laguna Honda

Laguna Hedionda

Laguna Chiarkota

Laguna Colorada, onde estão diversos flamingos

Árbol de Piedra, uma escultura natural moldada pelo vento no deserto de Siloli

Geysers Sol de Manãna

Termas de Polques, em pleno Salar de Chalviri

Laguna Salada, avistada das termas

Laguna Cañapa

Laguna Blanca

Laguna Verde

Salar Capina

Itália Perdida, ou Cidade Perdida

Vale de Rocas, onde está a “Copa do Mundo”

Deserto de Dalí

Existe mais de um vilarejo em cada região, e acredito que os tours se distribuem entre eles. Isso significa que seu tour pode parar em vilas com nomes diferentes das que eu citei. Também há outras lagunas e vulcões.

A visitação geralmente segue um cronograma, mas a ordem pode mudar. Assim como os dias podem ser inverter. Por exemplo, no nosso segundo dia, duas pessoas novas se juntaram ao grupo e só visitaram as atrações do nosso primeiro dia por último, já com um novo grupo.

mapa salar de uyuni
Mapa Salar de Uyuni (clique para ver maior)

O que levar para o Salar de Uyuni

Bloqueador solar: o sol é de matar. Leve bonés, roupas com proteção UV e tudo mais que você tiver para se proteger.

Óculos de Sol: o reflexo da luz solar no sal machuca os olhos. Sério. É quase impossível olhar para ele sem óculos. Leve um de qualidade em que você possa confiar na proteção.

Água: são caras nos vilarejos. Mas, no almoço e no jantar, tínhamos 2L de água e 2L de refri para o grupo. Leve a quantidade que considerar necessária além disso.

Moedas trocadas: para os banheiros. 

Pilhas ou baterias extras: a gente faz fotos o tempo inteiro. São muitos ângulos bonitos, muitas tentativas de pulos e de fotos brincando com a perspectiva. Vai acabar muito rápido e as vendidas no vilarejo de Colchani são caras.

Lenços umedecidos: totalmente indispensáveis para limpar o suor de vez em quando, ao usar os banheiros, limpar as mãos e até tomar um “banho de gato”.

Lanches: não precisa exagerar nisso, a não ser que você coma demais, não se preocupe muito. As nossas refeições eram saborosas e completas, e com fartura.

Álcool gel: para todas as ocasiões em que você precisar lavar a mão.

Na mala: roupas de frio e, dependendo da estação, roupas de calor para o dia, toalha, chinelo, calçado fechado, roupa de banho para as águas termais, kit primeiros socorros.

Manteiga de cacau, hidratante, soro fisiológico: leve produtos para lidar com o ressecamento da pele, dos lábios e do nariz, causado pelo ar seco, o sol escaldante e o frio cortante da noite. Para ser sincera, eu passava dentro do nariz também (enfiando o dedo), e meu nariz não sangrou como muitos relatam. 

Planejamento antes da viagem:

  • Brasileiros não precisam de passaporte ou visto para entrar na Bolívia. Basta o RG em bom estado de conservação e com menos de 10 anos de expedição.
  • Existe a exigência do Certificado de Vacinação contra Febre Amarela para visitar algumas cidades da Bolívia, mas não inclui Uyuni, que está fora da área de risco. Em todo caso é mais garantido ter o documento.
  • A cotação em Uyuni é péssima. A melhor cotação para trocar dinheiro está nas casas de câmbio do centro de La Paz ou Santa Cruz de la Sierra. Portanto, se tiver chance de ir até o centro dessas cidades, troque no aeroporto apenas o necessário para usar até chegar lá. Quando viajamos, 1 real (BRL) = 186 bolivianos (BOB).
  • Não é obrigatório fazer seguro viagem para visitar a Bolívia, mas é altamente recomendável. Compare os preços de várias seguradoras e pague em até 12x ou com desconto no boleto bancário no Seguros Promo. Use nosso cupom de desconto: VIDASEMPAREDES5

Como são as refeições, hotéis, banheiros

Lembre-se que o Salar de Uyuni é uma atração isolada e inóspita, e com exceção de alguns poucos hotéis mais caros, os povoados, locais de almoço e hotéis são bem simples.

Não sei se tivemos sorte, mas achamos tudo incrível. O café da manhã era de rei (com suco, café, leite em pó, chás, pão, panqueca, geleia, doce de leite, biscoitos) e a gente levava o que sobrava para comer mais tarde. Também levávamos as sobremesas do almoço, que eram frutas ou biscoitos, porque a gente não aguentava comer na hora.

Os almoços incluíam carne, arroz, saladas, batata; ou peixe, macarrão, arroz e salada, e havia opções para vegetarianos. Quando chegávamos no local da hospedagem havia um chá com biscoito.

Nos jantares, havia a famosa sopa antes da refeição, e no segundo dia ganhamos até uma garrafa de vinho boliviana. Todos os grupos que estavam no nosso hotel ganharam.

O primeiro hotel no povoado de Coqueza era feito de sal, e nosso grupo dormiu em um quarto coletivo. Só havia nosso grupo no hotel, que era simples, mas limpo, com cobertores suficientes, e banheiro com água quente, mas o banho era pago a parte (10 bolivianos).

No segundo pernoite ficamos em um hotel simples também, mas que estava cheio de outros grupos, e cada grupo dormia em um quarto compartilhado. O jantar foi muito bom, mas o banheiro nesse hotel era pior, mau iluminado e custava 15 bolivianos o banho quente.

Como são os banheiros?

Os banheiros em que parávamos durante o dia eram precários, mas é compreensível, pois não tem muita água no Salar. O do Museu de Sal próximo ao Monumento Dakar foi o pior que encontramos. Custava 5 bolivianos, era uma fossa bem nojenta e lá não tinha água para lavar a mão. Em outras vilas os banheiros custavam 1 ou 2 bolivianos, mesmo sendo o local em que almoçaríamos. Não perca a oportunidade de usar o banheiro no local de almoço.

Vou conseguir carregar meus eletrônicos?

No Hotel de Sal que dormimos em Coqueza no primeiro dia só era permitido carregar celulares e câmeras fotográficas. No local do segundo pernoite, que era mais simples, só haviam poucas tomadas, e como estava mais cheio, era difícil chegar a vez na “fila”. Leve um benjamim.

Travessia do Salar de Uyuni – 1º dia

Gérson, nosso guia, não era de muitas palavras. Somente nos indicou que estávamos indo pra o Cemitério de Trens. Piscamos e já começamos a avistar os trens. Ou o que restou deles. São muitos. Incontáveis. Cada um faltando um pedaço diferente. Ficamos ali por meia hora como crianças em um parque de diversão, buscando o melhor ângulo pra foto, o trem mais alto pra subir, vasculhando a melhor maneira de avistar o horizonte azul e infinito.

Os viajantes mais desavisados, que não abasteceram a mochila com lanches ou água, têm, ali, a última oportunidade de comprar seus apetrechos. Há uma vendinha modesta em meio aos esqueletos dos trens. O preço é tão salgado quanto o deserto, mas há quem queira pagar. No vilarejo de Colchani também há artesanato típico para olhar por horas. Mas o tempo é curto!

Agora sim, partimos rumo a travessia do Salar de Uyuni. O solo branco chama atenção de longe e “uaaaau” surge como uma expressão singular em todas os sotaques dentro do carro. O céu limpinho, de um azul ainda sem nome ajuda. Visitamos o Salar de Uyuni em abril, estava frio, mas isso não nos impediu de sair do carro e viver intensamente aquela experiência.

Depois de uma pequena parada para fotos, fomos almoçar em um dos hotéis de sal espalhados pelo deserto. A comida, levada pelo nosso guia, era de encher os olhos, tanto pela fartura, quanto pelo sabor.

Mas o que chama a atenção nessa parada não é a comida, e sim um monumento dedicado ao Rali Dakar, que passa por lá desde 2014. A escultura é gigante e feita toda com tijolos de sal. Ponto certo para fotos e poses caprichadas. É também ali, o endereço da “praça das bandeiras”, uma estrela de sal com mastros de bandeiras de algumas partes do mundo. É lindo vê-las cantando com o vento. Um dueto e tanto!

No carro, um objeto me chamava a atenção: um dragão de brinquedo. Ficava me perguntando qual era a finalidade daquilo dentro do jipe. Quanta inocência! Era óbvio e eu não havia me atentado. Fotos! Muitas fotos em perspectiva. Era essa a nossa atividade após o almoço. E quem não queria simular o ataque de um dragão? Ser guerreiro ou até fugir dele… Todos queriam. E todos tiveram seu momento. A felicidade ali era tão grande, todos estavam tão alegres e sorridentes. Era bonito de ver. 

O próximo passo foi conhecer a Isla Del Pescado. “Uaaaau”, de novo. Uma protuberância no meio do deserto, com cactos de mais de 10 metros de altura. Parada obrigatória. A Isla Incahuasi, alcunha oficial, parece te levar pra dentro de um filme de ação. Fiquei com a impressão de que o Indiana Jones poderia aparecer ali a qualquer momento. 

O dia foi puxado, muita informação, muito sol, muita adrenalina. Talvez por isso a noite tenha chegado sem ninguém se sentir cansado. Junto com a noite, veio o frio e a despedida de alguns colegas que compraram o passeio por um dia apenas.

Quem vai passar os três dias por ali segue, então, para Coqueza, um povoado aos pés do vulcão Tunupa. Já imaginou passar a noite em um hotel feito de sal, com o Salar de Uyuni na porta de casa e um vulcão no quintal? Eu nunca havia imaginado, mas agora posso dizer que é uma sensação maravilhosa. A partir daí, uma sequência de coisas quentinhas: chá, banho , sopa, jantar, cama.

O trajeto do dia seguinte já estava planejado. Só nos restava dormir a guardar energias para as próximas emoções.

Travessia do Salar de Uyuni – 2º dia:

É incrível como aquela manhã silenciosa fazia tanto barulho dentro da gente. Talvez por conta do coração, que batia acelerado. Não demorou muito e o sol começou a iluminar nosso dia que mal tinha começado. Poucas vezes na vida presenciei cenas tão bonitas. O sol, dourado, intenso, refletindo na imensidão branca foi mesmo um momento inesquecível.

Retornamos ao hotel para o café da manhã e, em seguida, partimos para o nosso segundo dia de travessia do Salar de Uyuni.

Seguimos para o povoado de San Cristobal, onde almoçamos e partimos rapidamente rumo à Laguna Colorada. Estávamos muito excitados para ver os flamingos e as águas coloridas que envolvem o deserto.

Agora não tem mais imensidão branca, mas tem um caminho lindo, cheio de plantações, pedras e animais típicos da região, como as lhamas e as vicunhas. Uma fofura só! 

Algumas paradas acalmaram nossos corações, como na Laguna Cañapa, de onde avistamos o Vulcão Ollague, na fronteira da Bolívia com o Chile. Ainda passamos pelas lagunas Hedionda e Honda. Cada uma com sua beleza, mas a mais esperada era mesmo a Laguna Colorada.

No meio da tarde o vento parecia querer dançar com nossos cabelos e cachecóis. Chegamos na Árbol de Piedra, uma incrível formação natural localizada no deserto de Siloli, que ganhou o formato de uma árvore graças à constante erosão causada pelo vento, implacável a essa altura do deserto.  A região é recheada por rochas vulcânicas erodidas ao longo do tempo, mas a “árvore” é a que mais chama a atenção. 

Nesse ponto, passamos por muitas pedras, inclusive algumas que furaram o pneu do nosso jipe – lembra do que falei sobre estar pronto pra imprevistos? – mas o “poderoso Gérson” estava lá pra nos salvar… e o jipe que estava atrás também. Faltava pouco para conhecer a tão aguardada Laguna e seus flamingos.

Ao chegarmos, a alegria era a única sensação mais forte que o frio. Lá estava ela, vermelha, rosa, não sei o ao certo, tomando conta da paisagem desértica. Os flamingos davam o tom de contraste e o vento assoviava ao pé dos nossos ouvidos. Aliás, ventada tanto que não tivemos coragem de descer a até a beira da laguna.

Aquela cor indefinida, aquele som de valsa que o vento fazia, aquilo não precisava de muito tempo pra ficar na memória. A Laguna Colorada está no topo dos lugares mais bonitos da travessia do Salar de Uyuni, com certeza. 

Hora de dar as costas e trilhar pelo deserto mais uma vez. Finalizamos mais um dia carimbando nosso passaporte no Parque Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa, parada obrigatória, visto que precisamos pagar para acessar as lagunas.

Seguimos para o refúgio no povoado de Vilamar, para as nossas comidas quentinhas, para o vinho que ganhamos e para descansar, principalmente. O dia seguinte começaria às 3h30 da manhã. O último dia pelo Salar de Uyuni nos reservaria gratas surpresas.

Travessia do Salar de Uyuni – 3º dia:

Prepárense, mañana levantarse a las cuatro y salió a las cinco de la mañana.” Foi dessa maneira que Gérson, nosso guia, se despediu do grupo no hostel. Quando estávamos nos preparando para dormir no quarto modesto e de luz fraca, sabíamos apenas que o terceiro dia de travessia do Salar de Uyuni nos reservaria grandes emoções. De uma coisa tínhamos certeza: seria uma noite fria, muito fria. E fomos dormir com o vento assoviando do lado de fora.

Depois de um completo café da manhã, às cinco da manhã, lá estávamos nós, ainda embriagados de sono, seguindo rumo aos 4.850 metros de altitude do Gêiseres “Sol de Mañana”, uma área desértica de cerca de dois quilômetros, ao sul da Laguna Colorada. Gastamos cerca de uma hora até chegar ao nosso destino.

Ao avistar as fumaças saindo de dentro da terra, ninguém mais pensou em frio e todos, sem exceção, saltaram incrédulos do carro. Nas crateras, as lavas vulcânicas ferviam e se transformavam em vapor e fumaça, faziam barulhos estrondosos e exalavam um forte cheiro de enxofre. Isso sem falar no frio cortante a quase cinco mil metros acima do nível do mar.

As plumas esfumaçadas de vapor eram gigantes. Nada tinha sido tão estranho. Parecia um outro planeta, ou na Lua, talvez. Logo o sol apareceu e sinalizou que era hora de partir. Ficamos lá por cerca de 40 minutos.

Refleti, naquele momento, o quanto esse passeio superou completamente minhas expectativas. Pensei que, se outros lugares quisessem me surpreender, teriam que ser muito bons mesmo!

Partimos dali rumo às piscinas de águas termais, águas aquecidas por atividades vulcânicas. Uma bela experiência dentro do Parque Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa.  Tem muita gente, vestiários e restaurante e nosso guia nos dá uma hora para o banho. 

Dentre as localidades programadas para o último dia, aquela seria a última, pois as lagunas Verde, Vinto e Negra estavam indisponíveis para visitação por causa dos fortes ventos da noite anterior. Uma pena! Além disso, este foi o ponto onde nos despedimos de uma companheira de viagem que seguiu para San Pedro do Atacama com outro grupo.

Continuamos com nosso grupo, agora com cinco pessoas e nos divertimos com os 38 graus que fazia embaixo d’água. Só debaixo mesmo, porque do lado de fora o termômetro marcava 6 graus. Do termas temos uma visão incrível da Laguna Salada.

No caminho para o povoado de Vila Alota, onde nosso almoço seria servido, paramos para admirar o Salar Capina. É de lá que os locais retiram o sal para comercializar. É bem menor, mas tem uma beleza única, ainda mais quando o branco do sal contrasta com o céu azul e a paisagem verdinha ao redor.

Rochas, deserto e plantações se misturam a grandes rebanhos de lhamas e alpacas. E, ao chegar na cidade, outra surpresa, as casas se multiplicam por entre as rochas gigantescas, como em um cenário de filme medieval, ou algo do tipo. Com certeza, um lugarzinho bem simpático e tranquilo para recarregar as energias.

Após o almoço, seguimos para outro lugar inesperado, uma enorme e linda região de formação de rochas vulcânicas. Eram a “Copa do Mundo” e a “Itália (ou Cidade) Perdida”. Uau! Como as rochas se encaixaram bem com a paisagem. Meus olhos brilharam em uma mistura de satisfação e tristeza. Aquele era o último lugar, a última parada.

Dali, voltamos para Uyuni, onde nosso mochilão pegaria novamente a estrada. Tão bom partir com o coração cheio de coisas boas, mas também seria bom ficar um pouco mais. Esse misto de emoções nos acompanhou pelos 25 dias de viagem. Deixamos um pedacinho de nós a cada parada e levamos um pedacinho do que vimos na memória e no coração.

Conhecer, ver e tocar o Salar de Uyuni foi, com certeza, a realização de um sonho e cada passo foi dado com todo amor do mundo, talvez por isso tenha sido tão especial. Talvez por isso ainda lembre de cada momento dessa história. Que bom poder contar essas emoções e inspirar você também

Chegamos de volta em Uyuni por volta das 17 horas, a tempo de comer e comprar uma passagem para La Paz (os ônibus partem entre 20 e 23 horas).

O Salar de Uyuni é um dos lugares obrigatórios para visitar no mundo. Agora que você viu que dá para visitar de forma privativa e confortável, ou de forma econômica, escolha seu estilo e pé na estrada! 

Se tiver outras dúvidas sobre o deserto de sal da Bolívia, deixe um comentário!

+ sobre a Bolívia:

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Preços dos ônibus e duração das viagens

Guia completo para visitar o Salar de Uyuni, Bolívia

Data da viagem: Abril de 2016, atualizado em abril de 2019

Por Camila Coubelle

 
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17 comentários em “Salar de Uyuni: guia completo para visitar o deserto de sal na Bolívia

  • Pingback:Dicas de Uyuni: cidade de entrada no deserto de sal na Bolívia

  • 14 de junho de 2018 em 11:09
    Permalink

    Ola!! Ótimo post, gostaria de fazer uma pergunta. No final de 2018 estou planejando ir de carro para Machu Picchu, e vou passar por San Pedro do Atacama, você acha mais fácil eu fazer o tour do salar em san pedro e ir em direção a Machu Picchu pelo Chile “beirando o mar”, ou é seguro eu ir até Uyuni , fazer o passeio do salar, e depois ir da Bolívia para Machu Picchu ?? Ouvi falar que na Bolivia as estradas tem algumas precárias e falta de segurança das estradas… Parabens pelos relatos!!
    obrigado, agradeço desde já!

    Resposta
  • 26 de maio de 2018 em 19:43
    Permalink

    Olá, adorei o blog. As informações estão me ajudando muito! Gostaria de saber se no tour vocês puderam levar a mala ou se tiveram que deixar em Uyuni. Li em um guia que só dá pra levar uma mochila pequena. Agradeço desde já.

    Resposta
    • 28 de maio de 2018 em 10:34
      Permalink

      Oi! Obrigada pelo elogio! Nós e todos que estavam no nosso grupo levaram suas malas sim, no caso, estava todo mundo com mochila cargueira grande e um mochila pequena. As grandes eram transportadas em cima do jipe.

      Resposta
  • 22 de abril de 2018 em 00:24
    Permalink

    Boa noite!
    Gostaria de saber se quando chega na divisa com o Chile e possivel continuar um passeio pelo deserto do Atacama?

    Resposta
    • 23 de abril de 2018 em 08:54
      Permalink

      Olá! Sim, é possível. Basta avisar na hora de contratar a agência e eles cobrarão uns transfer extra para você finalizar no Atacama. Abraços

      Resposta
  • 27 de dezembro de 2017 em 00:48
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    Agora que vi o comentário acima que minha pergunta esta respondida! Podem desconsiderar o anterior! obrigada

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  • 27 de dezembro de 2017 em 00:47
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    Oi! Ótimo post!! estou querendo fazer esse mesmo passeio que vocês, 3 dias, indo e voltando para uyuni. Você disse no posto que os passeios começam as 10, mas e no ultimo dia, que horas mais ou menos vocês estavam de volta em Uyuni? gostaria de saber pra comprar o meu ônibus de volta a La Paz.
    Obrigada!!!

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  • 5 de julho de 2017 em 16:27
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    Olá, gostaria de de saber a que horas acaba o tour, gostaria de pegar o voo de volta no mesmo dia, vi que tem um voo às 23h e queria saber se é possível.

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    • 5 de julho de 2017 em 18:38
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      Olá Cris! Nosso tour terminou por volta das 17h30. Geralmente é assim, no finalzinho da tarde. Você pode avisar do seu horário para agência que contratar. Qualquer dúvida, só falar! Abraços

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  • 2 de janeiro de 2017 em 14:11
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    Olá!
    Qual agência contratou para fazer o tour pelo Salar de Uyuni? Estou indo para Atacama primeiro, mas vou tentar procurar esta agência por lá, provavelmente também saem de San Pedro de Atacama.
    Obrigada pelas dicas. Estou pesquisando bastante, mas a maioria dos blogs estão muito desatualizados. Que bom que encontrei este aqui.

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    • 2 de janeiro de 2017 em 14:46
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      Olá Priscila! Obrigada pelo elogio! O nome da empresa que contratamo é Huracan, mas ela fica em Uyuni. Não estivemos em San Pedro, mas creio que lá seja no mesmo esquema de Uyuni. Boa viagem! Use #vidasemparedes no Instagram para a gente acompanhar você!

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  • 23 de agosto de 2016 em 11:08
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    […] como contamos no post com dicas para o Salar de Uyuni na Bolívia, salvo raras exceções, as agências de turismo não operam as trilhas. O que isso […]

    Resposta
  • 2 de agosto de 2016 em 07:04
    Permalink

    […]   Salar de Uyuni: tudo que você precisa saber antes de ir […]

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