Forte Samaipata: como visitar a maior pedra talhada do mundo na Bolívia

Atualizado em

O Forte de Samaipata é um importante sítio arqueológico da Bolívia, declarado Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco desde 1998. Ele fica na cidade de Samaipata, a 125 quilômetros de Santa Cruz de la Sierra.

Muito procurado ultimamente por aventureiros e viajantes interessados em cultura e histórias da América do Sul, o parque arqueológico conserva uma das maiores construções monolíticas do mundo. Um local de antigos rituais indígenas, uma colina estrategicamente localizada aos pés da Cordilheira dos Andes, a cerca de 2 mil metros de altitude, o centro cerimonial de uma antiga cidade. Basta ou não para convencer que vale a pena visitar?

Confira fotos do lugar, um pouquinho da história, como chegar no Forte de Samaipata e algumas dicas para quem pretende visitar o sítio arqueológico.

Forte de Samaipata
Mirantes do Forte de Samaipata permitem uma visão ampla do sítio
O termo Samaipata significa “lugar de descanso nas montanhas” em quéchua.

O que é o Forte de Samaipata?

Imagine uma rocha esculpida de 220 metros de comprimento e 60 metros de largura? É difícil imaginar tamanho domínio e habilidade com as pedras, mas o Forte é a comprovação do extraordinário desenvolvimento dos povos pré-colombianos.

As ruínas foram descobertas pelos espanhóis que se assentaram no vale próximo durante a colonização. Depois que eles se foram, os únicos visitantes eram caçadores de tesouro e pastores, mas os moradores locais preservaram a memória do lugar. Somente no século 18 as ruínas foram redescobertas, e apenas no século 20 foram escavadas e estudadas. Dizem que parte que vemos corresponde a 20% das ruínas.

Quem nomeou o local de “Fuerte” foram os espanhóis, durante o período de colonização, talvez, por sua localização no topo da colina. Mas Samaipata não estava ligado ao exército, mas sim, à religiosidade e comunicação com os deuses.

Segundo a UNESCO, “a enorme pedra esculpida, dominando a cidade abaixo , é um testemunho único de tradições e crenças pré-hispânicas, sem paralelo em qualquer lugar nas Américas.” Fonte: http://whc.unesco.org/en/list/883

Como chegar em Samaipata

Samaipata é uma cidadezinha pequena a 125 quilômetros de Santa Cruz de la Sierra (confira passagens aéreas em oferta nesse link), mas tem opções de restaurantes, hospedagens e até algumas agências de viagem em volta da praça. Perto dali, há outros locais com enormes cachoeiras. Foi uma pena a gente não ter levado as mochilas para ficar ali.

A melhor forma de chegar em Samaipata a partir de Santa Cruz de la Sierra é com as minivans que saem do ponto na Avenida Omar Chávez Ortiz, esquina com a Calle Solis Olguim, a cerca de 2,5 quilômetros da praça principal de Santa Cruz. Os carros saem quando completam o número de passageiros (7 pessoas) ou com o mínimo de quatro. Cada trecho custa 30 bolivianos por pessoa, mas tudo pode ser negociado na Bolívia. As vans funcionam entre 6h e 19h.

As outras opções são combinar com taxistas na Plaza 24 de Septiembre (opção mais cara), ir de ônibus (opção mais demorada, com poucos horários), ou alugar um carro.

Quando precisar alugar um, a gente recomenda que você compare preços das locadoras disponíveis no Rentcars. A plataforma auxilia encontrar o melhor serviço e preço, e dá para fazer a reserva direto lá, parcelando sem juros e sem IOF.

A viagem até Samaipata leva mais ou menos 3 horas. As vans deixam os passageiros na praça principal e retornam dali (confirme os horários de volta). Em volta da praça estão os táxis locais, que levam os visitantes até o parque arqueológico El Fuerte de Samaipata por 50 bolivianos por pessoa.

Dica: se estiver em grupo vale a pena combinar tudo com o motorista da van. Nosso grupo de 4 pessoas pagou 100 bolivianos na época para que ele levasse ao parque e esperasse, e ainda pagamos 50 bolivianos cada para retornarmos a Santa Cruz sozinhos. No caso, a gente não tinha tempo para esperar completar a van.

Forte Samaipata
Entrada do Forte Samaipata, sítio arqueológico a 125 km de Santa Cruz de la Sierra

Dicas para quem pretende visitar o Forte de Samaipata:

  • Reserve sua hospedagem em Samaipata ou Santa Cruz de la Sierra de maneira rápida e segura, com opções de cancelamento gratuito e pagamento só no check-in.
  • O ingresso custa 50 bolivianos (cerca de R$25,00) para estrangeiros e dá direito a entrar também no museu que fica na cidade.
  • O tour no parque arqueológico de Samaipata dura certa de 2 horas, com calma e parando um pouco para apreciar as ruínas e a paisagem.
  • O circuito é autoguiado e sinalizado, com alguns mirantes em plataformas de madeira, que permitem uma visão mais ampla do local.
  • Há uma pequena lanchonete na portaria do parque, com poucas opções. Então, vale a pena levar lanches, e não esqueça a água!
  • O clima em Samaipata é mais amenos do que em Santa Cruz, então, leve casaco. Mas não esqueça o protetor solar, boné e outras coisas mais para se proteger do Sol.
  • Não é obrigatório fazer seguro viagem para visitar a Bolívia, mas é altamente recomendável. Compare os preços de várias seguradoras e pague em até 12x ou com desconto no boleto bancário no Seguros Promo. Use nosso cupom de desconto: VIDASEMPAREDES5

O que ver no Forte de Samaipata:

Clique para ver o mapa em tamanho maior

Ruínas

As ruínas mostram que o local foi ocupado e utilizado inicialmente como um centro residencial e ritualístico. Populações indígenas das planícies amazônicas, pertencentes à cultura Mojocoyas iniciaram a escultura da rocha colossal.

No sítio há vestígios da cultura inca, da cultura Chané, pré-colombiana, dos guerreiros belicosas Guarani, que atacaram a região, e também dos espanhóis.

Ruínas de Samaipata
Posteriormente, os Incas também utilizaram o lugar. Algumas construções, como o muro Inca e área agrícola e as residências, têm traços dessa cultura.
Forte Samaipata

Setores do Forte de Samaipata

Samaipata está dividida em dois setores. O 1º, no alto dos quase 2 mil metros de altitude da colina, trata-se da rocha de 220 metros de comprimento e 60 metros de largura. O arenito foi esculpido para criar nichos com desenhos zoomórficos, isto é, com formato de animais, que representavam divindades e entes da natureza. Nas esculturas, vemos desenhos de serpentes, onças, gatos… Felinos e cobras estavam ligados ao sol na religião Inca. (as figuras em baixo relevo estão nos círculos).

O 2º setor, ao sul da grande rocha esculpida, é composto pelas áreas administrativa e residencial.

Forte de Samaipata
1º setor

Área Cerimonial

A área de cerimonial também inclui um tanque de água com duas condutas paralelas que levam à solução abaixo, revelando o planejamento hidráulico das culturas.

No topo do monumento há um pequeno círculo com nove lugares para assento, altares e construções que parecem arquibancadas para observar rituais.

Forte de Samaipata

Casa Colonial

Ao pé da rocha está a Casa Colonial. Os cortes na rocha revelam desenhos pré-incas, mas por cima dos desenhos, estão os restos de duas casas com estilo Inca, inclusive, semelhantes a outras conhecidas em Machu Picchu.

Pelos diversos vestígios revelados nas escavações o local é conhecido como a Praça das Três Culturas.

Templo de las Cinco Hornacinas

Um dos pontos mais interessantes do Forte de Samaipata, o misterioso Templo de las Cinco Hornacinas é parada obrigatória no circuito.

Templo de las Cinco Hornacinas
Eu, Nange, Eurico e Jesse no Templo de las Cinco Hornacinas

Vegetação

Do ponto onde está o Forte de Samaipata é possível ver diferentes vegetações. Ao Norte fica o início da Floresta Amazônica, com suas árvores enormes e mata densa, ao Sudeste dá pra observar o “Chaco”, conhecido no Brasil como Pantanal, com suas planícies alagadas e árvores mais baixas, e ao Oeste, está a vegetação típica da Cordilheira dos Andes, com um clima de altitude mais seco e plantas rasteiras.

Forte de Samaipata
Esse mirante, além de oferecer ótima vista para a vegetação ao redor, é um ponto estratégico de eco, usado para comunicação

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Pontos Cardeais

As antigas civilizações construíram a cidade de acordo com os pontos cardeais e com as estações do ano. Eles se orientavam pelos astros para plantar, colher e tudo que faziam. Talvez isso explique a localização no alto da colina, que possibilita a observação astronômica.

Forte de Samaipata

S E R V I Ç O

Forte de Samaipata

Funcionamento: diariamente, das 9h às 16h30

Ingresso: 50 bolivianos

.

 

Apesar de não ter a mesma visibilidade que Machu Pichu, o Forte Samaipata é um sítio arqueológico tão importante quanto, que merece e muito a visita. 


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Como visitar o Forte de Samaipata, Bolívia: a maior pedra talhada do mundo

Data da viagem: abril de 2016

Por Camila Coubelle

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7 comentários em “Forte Samaipata: como visitar a maior pedra talhada do mundo na Bolívia

  • 29 de janeiro de 2019 em 23:40
    Permalink

    Estou montando meu roteiro e coloquei Samaipata por causa do forte e por causa do Parque Nacional… você acha que vale a pena ficar uns 2/3 dias para conhecer tudo com calma? e o Amboró é acessível ou mais difícil para conseguir transporte?

    Resposta
    • 30 de janeiro de 2019 em 13:22
      Permalink

      Oi Ohara, tudo bem? Na época a gente fez um bate-volta em Samaipata e foi corrido e cansativo, só visitamos o forte. A gente se arrependeu muito de não ter programado pelo menos uns 3 dias lá, para conhecer o Parque Nacional Amboró, as cascatas e lagoas. O transporte em Samaipata funciona com pequenas vans e táxis, então creio que você encontra facilmente estando lá. Abraços!

      Resposta
  • 20 de novembro de 2018 em 23:46
    Permalink

    Parabens pelo blog!! Uso sempre como referencia nas minhas viagens. Voces sabem o horario e dias de funcionamentodo Forte?
    Obrigada

    Resposta
    • 21 de novembro de 2018 em 12:22
      Permalink

      Oi Elisa, tudo bem? Muito obrigada pelo carinho, ficamos muito felizes em saber! O forte funciona de 9h às 16h30. Abraços

      Resposta
  • 22 de junho de 2018 em 00:04
    Permalink

    O principal ponto negativo de seu blog é que não é possível “copiar” (ctrl c) os texto, o que impede que arquivemos as informações. Um pena!

    Resposta
  • 9 de junho de 2016 em 11:42
    Permalink

    […] certeza se o último horário era às 18 horas ou às 18h30, e por cauda do trânsito na volta de Samaipata, chegamos na maior correria cinco minutos antes das seis. Ainda do lado de fora do Terminal de […]

    Resposta

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