Dicas para a travessia da Serra Fina (MG)

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A travessia da Serra Fina, entre Passa Quatro a Itamonte, no sul de Minas Gerais, é uma trilha clássica do montanhismo no Brasil. São 30 quilômetros de extensão, passando pela Pedra da Mina e pelo Pico dos Três Estados, respectivamente, 5º e 10º ponto mais alto do país. Além dessas duas espetaculares montanhas, diversas outras são alcançadas ou avistadas durantes essa trilha que é feita geralmente em 4 dias.

Confira algumas dicas e informações que vão ajudar no seu planejamento para fazer a Travessia da Serra Fina. Veja como chegar, contatos de guias e resgate e tudo mais.

Travessia da Serra Fina

Travessia da Serra Fina
Crista da Serra Fina | Foto: Lúcio Lima

Travessia da Serra Fina: como chegar em Passa Quatro

Passa Quatro está a cerca de 250 quilômetros das cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. A referência para ir é Cruzeiro (SP).

Quem vem de ônibus de São Paulo deve ir através da viação Cometa, até o destino. Quem quem vem do Rio de Janeiro, pode usar a viação Cidade do Aço até Cruzeiro e quem vem de Belo Horizonte, a viação Expresso Gardênia até São Lourenço.

De São Lourenço ou Cruzeiro a Passa Quatro (cerca de 1h de viagem), a viação Cidade do Aço oferece vários horários por dia (tel.: 35 3371-2131).

De carro a partir de Belo Horizonte o acesso é pela BR-381, entrando no trevo de Três Corações, em direção a Caxambu, até Passa Quatro.

A partir do Rio de Janeiro ou São Paulo, o acesso é pela BR-116 passando por Cruzeiro.

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A Serra Fina:

Ela faz parte da Serra da Mantiqueira, uma das mais importantes cadeias de montanhas do país. Fica entre Minas e São Paulo, nas cidades de Passa Quatro, Itanhandu, Lavrinhas e Queluz. De lá dá para ver o Parque Nacional do Itatiaia e o Pico das Agulhas Negras, que ficam na Serra de Itatiaia, além de várias outras montanhas cobiçadas pelos aventureiros.

A Serra Fina tem um dos maiores desníveis topográficos do território brasileiro entre a base da serra e o topo da Pedra da Mina, esta que é o 5º ponto culminante do país, com seus 2.798 metros de altitude. Lá também estão o Pico dos Três Estados, 2.665 metros, que ganhou esse nome obviamente porque em seu topo está o ponto tríplice (amo essa palavra!) onde se unem as divisas dos estados de MG, SP e RJ.

Outras montanhas alcançadas durante a travessia o Pico do Capim Amarelo (2.570 metros), Alto dos Ivos (2.519 metros), Pico Cabeça de Touro (2.649 metros) e Pico Cupim do Boi (2.543 metros), além do Vale do Ruah.

O motivo do nome Serra Fina: a crista tem cerca de 1 metro de largura em alguns trechos.

A travessia é considerada de nível pesado, principalmente pelo número reduzido de fontes de água em alguns trechos, o que obriga o montanhista a carregar mais peso.

Junho. Feriado de Corpus Christi. Eu já estava fazendo a mala há uma semana. Às 18h da quarta estava pronta esperando três amigos que ainda não conhecia (RS), para seguir rumo a Serra Fina.

Informações e dicas para a travessia da Serra Fina:

  1. A maioria dedica três dias e meio para a empreitada, mas conheço pessoas que fizeram em dois.
  1. A trilha é bem marcada na maioria do percurso e tem muitos totens ajudando na orientação. Mas não é recomendável ir sozinho caso não tenha experiência com navegação.
  1. Agora vamos ao fato que fez a Serra Fina ser conhecida como “temida”, ou como uma das travessias mais difíceis do país. São poucas fontes de água, obrigando quem se arrisca a atravessá-la a carregar de 4 a 5 litros de água em alguns trechos.
  1. Uma coisa que fugiu ao nosso controle, mas acabou levando ao que eu considero a melhor forma de começar a travessia, foi o atraso. Combinamos dormir na Toca do Lobo, onde a trilha começa de fato, e começar às 5h de uma quinta. Mas só chegamos na Toca, que na verdade é um buraquinho (rs), às 3 horas e decidimos começar de uma vez. Considero a melhor forma de iniciar porque evitamos uma noite de frio ao andar na madrugada, e, sem sol, economizamos água.
  1. A próxima parada é o Pico do Capim Amarelo, a 2.570 metros, que considerei pesado, não sei se por estar virada, ou se por ter que usar as cordas que estão lá muitas vezes, em uma escalaminhada que pareceu infindável.
  1. É bom evitar os feriados. Quando chegamos na área de acampamento no alto do Capim Amarelo estava lotado. Como ainda era cedo, seguimos para o acampamento Avançado e também estava lotado. Acampamos em algum lugar entre capim de 2 metros de altura e pedras, antes do acampamento Maracanã.
  1. No segundo dia, a caminho da Pedra da Mina, passa-se pela Cachoeira Vermelha, de águas enferrujadas, e, um pouco antes da base da pedra, pelo Rio Claro, de deliciosas águas geladas.
  1. Achei que a subida da Pedra da Mina foi a mais leve entre todas as montanhas desse maciço. Há um livro de cume no topo para as assinaturas de quem chega até ali. O acampamento é desprotegido e deve ser um frio do cão. Dormimos no vale logo abaixo, e combinamos de subir para ver o sol nascer, mas a neblina não deixou. Estava tudo fechado e só saímos das barracas lá pelas 8h.
Travessia da Serra Fina
Livro de Cume da Pedra da Mina

Travessia da Serra Fina

Travessia da Serra Fina

  1. É possível pegar uma trilha – do Paiolinho – até a Fazenda Serra Fina e descer após ter conquistado a Pedra da Mina (bem que podia ter uma mina de água lá no alto).
  1. Em seguida vem o famoso Vale do Ruah, onde todo mundo acha que vai se perder, mas de boa? Dá para mirar o vale no meio e o ponto de “saída” do vale lá na frente e seguir o fluxo, com cuidado para não afundar em alguns trechos.
  1. Um próximo acampamento interessante fica em um bambuzal antes do Pico dos Três Estados. O lugar é mais quente para dormir, e costuma ficar vazio visto que muitos seguem direto para o Pico dos Três Estados e têm dificuldade em conseguir espaço.
  1. Dormindo no bambuzal, é possível levantar acampamento às 3h30 e partir para o ataque ao cume, que tem muitos trechos de escalaminhada.
  1. Existe um marco de ferro no cume, representando cada um dos três estados que fazem a divisa tríplice.

O sol nasceu lindíssimo no alto do Pico dos Três Estados, e depois disso foi só descida.

Mentira. Como dizia o bordão dessa expedição, “a gente desce pra subir, e sobe pra descer”. Isso porque se passa por várias outras montanhas para se chegar ao sítio do Pierre, na BR-354 na cidade de Itamonte, onde termina a travessia. Passamos pelo Cabeça de Touro, Alto dos Ivos e outros.

Travessia da Serra Fina
Marco Pico dos Três Estados
Travessia da Serra Fina
No cume do 3 Estados

Travessia da Serra Fina

  1. O resgate estava marcado para às 15h, mas devido ao contingente, só aconteceu às 17h, e mesmo assim, buscaram nossos dois motoristas, que voltaram para nos buscar já com o carro. Então sugiro que quem for de carro fazer a travessia, vá até Itamonte e deixe no final. É melhor contratar um carro para buscar em Itamonte e levar até a Toca do Lobo. O Sítio do Pierre fica a cerca de 46 quilômetros de Passa Quatro e contratar o resgate dessa forma que estou sugerindo ajuda a evitar dependência de terceiros e espera no final, quando todos estão cansados. OBS.: O Sítio do Pierre fica a cerca de 3,5 quilômetros da Garganta do Registro, que dá acesso ao Parque Nacional do Itatiaia.
  1. Existem muitos sites de trekking e montanhismo com ótimos relados, tracklogs e informações para quem for fazer a Serra Fina. Só olhar no Google!
  1. Alguns amigos planejam fazer ao contrário: partindo do Sítio do Pierre para a Toca do Lobo. O fato é que a experiência é intensa e as pessoas acabam buscando outras maneiras diferentes de vivê-la.
  1. A travessia não é nada simples e exige muito esforço físico, mas os visuais compensam muito. Deve ser por isso que muitos montanhistas colocam essa no topo da lista quando planejam seus trekkings.
  1. Diferente de outros locais como a Serra dos Órgãos ou a Serra da Bocaina, que possuem locais de acesso mais fácil ou de carro, a Serra Fina não permite que pessoas sem prática de montanhismo tenham muitas chances de curtir. Além do mais, lá não existem abrigos. São de 2 a 4 dias isolados meeeesmo. Para alguns, esse é o ponto forte.
  1. Roupa de frio é pouco. Pela primeira vez na vida tive que abrir meu cobertor de emergência que já andava na mochila há um tempão, mesmo com dois conjuntos segunda pele e um de fleece. Mas vale ressaltar que meu saco de dormir era para conforto de 5º.
  1. Clor-in é fundamental. O pessoal usa ‘o banheiro’ onde dá na telha. Evite fazer o mesmo e informe-se sobre as práticas corretas de fazer necessidades fisiológicas em ambientes naturais.
  1. Não preciso falar que é extremamente necessário preservar o meio ambiente e não poluir ou deixar lixo na Serra Fina ou em qualquer outro lugar.
  2. Cada montanha tem seu grau de esforço e suas dificuldades. Até a Pedra da Mina, que eu não considerei difícil de subir, tem outro tipo de obstáculo, que é o frio. Mas em cada uma delas fiquei estarrecida pela beleza, pela emoção e pela superação.

 

  

Anote:

> A Serra Fina não tem controle de acesso nem é preciso solicitar autorização ou preencher ficha de inscrição.

> Quem fez nosso resgate foi o Edinho (35 99963-4108 e 3371-1660) com sua Toyota que acomoda até 8 pessoas.

> A Travessia da Serra Fina exige experiência. Anote os contatos de guias experientes da região:

 
Distâncias até Passa Quatro – MG:

441 km de Belo Horizonte – MG
266 km de Juiz de Fora – MG
264 km do Rio de Janeiro – RJ
245 km de São Paulo – SP
706 km de Vitória – ES

Travessia da Serra Fina, Passa Quatro – MG: 30 km de extensão

por Camila Coubelle

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