• Pacotes para Trilha Inca Machupicchu e Trilha Salkantay

Trekking na Trilha Salkantay: relato dia a dia

 

Durante cada dia da trilha Salkantay, nossos olhos se deparam com paisagens únicas. As atrações vão de um extremo ao outro nesse que é um dos trekkings mais famosos do Peru e de toda a América do Sul. Contratamos a trilha de 5 dias e 4 noites que nos levaria para Machu Picchu por cima das montanhas geladas cheias de belezas surpreendentes, em uma experiência incrível do nosso mochilão.

Em Mollepata, a 2.800 metros de altitude, uma cidadezinha simpática que ainda conserva o clima colonial, onde paramos para comprar café da manhã e pesar as mochilas (só é permitido levar 5 kg por pessoa), começamos o trekking pelos vales salpicados de casinhas de famílias quéchuas.

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Relato de cada dia da Trilha Salkantay:

Dia 1: De Mollepata a Soraypampa

A subida já se revela atrevida logo que começamos. Carlos, nosso guia, apontava as curvas da cordilheira, os cumes e tudo que nossos olhares perdiam naquela abundância de retratos-paisagem. Fechando a fila do nosso grupo de 14 pessoas de 8 nacionalidades, Ciro, o guia auxiliar. Nós brasileiros reinávamos: além de Nange e eu, havia o casal super gente boa Rafael e Rafaela.

A primeira subida era de tirar o fôlego. Pela colina Ch´Allacancha, nosso destino era o povoado de Soraypampa, local do primeiro acampamento, almoço, lanche e jantar. Sim, a comida era excelente e farta! Depois da longa subida, paramos em um quiosque com alguns bancos, onde uma menina oferecia biscoitos e garrafas d’água.

Ali, diante de vales profundos, beliscamos alguns lanches e seguimos beirando um curso d’água por um longo tempo. No horizonte, as montanhas verdes se destacavam nesse dia cinzento. Eram duas e meia da tarde quando terminamos os onze quilômetros do primeiro dia, mas ele não acabava aí. Começou a chover, mas depois do almoço, nosso plano era subir mais dois quilômetros e meio rumo a laguna sagrada de Umantay, entre os nevados de Umantay e Salkantay. O almoço foi capaz de reabastecer todas as energias. Depois da sopa de legumes, servida em uma cumbuca, entraram as bandejas fartas, sempre com arroz, salada, carne e pratos locais. De sobremesa, um chá de menta, bom para a digestão, como dizia nosso cozinheiro.

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A Laguna Umantay

A subida até a laguna é ainda mais pesada e não dá uma trégua. Em todo o trajeto, avistamos a geleira lá no topo, cintilante e reluzente. Passamos por um riacho que deságua junto com outros tantos no rio lá embaixo. Quando a trilha fica mais plana, a laguna desponta. Linda, de um azul celestial único! Emoldurado pelo gelo que a forma e cheia de pedras ao redor, parece um cenário de filme. Ficamos ali uma hora, admirando.

De volta ao acampamento, a chuva estava mais forte e era uma ótima desculpa para descansar nas barracas até a hora do lanche da tarde – chá com biscoito – e a hora do jantar, igualmente farto e delicioso. Sem banho nesse dia, fomos dormir para fugir do frio e do vento que sacudia o lado de fora. Foi a noite mais fria da trilha, mas só sei disso porque acordei para ir ao banheiro durante a madrugada. Minhas roupas e o saco de dormir deram conta da temperatura gelada a 3.800 metros de altitude. O dia seguinte era o mais aguardado.

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Dia 2: De Soraypampa a Colpapampa

Com o dia ainda escuro, Rafael, nosso cozinheiro, um senhor baixinho que apelidamos carinhosamente de “nosso inca”, veio nos acordar com um chá bem quente. A caminhada mais forte nos esperava. Depois do café reforçado, saímos pisando aquele chão de pedras, ao lado do rio revoltado e acompanhados pelo som de geleiras caindo em algum lugar. A subida parecia interminável, mas o cume é como um imã a nos atrair. O dia continuava encoberto e era impossível ver as geleiras ao redor, apenas ouvi-las tentando nos assustar. Fizemos uma parada antes de encarar a última e pior parte da subida. Não sei se todo mundo é assim, mas quando eu começo a avistar o topo, ganho uma força inexplicável. Dava para a ver a famosa placa que tinha visto em tantas fotos na internet. O ponto culminante da trilha Salkantay, a 4.650 metros de altitude, é exatamente o ponto de passagem do nevado Salkantay para o Umantay. É o ponto mais alto que já estive na vida chegando por uma trilha. Entre as nuvens, em alguns relances, era possível ver os nevados rapidamente. Os mesmos que congelavam o ar que respirávamos. A cada colega que chegava, uma comemoração. Eram onze da manhã e era difícil se despedir.

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A descida do cume da Trilha Salkantay

A ilusão era de que agora seria fácil descer, mas ainda resta muitos quilômetros desse dia longo, com seus 22 mil metros de caminhada, a maioria debaixo de chuva. Pois é, adiamos nosso mochilão de março para abril para fugir do período chuvoso, mas pegamos chuvas em todos os dias da trilha Salkantay, incluindo o último, em Machu Picchu. Com chuva a gente acaba prestando menos atenção nas belezas, já que ficamos ansiosos para nos livramos dela. Quando avistamos uma cabana, entramos e esperamos, por cerca de 1 hora até os últimos chegarem e o guia avisar que ainda faltava um pouco para o local do almoço. Pé na estrada e nada de trégua da chuva. Que bom que o nosso cozinheiro nos recebia sempre com um chá quente. Adquiri um hábito de tomar chás depois que voltei de lá. O local do almoço, um barracão de madeira no meio do nada nos protegia do vento e do frio que ficou mais intenso por causa da chuva. A vontade era comer um balde de sopa, mas as cumbucas vinham servidas da cozinha, ao contrário do almoço, que era servido em bandejas e nós mesmos pegávamos o quanto muito que queríamos.

Depois de mais algumas horas de caminhada na chuva, no fim da tarde chegamos ao local de acampamento em Colpapampa, a 2.950 metros de altitude, que parecia um pequeno sítio, tinha uma pequena venda, e chuveiro quente! Pagamos 10 soles (abril de 2016) por um banho de 10 minutos. O local tinha uma estrutura de madeira e nossas barracas estavam montadas no segundo andar. A parte boa é que não era preciso “sair no sereno” para ir ao banheiro. Ali não tinha atrativos próximos, como a laguna do primeiro acampamento, mas tinha cerveja e o pessoal aproveitou.

Dia 3: De Colpapampa a Santa Teresa

No início do terceiro dia da trilha Salkantay o café se superou: panquecas com doce de leite! Depois de vários dias de mochilão na Bolívia e no Peru, eu já tinha até me acostumado com aquele pão achatado e seco, mas a panqueca é igualzinha a que conhecemos no Brasil. Nos despedimos do carregador nesse momento e os guias passam uma touca para darmos gorjetas para ele, que seguiria até o local do acampamento, montaria as barracas e retornaria para casa.

Partimos sem chuva, mas ela veio dar o ar da graça ainda durante a manhã. A caminhada não tem muitos aclives e declives nesse dia e de repente a gente entra na chamada Amazônia peruana. O clima muda completamente, como se passássemos em um portal. A aridez e as pedras dão lugar a uma floresta densa e os rios ficam mais abundantes. Em várias partes da trilha, tivemos que atravessar alguns cursos de água, outros nos seguiam ao lado e lá embaixo. Agora, a água nos bate nos joelhos. Mas está tudo bem. A essa altura o sol que foi ficando cada vez mais quente já secou a umidade da chuva e atravessar o rio é gratificante. As plantações de café e coca e as árvores frutíferas começam a aparecer: bananas (plátano), laranjas (mandarinas) e maracujás. Esses últimos, apreciadíssimos pelos europeus que estavam no nosso grupo, mas pegávamos todas as frutas ao alcance das mãos, fazendo desse trecho de 10 quilômetros extremamente agradável.

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Quando chegamos ao local do almoço o sol era escaldante a ponto de virarmos uma Cusqueña gelada. Nesse dia, tivemos o autêntico ceviche peruano. Ali, 3 colegas se despediram de nós e pegaram uma van até Aguas Calientes (tudo combinado antes), pois a trilha deles era de 4 dias e 3 noites, sendo que o último dia é o tour em Machu Picchu. O guia auxiliar também se despede. Dali, nós pegamos uma van até Santa Teresa, e foi nesse caminho que presenciamos uma cena curiosa. Devido às chuvas, um trecho da estrada caiu barranco abaixo, abrindo um buraco na estrada e deixando o trajeto fechado. Chamaram um trator para alargar esse trecho, pegando uma parte de uma plantação que ficava na beirada e algumas senhoras, provavelmente as donas, estavam abraçadas às bananeiras, impedindo o trator de abrir caminho. A cena era triste, mas a situação era engraçada. Pena não saber o final da história: nosso guia foi muito ágil e contatou outra van, que veio do outro lado da estrada para nos pegar. Descemos as mochilas e atravessamos a cratera caída para entrar na van que chegou em minutos: alguns chamam de perrengue, eu chamo de uma dose de aventura.

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Chegamos no meio da tarde ao destino – Santa Teresa – a tempo de ir para as águas termais. Engraçado que o povoado tem várias lojinhas que alugam roupa de banho e a gente ficou se perguntando quem faz isso. Pagamos 10 soles para a van que leva e busca, mais 5 soles (abril de 2016) para entrar no clube. São quatro piscinas de águas aquecidas naturalmente pela atividade vulcânica e quanto mais perto de onde a água sai, mais quente. E foi ali que eu fiquei, direto na fonte, me escaldando por cerca de uma hora. Há um restaurante lá e percebemos a presença de muitos locais, que entram noite adentro já que as águas são um convite.

De volta ao acampamento, que na verdade, ficava em um terraço de um prédio de dois andares, aproveitamos o jantar e esticamos a noite em volta de uma fogueira, com direito a música, aula de forró para alguns colegas, algumas Inka Tequilas – a cachaça local – e a uma noite tranquila de sono.



Dia 4: De Santa Teresa a Aguas Calientes

O delicioso café da manhã fez a despedida do nosso cozinheiro ser sentida com mais pesar. Reunimos gorjetas para ele também e Nange e eu saímos com a van que nos buscou para a tirolesa em Santa Teresa. Por 70 soles (abril de 2016), nós contratamos a aventura à parte na mesma agência em Cusco em que contratamos a trilha Salkantay. E adoramos! Tem um post especial sobre a experiência nesse link aqui no Vida sem Paredes.

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Nossos colegas partiram caminhando em uma linda manhã ensolarada e, ao fim da tirolesa, nós duas fomos levadas de van ao encontro deles na hidrelétrica. Nesse dia, todos precisam levar as mochilas cargueiras além da mochila de ataque que nos acompanhou chuva a chuva.

Muitos grupos almoçavam no local, mas nosso lugar estava guardado na mesa dos nossos colegas. Há restaurantes ali – por isso a dispensa do nosso cozinheiro – e muitos chegam de van para ir a pé a partir da hidrelétrica até Aguas Calientes. No povoado há campings também e vimos muitos turistas que passaram alguns dias por ali. Nós seguimos por 11 quilômetros ao lado da linha do trem em uma caminhada de cerca de duas horas, e é claro, choveu. Só paramos para avistar as montanhas que cercam Machu Picchu. Chegamos a Aguas Calientes (a 2.250 metros de altitude) sem chuva por volta das 15h30.

 

Em Aguas Calientes

Às 16h já estávamos tomando banho no hostel, mas sem a menor vontade de descansar. Perambulamos pelas ruas apertadas, compramos frutas, biscoito e água para o dia seguinte, e “exploramos” o centro totalmente turístico da cidade-base para Machu Picchu. Carlos, nosso guia, combinou com todos às 18h30 na porta do hostel que ficava em uma subida atrás da praça principal. Seguimos para o restaurante e ele ainda nos mostrou alguns pontos da cidade, mostrou a estação do trem onde embarcaríamos no dia seguinte após o tour em Machu Picchu e deu todas as instruções do último dia enquanto aguardávamos o jantar. Para ser sincera, não foi melhor que a comida preparada pelo nosso cozinheiro solo nos três dias anteriores, mas a vantagem é que o restaurante tinha doble de Pisco Sour, um drink local que eu experimentei em todas as cidades que passamos (rs). Após o jantar, ele distribuiu as entradas de Machu Picchu (exceto para nós, que compramos pelo site antes de ir), nos entregou os kits de café da manhã e os bilhetes do trem. Quanto mais tarde o trem, mais barato era o pacote da trilha e optamos pelo horário de 21h30, o que nos garantiu um preço excelente para o pacote: 575 soles por pessoa, sem o ingresso de Machu Picchu. Para o dia seguinte, nosso plano era jantar em Aguas Calientes mesmo e ficar no restaurante aguardando o horário do trem, já que nossas mochilas ficariam no hostel. A viagem levaria 1h45 até Ollantaytambo, onde uma van nos esperararia para mais 2h de viagem de volta a Cusco.

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[ DICA ]

Vale a pena conferir depois o post com tudo que você precisa saber para contratar a Trilha Salkantay, comprar o ingresso para Machu Picchu pelo site e o que levar para esse trekking, que é considerado um dos mais incríveis em toda a América do Sul.

 

Depois de mais alguns Piscos, Carlos disse que nos esperaria na entrada da cidade perdida dos incas às 6h do quinto e último dia da Trilha Salkantay para um tour guiado com duração de duas horas. Ele recomendou que saíssemos no máximo às 4 e meia do hostel para caminhar até a entrada de Aguas Calientes, onde está o portão para Machu Picchu, que se abre às 5h e subir até a entrada da cidade pelos inúmeros degraus montanha acima.

 

Dia 5: Machu Picchu

A Trilha Salkantay termina com uma visita guiada na cidade perdida dos incas, Machu Picchu. O sítio arqueológico é um dos atrativos mais procurados do mundo, é Patrimônio Mundial da Unesco e uma das 7 maravilhas do mundo moderno. O lugar é impressionante e de tem uma energia incrível. Contamos como foi a visita aqui e organizamos algumas dicas práticas nesse post.

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Machu Picchu pequenininha vista de Intipunku (Puerta del Sol)

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Nós com o guia Carlos

A última noite foi de expectativas. Depois de dar notícias ao mundo, já que encontramos o primeiro sinal wi-fi de toda a trilha, só conseguimos dormir porque o cansaço vencia a batalha contra a ansiedade. Machu Picchu nos aguardava. Era o “ponto culminante” da nossa experiência na Trilha Salkantay.


> Onde se hospedar em Cusco
 
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Trilha Salkantay, Cusco – Peru: cerca de 74 km de distância | de 2.250 a 4.650 m. de altitude

Data da viagem: abril de 2016

Por Camila Coubelle

Sobre Vida sem Paredes

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5 Comments

  1. Olá gente!
    Primeiramente parabenizo pelo trabalho que fiz em ajudar aos brasileiros que desejem conhecer Machu Picchu, quem escreve é um amante da cultura brasileira e graças a deus já teve a sorte de morar no Brasil por um bom tempo, agora voltei ao Peru – Cusco para mostrar a todos os brasileiros que desejem conhecer a terra dos incas.
    Se alguém deseja algumas dicas e recomendações pra a sua viagem, será tudo um prazer ajuda-los em realizar o sonho de conhecer Machu Picchu Cusco, Lima, Lago titicaca, Arequipa, Nazca, Paracas, Puno, Trujillo e outros destinos que ainda não foram explorados pelo brasileiros.

  2. Com qual empresa você fechou o pacote da trilha e qual valor?

    • Olá! Fizemos com uma chamada Machu Picchu Round Trip Travel, que fica na Plaza de Armas e pagamos 575 soles por pessoa sem o ingresso de Machu Picchu (que compramos antes de ir pelo site). 😉

  3. Olá! O site de vocês é muito legal! Parabéns!
    Uma dúvida: no dia que eu vou, só tem ingresso para o Huyana Picchu das 7 às 8AM. Não fica apertado para completar o tour guiado? Não queria perder informações. 🙁

    • Oi Leandro! Independente do horário que vc comprar, o tour guiado irá acabar às 8h, e esse é o horário limite para entrar em Huayna Picchu caso compre para o 1º horário. Então vc não vai perder nada. Sugiro combinar com o guia, pq ele pode deixar para terminar o tour no portão que vc tem que entrar, daí facilita. PS.: entre 7h55, por garantia! Abraços

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