Trilha do Ouro: um caminho por cachoeiras e histórias

 

O ouro escoou por diversas rotas no Brasil, mas a Trilha do Ouro na Serra da Bocaina foi a que se tornou mais conhecida. Não é exagero dizer que o motivo são suas inúmeras belezas. O nome oficial é Caminho de Mambucaba, um trajeto de cerca de 50 quilômetros, geralmente percorrido em três dias. Começa no alto da serra, na cidade de São José do Barreiro, perto de Bananal, em São Paulo e vai até o litoral, na vila histórica de Mambucaba, distrito de Angra dos Reis, Rio de Janeiro.

Conheça as atrações e cachoeiras da Trilha do Ouro, as dicas para percorrer essa caminhada clássica, como chegar, como é o pernoite e tudo que você precisa saber.

 

Trilha do Ouro e suas pedras
Cachoeira do Veado

 

História da Trilha do Ouro (Caminho de Mambucaba)

 

Nos tempos da Coroa, o caminho aberto anteriormente pelos índios ligando o litoral ao Vale do Paraíba ganhou pedras, colocadas pelos escravos. Com o intuito de facilitar o escoamento do ouro, muitas vezes, esse caminho era trocado por trilhas alternativas traçadas na mata virgem. Assim, fugiam dos impostos por um “descaminho” do ouro. Quem passa pelas depressões exuberantes da Bocaina atravessa não só as belezas da serra, mas um longo trecho da história do país.

 

Como Chegar

 

O Caminho de Mambucaba ou Trilha do Ouro fica na Serra da Bocaina, um trecho da Serra do Mar entre os Estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Está dentro do Parque Nacional da Serra da Bocaina (PNSB), uma das maiores áreas protegidas da Mata Atlântica, criado em 1971. Da região serrana ao nível do mar, o parque tem 104 mil hectares de ecossistemas diversos e grandes riquezas naturais.

A portaria do parque fica a 28 quilômetros de São José do Barreiro, cidade localizada a 48 quilômetros de Bananal, São Paulo. São José do Barreiro está a cerca de 200 quilômetros do Rio de Janeiro e a 278 de São Paulo.

Quem vem de carro do Rio de Janeiro deve seguir pela rodovia Presidente Dutra até Barra Mansa, entrando na RJ-157 em direção a Bananal. A partir de São Paulo é preciso seguir pela rodovia Presidente Dutra e entrar em Silveiras ou Queluz, passando por Areias até São José do Barreiro.

De ônibus, o destino deve ser Barra Mansa, Guaratinguetá ou Resende e a melhor forma de chegar até a portaria do parque, se você estiver em grupo, é contratando uma Kombi. Caso contrário, há ônibus da viação Pássaro Marron ligando Guaratinguetá a São José do Barreiro, e da viação Penedo (24 3381-8861) a partir de Resende. Mas atenção, se sua escolha for Resende, precisa pegar um táxi da Rodoviária Graal para a Rodoviária Central. Ainda é possível ir para Barra Mansa, mas com baldeação em Bananal, seguindo para São José do Barreiro também pela viação Pássaro Marron.

 

Atrações do Caminho de Mambucaba

 

1º dia: Cachoeira Santo Isidro e Cachoeira das Posses

 

Geralmente, os 50 quilômetros do caminho são percorridos em 3 dias. A trilha começa aberta, com espaço suficiente para passagem de um veículo (tracionado), cercada por uma vegetação exuberante. No primeiro dia passamos pela cachoeira Santo Isidro e pela cachoeira das Posses. A cachoeira Santo Isidro fica em uma descida na trilha e tem 80 metros de queda cercados de muita beleza e uma gostosa “praiazinha” de areia. Já a cachoeira das Posses fica a 8 quilômetros da portaria do parque e tem cerca de 40 metros de queda, que deságuam em um grande poço para banho. A caminho da cachoeira há algumas ruínas da antiga fazenda responsável pela plantação e extração de madeira ali. No fim do primeiro dia chegamos na Fazenda Barreirinha, que oferece uma estrutura de apoio ao visitante. Há alguns quartos na pousadinha e uma boa área para camping, banho quente, café da manhã, refeições e bebidas, mas tudo precisa ser combinado com antecedência (veja os contatos no final).

Em frente ao ponto de pernoite há uma trilha para mais uma atração. O Pico do Gavião, com 1.600 metros de altitude, oferece uma vista linda da região.

 

Pico do Gavião
Cachoeira das Posses
Cachoeira Santo Isidro

 

2º dia: Cachoeira do Veado

 

O principal ponto de interesse do segundo dia de trilha é a cachoeira do Veado, a mais famosa do parque e uma das mais incríveis que já estive na vida. A visão dos morros é de tirar o fôlego e há mais subidas e descidas. No segundo dia a trilha continua aberta e em certo trecho, passamos pelo calçamento de pedrinhas dos tempos da Coroa e por suas “pontes” improvisadas com troncos. No fim do segundo dia é preciso atravessar o Rio Mambucaba em um aparato criado pelo dono na Pousada do Tião, para chegar no segundo ponto de pernoite e apoio aos aventureiros. Ali também há quartos, área para camping, banho quente, café da manhã, refeições e bebidas, e tudo também precisa ser combinado com antecedência. A terceira queda da cachoeira do Veado (mais baixa e acessível) fica bem perto do ponto de pernoite. Já a trilha até a segunda queda é complicada e desafiadora, muito fechada e exige o uso de cordas para chegar até água.  Essa queda com 120 metros é cercada por um cenário estonteante, em um grande vale que fica completamente molhado por causa da força das águas, do vento e dos respingos.

Serra da Bocaina
Cachoeira do Veado
A magnitude da Cachoeira do Veado – 2ª queda

 

3º dia: Calçamento de pedra e Cachoeira do Esguicho

 

O último dia de trilha consiste em uma longa descida pelo calçamento de pedras em direção ao litoral, em meio a uma mata mais fechada. É possível avistar a cachoeira do Esguicho, e é necessário atravessar alguns trechos de água, incluindo uma ponte pênsil antes do final.

No fim da trilha ainda há uma estada de terra de cerca de 20 quilômetros até a BR-101, perto do Parque Mambucaba, ou Perequê, trecho em que a maioria das pessoas contrata um resgate.

 

Eu e Erick em um trecho de mata fechada

 

Parque Nacional da Serra da Bocaina:

 

  • Telefone: (12) 3117-2143 | site
  • E-mail: pnsb.rj@icmbio.gov.br
  • Funcionamento: das 6 às 18 horas, com entrada permitida até às 15h
  • Quanto: gratuito
  • Limite: 80 pessoas por dia. É preciso solicitar autorização entre 7 a 20 dias de antecedência.

 

Contatos:
 

  • Kombi do Gordo: (012) 99166-5289 | 99112-2598 (para chegar à portaria)
  • Oséas (24) 99953-6749 | 3362-3409 (kombi ou carro para o resgate no fim da trilha)
  • Pousada Barreirinha: (12) 3117-2205 ou (12) 99789-2333
  • Pousada do Tião: (12) 99760-4607 ou (12) 99174-5625
  • Há ainda a Pousada da Palmira: (12) 99792-3477

 

Melhor época:

 

É recomendável visitar a região da Serra da Bocaina nos meses mais secos, de maio e agosto. Porém, essa é a época também mais fria e pode dificultar os banhos de cachoeira. Em todo caso, a serra é bastante úmida, então, não esqueça a capa de chuva!

 

Dicas:

 

  1. Não recomendamos fazer nenhuma trilha sem preparo físico.
  2. É possível contratar guias para fazer a Trilha do Ouro. Ao fazer sua inscrição, solicite contatos através do telefone do parque.
  3. Respeite o meio ambiente e os moradores locais.
  4. Alguns trechos são escorregadios. Um bastão de caminhada pode ajudar!

 

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Distâncias até São Jose do Barreiro – SP:
 
282 km de Juiz de Fora – MG
236 km do Rio de Janeiro – RJ
268 km de São Paulo – SP
523 km de Belo Horizonte – MG

 
Trilha do Ouro – SP: 50 quilômetros
Data da viagem: fevereiro de 2015
 

por Camila Coubelle

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Vida sem Paredes

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6 comentários em “Trilha do Ouro: um caminho por cachoeiras e histórias

  • 5 de julho de 2017 em 07:46
    Permalink

    Olá, gostei muito do seu relato. Estou pensando em fazer a travessia do caminho do ouro no mes de agosto. Gostaria de pegar dica sobre como vc conseguiu subir na segunda queda da cachoeira do veado. Vc teria o tracklog com esse caminho? ou teria como passar algumas dicas. Grato

    Resposta
    • 6 de julho de 2017 em 14:43
      Permalink

      Olá! Muito obrigada! Na época que fui eu não usava GPS, então não tenho o tracklog…. fui com o amigo que já conhecia e está sempre por lá. Mas hoje em dia a trilha está aberta! Peça informações na pousada Barreirinha. Aproveite!

      Resposta
  • 1 de agosto de 2017 em 23:00
    Permalink

    Camila, parabéns pelo belo relato! Muito bem explicado. Só que eu fiquei MUITO curioso a respeito do caminho de acesso até a 2ª queda da Cachoeira dos Veados. Teria como você destrinchar melhor o caminho até a 2ª queda, e quais os equipamentos imprescindíveis que devem ser usados na ascensão até a 2ª queda? Ficaria imensamente agradecido.
    Se for possível, me passe um email: luisfelipeads@gmail.com
    Grande abraço!

    Resposta
    • 2 de agosto de 2017 em 11:10
      Permalink

      Olá! Quando eu fiz essa trilha ela estava bem fechada, quase não era trilha… eu fui com um amigo que conhecia e na época eu não usava GPS. Me informei pouco tempo atrás e fiquei sabendo que agora essa trilha está aberta e quero voltar lá. Na época usamos uma corda de 40 metros no trecho final (não precisa cadeirinha) e havia outra corda fixa lá, mas não sei como está agora. A dica é perguntar por informações na pousada do Tiãozinho. Depois conta aqui pra gente! Abraços!

      Resposta
  • 24 de novembro de 2017 em 23:02
    Permalink

    POR FAVOR ALGUÉM PODE ME PASSAR O TELEFONE DA PESSOA QUE FAZ O TRANSPORTE ATÉ A ENTRADA DO PARQUE E NO FINAL DA TRILHA TAMBÉM. OBRIGADA RENILDA

    Resposta
    • 27 de novembro de 2017 em 10:46
      Permalink

      oi Renilda!

      Kombi do Gordo: (012) 99166-5289 | 99112-2598 (para chegar à portaria)
      Oséas (24) 99953-6749 | 3362-3409 (kombi ou carro para o resgate no fim da trilha)

      Resposta

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