• Pacotes para Trilha Inca Machupicchu e Trilha Salkantay

7 dias na Serra da Bocaina

 

Serra, mata, mar, cascata, mico, pedra, pico, barro, tronco, ponte, canto, chuva, onça… E pântano, mosquito, búfalo, borboleta… A Serra da Bocaina é um sem-fim de maravilhas. Uma soma que desenha um cenário envolto por mata Atlântica e história. Justamente o que faz dela única.

Antes de continuar, confira a playlist que combina com esse lugar:

Num trecho da Serra do Mar, entre os estados do RJ e SP, a Bocaina abriga o Parque Nacional da Serra da Bocaina (PNSB). Criado em 1971, é uma das maiores áreas protegidas da Mata Atlântica. Da região serrana ao nível do mar, o parque tem 104 mil hectares de ecossistemas diversos e grandes riquezas naturais.

Trilha do Ouro

Trilha do Ouro

De onde vem o nome?

Para os moradores da região, bocaina é um termo utilizado para denominar os vales que permitem a travessia de uma serra. Mas há quem diga que o nome é indígena e significa “jorro d’água que esguicha”. Ambos definem bem, porque vales, depressões e nascentes para todos os lados é o que não falta por lá.

Atrativos da Serra da Bocaina

O destaque vai para o Caminho de Mambucaba, também conhecido como Trilha do Ouro. São cerca de 50 km, geralmente percorridos em três dias, com início na portaria em São José do Barreiro (SP) e término no sertão de Mambucaba, Angra dos Reis (RJ).

O Pico do Tira Chapéu, com 2.088 m de altitude está fora do parque, mas muito próximo da portaria. É o ponto culminante da Serra da Bocaina e o acesso é no Km 24, pela fazenda Pinheirinho, vizinha ao parque. Há uma bifurcação com placas enormes. Impossível não achar!

O Mirante do Sobrado, também próximo da portaria, tem cerca de 1.850 m de altitude. Dele avista-se todo o vale do rio Mambucaba, a Pedra da Macela e a Pedra do Frade.

A cachoeira de Santo Isidro, com 80 metros de queda que dá as boas vindas a quem percorre o caminho. Logo depois vem a das Posses, com seus 40 metros de queda. Já a Cachoeira do Veado, a mais famosa, tem três quedas. A primeira pode ser acessada facilmente ao fim do segundo dia, ou no terceiro bem cedo. Já a segunda tem 120 metros de queda para poucos privilegiados que se arriscam na trilha tortuosa. Usamos 100 metros de corda para a descida final. A terceira é um mistério: não conheço ninguém que tenha ido e não achei informações na internet.

Cachoeira de Santo Isidro

Cachoeira de Santo Isidro

Cachoeira do Veado

Cachoeira do Veado

Cachoeira das Posses

Cachoeira das Posses

A Pedra do Frade, que contei aqui, é um capítulo a parte. Junto com a Praia do Cachadaço, em Paraty, fecha a lista dos lugares imperdíveis da Bocaina.

História

O caminho aberto pelos índios ligando o litoral fluminense ao Vale do Paraíba guarda os rastros de antigos bandeirantes e tropeiros, de escravos, do café e dos atuais aventureiros. Nos tempos da Coroa, o circuito ganhou pedras, colocadas pelos escravos, para facilitar o escoamento do ouro. Mas não era só pelas trilhas calçadas que estas riquezas passavam. Para fugir dos impostos, alguns usavam trilhas alternativas e mais perigosas, traçadas na mata virgem pelos índios Guaianás para chegar até a praia, de onde escoavam a produção. Quem passa pelas depressões exuberantes da Bocaina, atravessa o “descaminho” do ouro e um longo trecho da história do país.

Trilha do Ouro e suas pedras

Trilha do Ouro e suas pedras

7 dias, 120 km na Serra da Bocaina

Cruzamento de dados: um amigo me falou da Trilha do Ouro, e outro amigo me falou que tinha um amigo indo no Carnaval. E assim eu fui para um dos trekkings mais longos que já fiz.

Sábado: Nos encontramos em Barra Mansa (RJ) e fomos na Kombi do Gordo até a Fazenda Pinheirinho. Eu, Erick, Clara e Diego entramos em uma bifurcação errada, mas não foi por isso que não alcançamos o cume do Tira Chapéu. Caiu um temporal de repente, com raios que deram medo, rs. Estávamos quase lá, aos 2.000 mil metros, mas descemos correndo, e quando chegamos embaixo, o sol saiu de novo. Humpf.

Chegamos depois do horário permitido para entrar no parque e tivemos que dormir do lado de fora.

Estrada de acesso à portaria do parque

Estrada de acesso à portaria do parque

Casa de Pedra, no caminho para o Pico do Tira Chapéu

Casa de Pedra, no caminho para o Pico do Tira Chapéu

Domingo: Começamos a trilha do ouro, com direito a mergulho nas cachoeiras, e acampamos no fim da tarde na Pousada Barreirinha, do Tião. Choveu.

Segunda: Eu e Erick subimos o Pico do Gavião cedo e começamos o segundo dia da trilha por volta da hora do almoço. Podemos dizer que por ali o tempo não passou e nem vai passar. A impressão de estar no meio do nada nunca caiu tão bem. São morros e mais morros verdes, molhados e… choveu de novo, claro! Acampamos no fim da tarde na Pousada do Tiãozinho (são muitos Tiões). Deixei minha bota secando no fogão de lenha e bebi uma tal cachaça de lá.

Pico do Gavião

Pico do Gavião

Terça: Encontramos o Diego e a Clara, que tinham acampado perto do rio e fomos até a primeira e a segunda queda da Cachoeira do Veado. A segunda é enorme, parece um elo perdido, primitivo, grandioso e totalmente desafiador. Despedimos dos dois e partimos tarde.

A magnitude da Cachoeira do Veado - 2ª queda

A magnitude da Cachoeira do Veado – 2ª queda

O terceiro dia da Trilha do Ouro é só descida e termina na BR-101, na altura do Parque Mambucaba, também conhecido como Perequê, e vale a pena contratar um resgate para os últimos 20 km em estrada de terra.

Mas não foi isso que fizemos. Ao invés de descer, voltamos pela Trilha do Rio Gavião, usada apenas pelos moradores locais.

Paramos na casa da Dona Carmem, 86 anos, 14 filhos, memória vida da Bocaina. A gente não podia perder o cafezinho do fogão de lenha e um dedinho de prosa. Uma serenidade de fazer esquecer o tempo.

Dona Carmem

Dona Carmem

Continuamos. Anoiteceu e choveu. Mas nesse dia choveu forte, perdemos o rendimento e decidimos acampar no meio do nada às 21h. Dia longo.

Quarta: Partimos cedo rumo ao sertão do Onça, que já é fora da área do parque. Passamos na fazenda do Sr. Laudelino e compramos deliciosos queijos de búfala por… R$ 10,00! Deixamos as coisas na Pousada da Onça e voltamos na Cachoeira da Onça (são muitas onças também!). Durante a noite, adivinha? Choveu! Mas dessa vez escapamos, porque eu acampei na varanda, já que não tinha ninguém além da gente, e o Erick se presenteou com um quarto.

Cachoeira da Onça

Cachoeira da Onça

Quinta: Saímos cedo levando um bilhete para a Dona Ana, a senhora que mora nos arredores da Gruta da Onça. O bilhete era da nora dela, dona da Pousada. Ela fez questão de nos guiar até a gruta, e foi limpando os bambus caídos com uma foice e a habilidade fora do normal para uma senhora pra lá dos seus sessenta anos que nos cobrou só R$ 5,00.

Passamos pela cachoeira da Gruta – ou do Quebra Cachorro, pelos nativos, e adentramos a gruta de 365 metros, que tem algo que faz as baterias da lanterna acabarem, fora o pó e os morcegos do tamanho de macacos. Na volta, ainda comemos doce de cidra e compramos licor de jabuticaba da dona Ana, e voltamos levando os pedidos do bilhete de volta, mas sem pressa, porque combinamos uma carona com uns trabalhadores que iam embora ao fim da tarde. Depois da carona até o Chez Bruna, uma pousada da região, continuamos a pé até a Pousada Brejal, e chegamos na transição do dia para a noite. Era horário de verão. Nesse dia não choveu e a noite foi agradável, ainda mais depois do licor da Dona Ana.

Cachoeira da Gruta ou do Quebra-Cachorro

Cachoeira da Gruta ou do Quebra-Cachorro

Sexta: Saímos cedo para as Cachoeiras do Bracuí e do Rio Mimoso, mas essas merecem um post inteiro em breve.

De volta a pousada, saboreamos a deliciosa truta local, com o molho especial de pinhão – que estou tentando fazer e não acerto – da Estefânia, esposa do Sr. Carlinhos, dono da Pousada. O mesmo que nos convenceu a não ir em número reduzido à Pedra do Frade, que estava prevista para o sábado.

Adiamos essa parte da Serra, mas voltamos depois. Eu contei aqui.

Sábado: Saí cedo porque os horários de ônibus são reduzidos, e arrumei caronas até a rodoviária de Barra Mansa.

A Serra da Bocaina é bonita, indecifrável, exótica, e está sempre chamando para conhecer seus mistérios, suas águas e suas histórias. Vá a qualquer época, porque sempre chove mesmo. Feche os olhos, encha o pulmão de ar e o olhar de gratidão.

Vida sem Paredes - Serra da Bocaina (4)

Fique atento às borboletas do caminho

Vida sem Paredes - Serra da Bocaina (6)

Márcio Jr, 3 anos, Fazenda Barreirinha

Vida sem Paredes - Serra da Bocaina (18)

Foto: Erick Eas

Vida sem Paredes - Serra da Bocaina (9)

Na mata fechada

Se uma árvore resolver cair, corra!

Se uma árvore resolver cair, corra!

 

Animou? Então confira as informações abaixo e boa viagem!

 

 Parque Nacional da Serra da Bocaina: 

(12) 3117-2143 / www.icmbio.gov.br/parnaserradabocaina

Aberto das 6 às 18 horas, e entrada permitida até às 16h. É preciso autorização para pernoitar. Os veículos devem ficar na portaria e o passeio no parque pode ser feito a pé ou de bike, mas com autorização prévia, os carros podem chegar até as casas de moradores ou pousadas no interior.

Informações úteis para visitar a Serra da Bocaina:

  • De são José do Barreiro até a portaria do parque: 28 km
  • Kombi do Gordo: (012) 991-665-289 / 991-122-598
  • Pousada Barreirinha: (12) 3117-2205 ou (12) 997-892-333
  • Pousada do Tião: (12) 997-604-607 ou (12) 991-745-625
  • São o 1º e 2º pontos de pernoite da Trilha do Ouro. Os valores são por volta de R$ 100,00 incluindo jantar, banho quente, pernoite em quarto coletivo com roupa de cama e café da manhã. Os valores do camping são entre R$ 15,00 e R$ 20,00, aí há opção de você levar seu jantar e café, ou contratar lá. +/- Café R$ 12,00 e Refeição R$ 25,00. Mas lembrando que esse eram os valores na época que eu fui, e podem ter sido reajustados.
  • Pousada da Onça: (12) 997-823-135 Refeição R$ 25,00 / Camping R$ 15,00 / Quarto R$ 35,00
  • Pousada Brejal: (24) 999-933-999 / Refeição R$ 25,00 / Camping R$ 15,00 / Quarto R$ 50,00 / Café R$ 12,00

Nunca é demais lembrar: POR FAVOR, RESPEITEM O AMBIENTE E SEUS MORADORES, E NÃO JOGUEM LIXO EM LOCAL INADEQUADO. 😀

 

Distâncias até São Jose do Barreiro – SP:

282 km de Juiz de Fora – MG
236 km do Rio de Janeiro – RJ
268 km de São Paulo – SP
523 km de Belo Horizonte – MG

Serra da Bocaina – RJ/SP – Pontos visitados:

Serra da Bocaina: Pico do Tira Chapéu (2.088m), Casa de Pedra, Parque Nacional da Serra da Bocaina, Trilha do Ouro, Cachoeiras Santo Isidro, das Posses, dos Veados, Pico do Gavião (1.600m), Trilha do Rio Gavião (dos moradores locais), Região da Onça, Cachoeiras da Onça, do Espraiado e da Gruta, Gruta da Onça (365m de extensão), Brejal, Cachoeiras do Bracuí e do Rio Mimoso.

Data da viagem: Fevereiro de 2015

por Camila Coubelle

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7 Comments

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  5. sabe dizer se é possível acampar em qualquer lugar da trilha? ou somente nos lugares pré determinados.. outra pergunta. é feita alguma revista nas mochilas para verificar se está sendo levado fogareiro e lampião:?

    • Olá Danilo. Quando fui para lá não revistaram e não era proibido levar fogareiro e lampião, mas te aconselho a ligar para o escritório do parque para esclarecer as dúvidas. O tel é (12) 3117-2143
      Abraços!

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