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Dicas para a trilha da Pedra do Peito de Pombo, em Sana (RJ)

A Pedra do Peito de Pombo é uma formação rochosa interessantíssima, localizada em Sana, distrito de Macaé no interior do Estado do Rio. O lugar é repleto de cachoeiras e ainda conta com essa trilha de 15 quilômetros de ida e volta.

Confira aqui como foi minha experiência na trilha para a Pedra do Peito de Pombo, que tem 1.400 metros de altitude, algumas dicas para quem quer fazer esse trekking, como chegar na cidade e tudo mais que você precisa saber para se aventurar nesse pico de vista incrível.

Vida sem Paredes - Pedra do Peito de Pombo, Arraial do Sana, Macaé - RJ(1)
Visão da Pedra um pouco antes de entrar na mata

Pedra do Peito de Pombo (Sana – RJ): 1400 metros de altura

A Pedra do Peito de Pombo fica na região do Arraial de Sana, 6º distrito de Macaé. O arraial faz parte de uma Unidade de Conservação da Natureza de uso sustentável, do tipo Área de Proteção Ambiental (APA) e seu nome vem do fato de que, de certos ângulos, a formação rochosa remete à figura de um pombo pousado sobre a pedra.

A trilha exige preparo e conhecimento do local, mas o esforço compensa, porque do alto dos 1.400 metros de altitude, o lugar oferece uma exuberante visão 360º das montanhas da Serra do Mar, de todo o litoral de Macaé, Rio das Ostras, Barra de São João, Búzios e Cabo Frio, além dos vilarejos do entorno do Vale do rio que dá nome ao pico.

Como chegar em Sana

Os aeroportos mais próximas para quem quer chegar ao Arraial do Sana e fazer a trilha para a Pedra do Peito de Pombo são o Aeroporto Santos Dumont e o Galeão, ambos no Rio de Janeiro. Uma boa dica é conferir se tem passagens aéreas em oferta no site Passagens Promo através desse link.

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Quem vem do Rio de Janeiro de carro deve seguir pela BR-101 em direção ao município de Casimiro de Abreu e ao chegar na Rodoviária da cidade, passar para o lado esquerdo da pista (sentido RJ) através do rodo e seguir por cerca de 20 quilômetros até o Portal do Sana (asfalto), e mais 6 quilômetros de estrada de terra até o centro do Arraial do Sana. Ao todo, são cerca de 165 quilômetros.

Quem vem de Macaé via BR-101 segue até a chegada de Casimiro de Abreu e logo após o posto de gasolina, segue para Sana no mesmo trajeto acima, em um total de 82 quilômetros.

Quem vem de São Paulo deve seguir pela Rodovia Presidente Dutra, depois Av. Brasil e Ponte Rio Niterói, tomando a BR-101 até Casimiro de Abreu e seguir o mesmo trajeto já citado. Ao todo, são cerca de 590 quilômetros.

A empresa de ônibus que liga Rio de Janeiro, Macaé e Campos à Casimiro de Abreu é a Auto Viação 1001, com vários horários ao longo do dia. A viação Kaissara liga São Paulo a Macaé e a viação Útil liga Belo Horizonte a Macaé.

A empresa Rápido Macaense liga Casimiro de Abreu ao Sana com boa oferta de ônibus saindo da rodoviária diariamente e passagem por R$ 6,90 (jan/2019). Já de Macaé, a passagem custa R$ 3,05 e funciona diariamente nos seguintes horários:

  • Saindo do Portal do Sana: 7h, 11h, 15h e 20h
  • Saindo do Frade: 6h, 9h, 13h, 18h e 21h

Onde se hospedar e onde comer em Sana – Macaé / RJ:

Sana tem diversas opções de hospedagem, com pousadinhas simpáticas e hostels, mas o que mais se encontra são campings. Confira algumas opções abaixo e consulte as ofertas da Booking.com nesse link. Reserve de de maneira rápida e segura, com opções de cancelamento gratuito e pagamento no check-in. Se reservar através dele, você garante os melhores serviços e preços e ainda ajuda a gente a continuar compartilhando as melhores dicas de viagem, sem pagar nada a mais por isso.

Quanto aos bares e restaurantes, o que posso dizer é que a maioria não funciona durante a semana. Fiquei em Sana de segunda a quarta e o único restaurante que encontrei aberto foi o da Pousada Riacho Doce. É self-service com valor de R$ 28,00 o quilo, com uma comidinha caseira bem gostosa (funciona até às 16h). Mas a cidade oferece vários bares, restaurantes e lanchonetes e se for no fim de semana, encontrará tudo aberto e mais animado.

Melhor época para visitar a Pedra do Peito de Pombo

O arraial tem um clima agradável e estações bem definidas. A melhor época para fazer trilhas no Sana é entre maio e setembro, período de estiagem das chuvas. Para curtir as cachoeiras, o verão é melhor, mas lembre-se que em qualquer possibilidade de pancadas de chuva é perigoso ficar próximo das cachoeiras e mais ainda estar no topo da pedra.

Para curtir o Sana Reggae Festival vá durante o mês de janeiro.

Preparativos para a Pedra do Peito de Pombo

É a segunda vez que parto para esse tipo de empreitada sozinha. Não por que eu goste. Ambas as vezes, as circunstancias obrigaram. Da primeira, na Serra do Caparaó, fui ao Pico do Cristal, e contei a experiência. Dessa vez, durante minha estadia em Sana, distrito de Macaé – RJ, (depois, confira o post sobre as cachoeiras super legais de lá), planejei fazer a trilha e, na falta de companhia, me vi obrigada a ir sozinha.

É claro que eu usei um tracklog confiável e ainda ouvi umas dicas (no dia anterior) com o Bola, um funcionário da Secretaria de Meio Ambiente na época, e com um guia de lá, o Zé Geraldo, que conheci por acaso na noite anterior, e com quem acabei conversando outras vezes durante os dias que fiquei em Sana.

Na noite anterior eu dormi cedo e acordei antes do previsto. Acho que ansiedade é um despertador melhor do que relógio. Saí, e tive que voltar para buscar a luva esquecida. Depois de deixar lascas da minha mão na Travessia Petrópolis-Teresópolis, na Serra da Bocaina e na Serra Fina, nunca mais esqueço de colocar, e muito menos esqueço de levar.

Trilha para a Pedra do Peito de Pombo:

7h16 base da Secretaria de Ambiente

7hh35 porteira da Cachoeira 7 Quedas

8h53 cruzei o rio

9h34 entrei na mata

10h36 alcancei o cume

11h37 iniciei a descida

12h42 cheguei de volta ao rio

12h42 Tempo de subida de 3 horas e 20 minutos

Vida sem Paredes - Pedra do Peito de Pombo (7)
É preciso atravessar o rio antes da última porteira para o pasto

Vida sem Paredes - Pedra do Peito de Pombo (5)
Visão da pedra quase no cume

No cume da Pedra do Peito de Pombo

Não parei para comer na ida e nem parei muito para descansar. Apenas o tempo de olhar alguns instantes para algum cenário bonito ou para sentir os cheiros de frutas que apareciam de repente.

Depois que encontrei uma cobra (jararaca ou jararacuçu, não sei) bem no meio da trilha comecei a andar mais devagar para ter certeza que não ia passar em cima de outra. Acho que esse é o maior perigo da trilha. Fui bem apreensiva dali para frente e só me senti aliviada naquele instante em que uma luz começa a surgir em meio à mata, e você percebe que o topo está próximo.

Eu fiquei cerca de uma hora observando, óbvio, com um sentimento enorme de gratidão, de orgulho de mim mesma, feliz por ter a chance de ver e viver coisas que muita gente não teria coragem.

Tirei a bota para sentir melhor a energia daquele paraíso particular, em comunhão com uma belíssima obra da natureza. A cadeia verde de montanhas altas ao redor te faz querer ficar ali só olhando. Essa experiência fortalece os músculos, mas também fortalece a alma. Faz você apurar mais os sentidos e entender melhor a própria intuição.

A Pedra do Peito de Pombo, com seus 1.400 metros de altitude contribuiu para mais um bocado de contato comigo mesma. Acho que é muito legal saber como vai ser minha reação, por exemplo, ao me deparar com uma situação que pode causar pânico em muitas pessoas, como a da cobra, e perceber que o autocontrole é sempre a melhor saída.

Por isso que valorizo a experiência, porque sei que o jeito como lidei com isso pode ser usado em várias outras situações na vida. Depois que comecei a fazer trekking me sinto muito mais forte e confiante, e essas duas vezes que acabei indo sozinha, meio que “forcei a barra” para extrair esses pequenos aprendizados, encontrar essas pequenas coisas positivas dentro de mim mesma. Pequenas, mas que têm um grande significado para mim.

Vida sem Paredes - Pedra do Peito de Pombo (9)
A bonita visão das montanhas ao redor
Vida sem Paredes - Pedra do Peito de Pombo (3)
No cume
Vida sem Paredes - Pedra do Peito de Pombo (8)
Mar de morros

Dicas para a trilha da Pedra do Peito de Pombo:

1. O Vale do Peito de Pombo tem regras de visitação e horário: das 8h às 18h.

2. A trilha é inicialmente leve, sem muitas subidas e decidas, e é bem marcada, mas a subida final dentro da mata é bastante íngreme.

3. Tem 7,5 Km (só ida), segundo o Zé Geraldo, que levou o pessoal para fazer a marcação na ocasião de uma corrida pelas trilhas.

4. Começa bem no centro do arraial, o mesmo lugar que dá acesso às principais cachoeiras.

5. Há placas no centro indicando a direção e tem um estacionamento antes da estrada de terra virar trilha. Também há uma lanchonete no estacionamento.

6. A base operacional da Secretaria de Ambiente funciona também como centro de informações, tem alguns exemplares de espécies da região, e é onde você pode saber mais sobre as atrações e as regras de visitação.

7. Com 20 minutos de caminhada, chega-se à porteira do último complexo de cachoeiras – 7 Quedas, do Pai e da Mãe, e até esse ponto, a trilha é movimentada.

8. Daí para frente, passa-se por algumas fazendas, com cerca de 1 hora de caminhada até o rio.

9. Em um ponto da trilha, junto a uma enorme jaqueira à direita e a um bambuzal à esquerda, a trilha bifurca, mas o caminho correto é o da direita.

10. Passa-se por 3 porteiras antes de cruzar o rio Peito do Pombo.

11. Após o rio, na última porteira, há uma placa azul alertando o risco de se perder nesse trecho.

12. Nesse pasto há algumas erosões que se confundem com a trilha, mas é preciso mirar o bambuzal lá no alto e seguir em sua direção, e depois mirar o outro bambuzal e fazer o mesmo.

13. Depois do pasto, a trilha volta a ser bem marcada, e logo entra na mata.

14. Dali para frente não há bifurcações, mas o risco é tropeçar em uma raiz ou pisar em uma cobra. É preciso ficar bem atento. A que encontrei tinha mais de 1 metro. Atenção redobrada para se apoiar em árvores e raízes e para passar por algumas árvores caídas.

15. Depois de 40 minutos a 1 hora de caminhada na mata, eis que surge a base da pedra, e ao contorna-la pela direita, dá para subir na pedra em frente ou, seguindo mais uns metros, encontrar a corda para subir na laje onde fica de fato as duas pedras que lembram um pombo.

16. Voltar é tranquilo, e quando cheguei no rio, acabei ficando ali sozinha por umas duas horas.

17. Mas atenção: na parte da tarde o tal pasto lá perto do rio fica cheio de bois, e quando eu passei as vacas me intimidaram – tinha uns 10 bezerrinhos bem pequenos, e elas defendem suas crias. Custei a tocar os bois para baixo, para mais perto do leito do rio, e quando consegui passar, encontrei com um morador de outra fazenda passando na parte alta do pasto, também fugindo das vacas.

18. Não deixe nada na trilha. Leve embora todo o lixo.

19. A recomendação da Secretaria de Ambiente é não ir desacompanhado, e afinal de contas, é melhor ter alguém para compartilhar o momento.

20. É cobrada uma taxa de acesso às cachoeiras no valor de R$10,00 (junho de 2017). O pagamento é feito perto do estacionamento e uma pulseira é colocada no braço dos visitantes. Lembre-se que muitas cachoeiras ficam no mesmo acesso ao Peito de Pombo, mas se for só para a trilha, não precisa pagar a taxa. A taxa de estacionamento é de R$10,00, caso vá de carro, mas não precisa.

A viagem para o exterior reflete outra jornada: para o interior de nós mesmos.

Vida sem Paredes - Pedra do Peito de Pombo (6)
No cume

Telefones Úteis

  • Base Operacional da Secretaria de Ambiente e Defesa Civil Sana: (22) 2793-2760
  • Guia Zé Geraldo: (22) 98825-6917

Distâncias até Sana:
585 Km de Belo Horizonte – MG
283 Km de Juiz de Fora – MG
77 Km de Macaé – RJ
61 Km de Nova Friburgo – RJ
158 Km do Rio de Janeiro – RJ
580 Km de São Paulo – SP
409 Km de Vitória – ES

Pedra do Peito de Pombo em Sana, Macaé – RJ: 1.400 m. de altitude

por Camila Coubelle

 
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Um blog sobre descobertas e viagens, ou vice-versa. Aqui você encontra muitas dicas, roteiros, guias de destinos incríveis pelo mundo. A gente divide nossas experiências para inspirar as suas.

19 COMENTÁRIOS

  1. Adoreiii seu post … consegui visualizar todo seu percurso… sensacional… queria saber se há abriu agora em tempos de pandemia. Mandei mensagem pro seu guia. Bjs

  2. Olá , gostaria de fazer essa trilha, mas queria saber , tem parte que tem escalada a beira de abismo ou algo do tipo? Pergunto pq já fiz várias trilhas longas e cansativas, sem problema, mas meu problema real é com altura. Não de estar em um lugar alto , mas de ter q escalar algo, uma pedra q seja rente a alguma queda / abismo, entendeu. Essa trilha tem isso ou é só caminhada msm e subida por dentro da mata ???

    • Oi Rodrigo, tudo bem? Não tem, pode ficar tranquilo! Depois desse último trecho dentro da mata você chegará no cume, e dá para ficar por ali. Só se você quiser circular ali em cima, talvez seja preciso passar em trechos perto de abismos, mas não é necessário. Boa trilha!

  3. Nossa, PARABÉNS pelo seu relato! Consegui imaginar como se estivesse lá. Suas observações e reflexões foram de grande valia. Essa sensação de chegar ao cume é de fato muito gratificante e nos fortalece de verdade. Só quem passa sabe! Parabéns novamente, pelos detalhes descritos e pela coragem de seguir sozinha! ?????????? pra vc! Abraços

  4. Que massa ler esse relato!
    Estava muito em dúvida se eu e meu marido conseguiríamos fazer a trilha sem guia (viajamos o Brasil de kombi, então cada centavo economizado ajuda mto haha).
    Suas dicas vão nos ajudar bastante :))

  5. Sou morador de Barra de São João, 2° distrito de Casimiro de Abreu, e achei muito boa a explicação, contou com bastante detalhes de como chegar até o Sana.
    Mas gostaria de atualizar algumas informações para os muchileiros.
    O ônibus da SIT que custa R$ 1 real, agora só os moradores de Macaé que pagam esse valor, onde os moradores tem o seu cartão de ônibus do município. Agora quem não é morador de Macaé, paga R$ 3,05 na passagem.
    Ja os ônibus da rápido macaense (auto viação 1001) estão com os seguintes horários e valores: Rodoviária de Casimiro de Abreu x Sana:

    Casimiro de Abreu X Sana: R$6,90
    Casimiro de Abreu X Portal do Sana: R$4,10
    Portal do Sana x Sana: R$3,90

    Seg a Sex
    6h às 8h 60 em 60 min
    8h às 19h30 90 em 90 min
    Último horário 19h30

    Sábado
    6h às 8h 60 em 60 min
    8h às 19h30 90 em 90 min
    Último horário 19h30

    Domingo/Feriado
    6h às 8h 60 em 60 min
    8h às 19h30 90 em 90 min
    Último horário 19h30

  6. Adorei seu relato, tbm me sinto super bem fazendo trilhas sozinha, e qdo se chega no cume bate uma felicidade! A gte se sente uma super mulher por ter encarado todo o percurso sem companhia, somente a nossa própria, vários desafios e enfrentando medos. Parabéns!

  7. […] A subida não é leve, mas o visual é compensador: do alto dos 1.400 metros de altitude, a pedra que parece colocada à mão, formando uma boneca russa da natureza, e lembrando um pombo pousado, oferece uma exuberante visão 360º das montanhas da Serra do Mar, do litoral e dos vilarejos do entorno do Vale do rio que dá nome ao pico. Confira o relato da minha subida aqui. […]

  8. o que voce fez quando encontrou a cobra? já me deparei com uma em minha última trilha. No meu caso ela pulou para o lado e foi meio que me cercando, fui embora com medo rss

    • Oi Kadu! Como eu estava bem atenta parei a um metro dela, e como o trecho da trilha tinha espaço suficiente, cheguei lentamente para o lado e passei, também a um metro de distância dela. Ela nem se mexeu, acho que ela não pode se assustar, rs, então, sem movimentos bruscos. Boa sorte!

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