Dicas para o trekking no vulcão Villarrica em Pucón, sul do Chile

 

Assim que chegamos à base do vulcão Villarrica eu entendi porque essa é a experiência mais procurada por quem visita a pacata cidade de Pucón, no sul do Chile. Sua imponência e beleza junto com seu cume coberto de neve dão um frio na barriga que só passa no dia seguinte.  Ele é nada mais, nada menos do que o vulcão mais ativo da América do Sul.

Com 2.847 metros de altitude e localizado na mística Cordilheira dos Andes, esse é um dos cartões-postais da região da Araucanía, cerca de 780 quilômetros de Santiago. Do cume temos uma vista panorâmica 360º extraordinária da região e avistamos os vulcões Llaima, Quetrupillán, Lanín, Lonquimay, além dos lagos Caburgua e Villarrica, Calafquen e Huilapilun.

O trekking é pesado, o passeio vai das 6 da manhã às 17 horas, e é obrigatório contratar um guia certificado com antecedência.

Nós fomos com a agência Sur Explora, que oferece o pacote completo, com transfer até o Parque Nacional Villarrica, ingresso, guia bilíngue, e toda a roupa e equipamentos para neve, incluindo bota, mochila, máscara e tudo mais. É a única agência de turismo inclusivo em Pucón, que tem uma filosofia super bacana e acredita que todo mundo pode viver experiências como essa. Esse é um detalhe que faz toda diferença quando você precisa daquele incentivo na subida.

Se você pretende enfrentar o desafio e quer ver um pouquinho de fumaça na cratera, esse é um dos poucos lugares do mundo onde é possível fazer isso de perto. Confira como foi nossa subida ao vulcão Villarrica, como funciona o tour, aproveite as dicas e veja como contratar o melhor passeio de Pucón.

Dicas para o trekking no vulcão Villarrica em Pucón, sul do Chile

No cume do vulcão Villarrica, Pucón, sul do Chile

Dicas para o trekking no vulcão Villarrica em Pucón, sul do Chile

Parte da subida na neve

Dicas para o trekking no vulcão Villarrica em Pucón, sul do Chile

São 5 horas de subida no total

 

DICA: brasileiros não precisam de passaporte para viajar ao Chile. Basta o RG atualizado (emitido há menos de 10 anos).

 

Melhor época para a subida ao vulcão Villarrica, em Pucón

 

As melhores condições climáticas são as do verão, de novembro a abril, quando acontece a temporada de trekkings na região. É possível subir o vulcão Villarrica durante o ano todo, mas fora desse período as chances de cancelamento por tempo ruim são maiores.

Além disso, no verão há menos neve e fica mais fácil caminhar, e o teleférico só funciona nessa estação. Ele poupa pelo menos 1 hora e meia de caminhada (entenda mais abaixo).
A última erupção do vulcão Villarrica foi em 2015, mas a visita turística é liberada e regulamentada para que aconteça de forma segura, já que as atividades vulcânicas são monitoradas o tempo todo.

 

Dicas para o trekking no vulcão Villarrica

 

  1. Quantos dias ficar em Pucón?

 

Antes de programar o passeio no vulcão, saiba que a região tem chuvas constantes. Dependendo das condições climáticas – ou das atividades vulcânicas – será preciso esperar uma janela de tempo bom para subir. A dica é dedicar alguns dias extras depois do dia que pretende chegar ao cume do vulcão Villarrica. Assim, se tiver que ser adiado, você ainda tem tempo. Deixe também um dia antes, porque é preciso estar bem descansado. A cidade é um destino incrível para o turismo de aventura e tem muitas atrações e atividades para ocupar até 7 dias ou mais.

Nós fomos em fevereiro e nosso trekking estava marcado para a terça, mas devido ao tempo, teve que ser adiado para quarta, dia em que a gente iria embora à noite. Tivemos sorte, pois a próxima janela de tempo seria na sexta, e teria sido impossível esperar.

 

  1. Como contratar?

 

No centrinho de Pucón há diversas agências oferecendo vários tours e atividades na região, inclusive a subida ao vulcão Villarrica. Os preços variam entre 90.000 e 100.000 pesos chilenos (R$450,00 a R$500,00 fev/2018).

Nós pesquisamos antes de viajar para o Chile e depois de ver as avaliações, decidimos subir com Sur Explora, que oferece o equipamento técnico completo, tudo novinho e com manutenção constante.

Mas o grande diferencial da Sur Explora é seu tratamento humanizado, baseado no respeito às diferenças. Atletas de alto rendimento ou sedentários, pessoas com deficiência, inexperientes, famílias… todos são bem-vindos lá!

Como eles também oferecem todos os passeios e tours na região, a dica é tentar conseguir um desconto em pacotes.

Eles atendem via e-mail ou WhatsApp +56 9 6122 6600 e você pode falar em português. Procure reservar antes e, assim que chegar na cidade, vá até a agência para completar a ficha de inscrição, efetuar o pagamento, testar o equipamento e agendar o dia certo para a subida. Ao provar as roupas, leve em conta as que estará usando por baixo.

Lembre-se que se as condições climáticas estiverem ruins, nenhuma agência sobe.

A Sur Explora fica na Calle Urrutia 436, a 5 minutos dos terminais de ônibus.

 

Agência Sur Explora - Trekking Vulcão Villarrica - Chile

Agência Sur Explora - Trekking Vulcão Villarrica - Chile

Agência Sur Explora – Pucón

Agência Sur Explora - Trekking Vulcão Villarrica - Chile

Equipamentos novos e com manutenção constante

 

O que a agência fornece?

 

  • Mochila
  • Capacete
  • 2 luvas, uma mais leve para o início, e uma impermeável para a neve
  • Calça e jaqueta impermeável
  • Bota para neve
  • Crampons para a bota
  • Piolet – ou picareta – fundamental para a segurança em caso de escorregão
  • Máscara de gás para cume (por causa do enxofre)
  • “Prancha” para a descida de “skybunda”
  • Transfer ida e volta
  • Seguro contra acidente
  • Ingresso de entrada no Parque Nacional Villarrica
  • Guiamento sob o conceito de turismo inclusivo

 

O que levar para a subida ao vulcão Villarrica?

 

  • Use calça flexível, uma blusa respirável e um fleece para esquentar
  • Óculos de sol são imprescindíveis
  • 2 meias respiráveis para trekking
  • Lanche (nós levamos 2 sanduíches para cada, 1 chocolate, 1 iogurte, 1 biscoito)
  • Pelo menos 2 litros de água (nós também levamos um Gatorade)
  • Protetor solar para a pele e para os lábios

Lembre-se que é você quem vai carregar todo o material da mochila – os seus e os oferecidos pela agência.

 

Como funciona o trekking no vulcão Villarrica:

 

No dia anterior, compre itens para um café bem reforçado (os mercados de Pucón funcionam até tarde) porque você vai sair antes do café do hotel ou hostel. A van busca cada um às 6h e leva o grupo para a agência para pegar o material. Aproveite para ir ao banheiro lá, pois a única outra opção será na base do vulcão.
São cerca de 40 minutos até o Parque Nacional Villarrica, onde está o vulcão.

Uma vez na base do Villarrica já temos uma vista incrível do lago de mesmo nome. Do estacionamento ao teleférico do parque são menos de 1km de subida.

A opção de subir no teleférico é independente da agência, ou seja, é opcional e você pagará o ingresso ao monitor do parque. O teleférico é daqueles que você sobe e desce com ele em movimento – acho bem doido, mas faz parte da aventura. Só funciona para a subida e só durante o verão. Custa 10.000 pesos chilenos (cerca de R$50,00 fev/2018).

Vale a pena porque poupa pelo menos 1 hora e meia de caminhada. No meu grupo todos escolheram usar o teleférico, mas caso haja necessidade, o grupo se divide. As agências utilizam 1 guia a cada 3 pessoas. Nosso grupo tinha 5 guias, todos com certificação nacional e internacional, e eles nos incentivavam o tempo todo. Como a subida é sempre íngreme, ou seja, são 5 horas subindo, o trekking é pesado, e o apoio deles fez diferença. Sem falar que o Erick, dono da agência Sur Explora e líder da expedição é um montanhista apaixonado pelo que faz, que contagia a todos. Foi ótimo trocar figurinhas com ele e até o convidamos para conhecer as montanhas do Brasil.

Dicas para o trekking no vulcão Villarrica em Pucón, sul do Chile

Preparação para começar

Dicas para o trekking no vulcão Villarrica em Pucón, sul do Chile

Subida com o teleférico

 

Começando a subir o Villarrica

 

A primeira parte da subida é em terreno arenoso e pedregoso, e a irregularidade dificulta. A recompensa é ver várias rochas vulcânicas.

Sempre caminhamos 1 hora e em seguida, paramos no máximo 10 minutos. Nesses descansos você poderá fazer fotos, mas não se esqueça de comer e se hidratar.
Por questões de segurança, é preciso chegar ao cume até às 13h30. E a descida leva cerca de 2 horas. É mais rápida porque descemos de “skibunda”, escorregando pelos “tobogãs” na neve.

Depois dessa subida íngreme chegamos na parte de neve. Os guias colocam os crampons nas botas de todos e dão uma pequena aula de como caminhar e de como usar o piolet. Tem até “prova” para que eles se certifiquem de que você entendeu tudo e está fazendo direito.

Aí começa a segunda parte da subida, na neve, em um eterno ziguezague, de modo que a gente anda uma distância maior, mas menos íngreme. Acho que esse foi o melhor trecho. Além de ser mais bonito, se você entendeu o lance dos crampons, é mais fácil do que o caminho cheio de pedras. Nesse trecho é obrigatório o uso de óculos de sol com proteção UV.

Dicas para o trekking no vulcão Villarrica em Pucón, sul do Chile

Parte da subida na neve

Dicas para o trekking no vulcão Villarrica em Pucón, sul do Chile

Uma das paradas para descanso

Dicas para o trekking no vulcão Villarrica em Pucón, sul do Chile

Ganhando fôlego para a última parte da subida

Dicas para o trekking no vulcão Villarrica em Pucón, sul do Chile

Última parte da subida: sem mochilas e com máscara

 

Rumo ao cume do vulcão Villarrica!

 

Quando chegamos no fim da neve, todos tiram os crampons, penduram a máscara no pescoço e seguem por mais uns 30 minutos até o cume. O terreno volta a ser de areia e pedras, mas com um pouco de neve também. Nesse trecho já dá para sentir o cheiro de enxofre, mas cada um coloca a máscara quando sente necessidade. E as mochilas ficam lá embaixo esperando.

A sensação de chegar na cratera do vulcão Villarrica é diferente de tudo. Confesso que fiquei meio sem palavras na hora. O visual lá é sensacional e dá para ver vários lagos e outros vulcões ao redor. A fumaça saindo da cratera dá a sensação de estarmos em um filme.

O sentimento é de superação, de conquista…  Desafiamos a montanha, a mente e o corpo e a plenitude que sentimos nesse momento é indescritível.

Por questões de segurança, não é possível ficar mais do que 5 minutos no cume, mas cada segundo lá cima pareceu uma eternidade.

Dicas para o trekking no vulcão Villarrica em Pucón, sul do Chile

Cume do vulcão Villarrica, com 2.847 metros de altitude

Dicas para o trekking no vulcão Villarrica em Pucón, sul do Chile

Galera celebrando no cume

Dicas para o trekking no vulcão Villarrica em Pucón, sul do Chile

Erick, líder da expedição e dono da Sur Explora, monitora o grupo o tempo todo

Dicas para o trekking no vulcão Villarrica em Pucón, sul do Chile

Começando a descida

 

Skybunda: como é a descida do vulcão Villarrica?

 

Depois de voltar até o ponto onde estão as mochilas, nos preparamos para a descida de “skibunda”.  Novamente os guias explicam como funciona. Utilizamos uma “prancha” para sentar, e é preciso frear com o posicionamento correto dos pés e com o piolet.
A primeira descida é bastante íngreme e em velocidade. Foi assustador! Eu desci igual um carro desgovernado e custei a conseguir aplicar tudo que explicaram sobre como frear. Depois fui pegando o jeito e o negócio virou brincadeira. Foi 1 hora de descida de skibunda e eu nem vi passar. Com a Nange aconteceu a mesma coisa.
Depois dessa parte na neve, voltamos à trilha cheia de pedras por mais 1 hora até a van.

De volta à sede da Sur Explora, o grupo é convidado a um brinde, para celebrar essa experiência única e desafiadora. Depois dessa, já estamos planejando nosso próximo vulcão. Mas o Villarrica ficará marcado para sempre!

Dicas para o trekking no vulcão Villarrica em Pucón, sul do Chile

Skybunda na descida do Villarrica

Dicas para o trekking no vulcão Villarrica em Pucón, sul do Chile

O tempo de descida de skybunda é de uma hora

Dicas para o trekking no vulcão Villarrica em Pucón, sul do Chile

De volta à agência, um brinde para celebrar!

 

Dê o play no nosso vídeo para sentir a vibe da aventura:

 

 

CURIOSIDADE: O nome indígena mapuche do vulcão Villarrica é Rucapillan, que significa “Casa de los Espíritos”.

 

S E R V I Ç O

Agência Sur Explora

 

Agência Sur Explora - Trekking Vulcão Villarrica - Chile

 

Como chegar em Pucón

 

A melhor escolha para quem está viajando pelo Chile é ir de Santiago para Pucón de ônibus. São cerca de 780 quilômetros, mais ou menos 10 horas de viagem. Dá para ir de noite, os ônibus são confortáveis e saem do Terminal Sur.

As empresas que prestam o serviço são Tur Bus, Pullman e JAC e os valores ficam entre 25.000 e 35.000 pesos (entre R$125,00 e R$175,00 fev/2018). Varia de acordo com o tipo de ônibus – se é leito ou semileito, e o dia da semana.

Nós fomos para Pucón a partir de San Fernando, no Vale do Colchagua. Como essa cidade já está mais ao sul de Santiago, a distância foi menor: 650 quilômetros. Pagamos 25.000 mil no ônibus da Tur Bus. Na volta, pagamos 32.000 para Santiago, mas tinha opção de ônibus direto para Valparaíso por 28.000 pesos (só não tinha mais passagem hahaha).

Os terminais de Pucón são muito concorridos. A dica é comprar a volta assim que chegar na cidade, ou comprar pela internet.

Temuco e Valdívia são as cidade mais próximas de Pucón que têm aeroporto, há 100 e 150 quilômetros respectivamente. Ambas oferecem ônibus para Pucón.

 

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Dicas para o trekking no vulcão Villarrica em Pucón, sul do Chile
Data da viagem: fevereiro de 2018

por Camila Coubelle


> A agência Sur Explora foi parceira do Vida sem Paredes nesse tour, mas esse post é totalmente isento e reflete a nossa experiência real e sincera com o serviço. Escolhemos nossos parceiros com muita cautela. Conte sempre com as dicas testadas e aprovadas por nós!

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8 Comments

  1. Gente… que maravilhoso! Deve ser muito emocionante! Deixa só te perguntar uma coisa: voces se preparam fisicamente antes de ir?

    • É emocionante mesmo Camila! A gente não se preparou especificamente para isso pq já fazemos atividades físicas, assim como outros passeios do tipo. Mas para quem não se exercita constantemente, tem que haver uma preparação sim!

  2. Nossa, que experiência única. Nós fomos a Pucon já fazem uns 10 anos e nossa caçula era pequena, acabamos não fazendo nada parecido com este passeio. Mas olha, amei Pucon, a cidadezinha e até subimos no início do vulcão. Agora deu vontade de fazer este trekking. Abraço!

  3. Que demais teu relato e as fotos! Sou doida pra fazer um trekking em vulcão, lamento por não ter conseguido quando fui ao Chile.

  4. Uauuu, que demais esse relato! Fui ficando mais e mais impressionada a cada foto… Deve ter sido inesquecível! 🙂

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