Imagina a reação de estar pesquisando roteiros em Maceió e descobrir que o Quilombo dos Palmares está a apenas 80 Km da capital de Alagoas?
Quando comecei a pesquisar, não liguei os fatos de imediato, mas assim que me dei conta dessa pequena distância, e já sabendo que a gente ia alugar um carro, comecei a contar os minutos para pisar no mesmo solo que foi um dos maiores símbolos de resistência negra no Brasil. E o melhor, a entrada é gratuita!
Confira como chegar no Parque Memorial do Quilombo dos Palmares, localizado na cidade de União dos Palmares, e como funciona a visita.
Quilombo dos Palmares, Alagoas: onde fica, como ir, passeio e dicas
Parque Memorial Quilombo dos Palmares: história, como é o parque, como funciona
Quando visitamos, o Quilombo dos Palmares tinha entrada gratuita. A visita dura cerca de 2 horas.
Ontem
A comunidade quilombola de Palmares foi o mais famoso povoado de resistência negra do país. Criado no final de 1590 pela princesa congolesa Aqualtune, transformou-se num estado autônomo e resistiu por quase cem anos no alto da Serra da Barriga, no município de União dos Palmares, em Alagoas.
Em 1695, um ano após a morte de Zumbi, líder na ocasião, ele foi totalmente destruído.
Hoje
O antigo lugar que abrigava o quilombo foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1985 e, desde 2007, abriga o Parque Memorial Quilombo dos Palmares.
Em 2017, foi reconhecido como patrimônio cultural do Mercosul.
É uma maquete em tamanho real que recria o ambiente da República dos Palmares, com elementos significativos dos seus tempos áureos. Lá estão o Onjó de farinha (Casa de farinha), Onjó Cruzambê (Casa do Campo Santo), Oxile das ervas (Terreiro das ervas), e Muxima de Palmares (Coração de Palmares), com suas coberturas vegetais e inscrições em banto e yorubá.
Alguns desses espaços têm pontos de áudio com música e textos que contam o modo de vida da comunidade quilombola e da cultura negra em quatro idiomas (Português, Inglês, Espanhol e Italiano).
Há também as Ocas indígenas no parque e a explicação para isso é que muitos anos antes de o local ser um quilombo, a mesma serra foi habitada por povos originários.
Dos mirantes, chamados de atalaias de Acaiene, Acaiuba e Toculo é possível avistar toda a magnitude da serra que foi propícia para proteger a comunidade. Muitos se jogaram do atalaia de Acaiene, preferindo a morte ao cativeiro quando as tropas inimigas avançaram.
Como chegar no Quilombo dos Palmares
É possível chegar no Quilombo dos Palmares de carro, ônibus ou excursão de 1 dia. União dos Palmares fica a cerca de 80 Km de Maceió, onde está o aeroporto mais próximo, Aeroporto Internacional de Maceió – Zumbi dos Palmares (MCZ). Consulte ofertas de voos para lá nesse link.
A cidade União dos Palmares é pequena e conta com algumas opções de hospedagem. Consulte as opções e reserve sua hospedagem em União dos Palmares de maneira rápida e segura, com opções de cancelamento gratuito e pagamento no check-in através da Booking.com. Outra opção é se hospedar em Maceió e fazer um bate-volta como nós.
Veja onde ficar em Maceió no nosso artigo completo.
De carro
Para chegar de carro no Quilombo dos Palmares a partir da capital é preciso é seguir pela BR-316 até o município de Satuba e pegar a BR-104 até União dos Palmares, onde está tem início uma estrada de 9 Km de terra para a Serra da Barriga (a estrada foi pavimentada em 2019).
Há placas indicando o caminho e a estrada não é das piores. Subimos tranquilamente em um carro 1.0.
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De ônibus
Com a Auto Viação Progresso é possível ir de Maceió a União dos Palmares, e de lá, ir a pé ou de táxi até o parque.
De excursão
A plataforma EasyTravelShop oferece o tour de 1 dia no Quilombo dos Palmares, com guia e transfer ida e volta por R$ 105 em até 10x. Lá ainda é preciso pagar R$ 75 por ingresso e almoço (reserve aqui).
Como foi para nós visitar o Quilombo dos Palmares
Saímos bem cedinho e a viagem de Maceió até União dos Palmares foi rápida, cerca de 1h. A cidade é pequena e tem muitas placas indicando o caminho. Mas foi só quando pegamos a estrada de terra que leva até o alto da Serra da Barriga é que começamos a nos dar conta do momento.
Dentro do carro que balançava e desviava das saliências no chão, alguém decidiu colocar a música Zumbi, de Jorge Bem, mas na versão da Ellen Oléria.
Fomos ouvindo em silêncio, meio engasgados.
“Angola Congo Benguela
Monjolo Cabinda Mina
Quiloa Rebolo…”
Dá o play no Spotify nessa e outras músicas que são a trilha perfeita para o momento.
Quilombo dos Palmares: como é a visita
Lá dentro a gente experimenta muitas sensações. Acho que algumas são as mesmas de séculos atrás – acredito eu – paz, isolamento, silêncio, contato com a natureza… pelo menos no período em que estiveram livres da escravidão no quilombo.
Foi justamente a natureza uma das razões pelas quais o quilombo resistiu tanto tempo. As altitudes que dificultavam a chegada. A floresta que cercava como sentinela. As diversas frutas que alimentavam. No parque, os aromas doces das jacas, laranjas e outras frutas ajudam a te levar de volta à atmosfera da época.
Em outros momentos da visita a gente sente um peso, uma angústia ao ouvir uma história tão vergonhosa como a da escravidão.
Os guias nos receberam e explicaram alguns detalhes, mas todos os elementos que reconstituem e reverenciam a história da comunidade que ali viveu são explicativos.
A gente ficou ali descalço, pisando aquele chão, mal vimos o tempo passar. Visitamos a lagoa e a árvore sagrada dos que ali se refugiavam: a gameleira branca. Aqui, o orixá dessa árvore é o Irôco e representa o tempo. Para eles, a gameleira é a árvore primordial, a essência da criação, o poder da terra que ensina aos homens o sentido da vida.
“Só fica escravo aquele que tem medo de morrer sobre donos.” Zumbi dos Palmares.
Passeio casado: região quilombola de Muquém
Depois de descer a serra, ainda faltava conhecer o povoado quilombola de Muquém, e a mestre artesã Irinéia. Avistamos ela na porta, toda receptiva, explicando suas obras enquanto seu marido, Antônio Nunes, trabalhava a argila sentado no chão.
Bebemos água para aplacar os 40ºC e ouvimos um pouquinho das histórias de Mestre Irinéia: sobre a famosa jaqueira que abrigou os que fugiram da enchente que houve lá, sobre as encomendas que recebeu de longe, sobre as entrevistas que já deu, enfim, um pouquinho de tudo.
Compramos algumas peças de cerâmica de argila, e por mais que o Brasil todo conheça o trabalho dela, que nasceu na comunidade e é uma das mais antigas remanescentes dos que sobreviveram ao Quilombo de Palmares, o preço é muito em conta.
Acho que a mestre está preocupada apenas em mostrar as lutas, crenças e histórias do seu povo através do artesanato.
Quilombo dos Palmares: melhor época para visitar
O calor quase não dá trégua, então, a melhor época para visitar o Quilombo dos Palmares é nos meses mais frios do ano.
A dica para quem busca mais do que uma visita é ir em novembro, quando acontecem as comemorações de 20 de novembro durante todo o mês.
A data em que Zumbi morreu significa muito para a comunidade afro-brasileira e embala os festejos que recebem mais de 10 mil visitantes de todo o Brasil e do exterior.
Dicas para visitar o Quilombo dos Palmares, Alagoas
- Há um restaurante no parque, o Baobá Raízes e Tradições da Mãe Neide, que oferece comida quilombola. Como não há nenhum tipo de comércio perto, é bom levar também água e um lanche. Depois de descer, não se preocupe: em União dos Palmares você encontra de tudo, incluindo posto de gasolina, bancos, restaurantes e hotéis.
- O aeroporto mais próximo é o de Maceió: Rodovia BR 104, Km 91, S/N – AL
- No site do parque é possível fazer um passeio virtual e sentir o gostinho do que você vai ver lá, além de conferir mais informações a respeito.
Distâncias até União dos Palmares – AL:
321 Km de Aracaju – SE
79,2 Km de Maceió – AL
338 de João Pessoa – PB
220 de Recife – PE
Leia também:
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Praias de Alagoas: melhores dicas nos litorais norte e sul
Espero que nossas dicas sejam úteis para você que pensa em visitar o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, União dos Palmares.
por Camila Coubelle
Maravilhoso passeio. Todas as pessoas que tem interesse em conhecer sua história ou a história de nossos antepassados, devem conhecer esse local Sagrado e cheio de memórias. O Guia é maravilhoso e para almoçar o Restaurante Baobá oferece uma comida deliciosa, a melhor que comemos em Maceió.
Taxista Marivaldo, cobra um preço justo de Maceió até o Quilombo. Combinei com o mesmo um passeio de 1h. 30min. para tirar fotos e comprar lembranças. Julho de 2019. Marivaldo 082 – 988433798. Envie Whats e combine.
Olá! Funciona às quartas, com agendamento prévio.
Há outras opções também antes do parque, mais próximas da cidade.
Abraços
Preciso de informações sobre como agendar uma visita com estudantes.
Gostaria de saber os dias de funcionamento do restaurante do parque?
EU QUERIA SABER MAIS DE QUILOMBO DOS PALMARES.
OQUE TEM DE ATRAÇOES PARA O DIA INTEIRO,ESTAMOS EM UM GRUPO DE 28 PESSOAS ACIMA DE 55 ANOS.
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