InícioEUROPARoteiro das catedrais da Europa que são “guardiãs” da música

Roteiro das catedrais da Europa que são “guardiãs” da música

Silêncio. É o que as plaquinhas nas entradas das igrejas costumam pedir. Mas em muitas catedrais da Europa, existe um momento grandioso em que o silêncio é quebrado com graves e agudos que transcendem o sagrado.

A Europa tem salas de concerto impecáveis, mas, quando o assunto é música que toca no peito, as catedrais levam vantagem: acústica privilegiada, órgãos colossais, atmosfera solene, coros centenários e uma agenda que mistura música, patrimônio e performance.

Este roteiro foi inspirado na minha experiência na Basílica de Sacré Cœur, em Paris, pois cheguei para a visita pouco tempo antes de uma celebração religiosa. Assim, tive a oportunidade de ouvir um coro em outro idioma e com uma acústica incrível. Isso me tocou, e me inspirou a entender a história das músicas “centenárias” entoadas em algumas catedrais que já visitei na Europa.

Para além de templos religiosos, esses espaços muitas vezes são palcos de acontecimentos históricos e culturais, como os concertos. E, muitas vezes, esses acontecimentos estão entrelaçados.

Nesse artigo eu vou contar onde e como ouvir música dentro de catedrais que não são apenas monumentos: são também, instrumentos.

Catedrais da Europa: conheça templos que ecoam música e história

Reims – quando o gótico vira caixa de som

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A rosácea no vitral chama a atenção na Notre-Dane de Reims.

Construída no século XIII, a Catedral de Notre-Dame de Reims é famosa por ter sido o local da coroação de reis franceses. Patrimônio da UNESCO, abriga vitrais modernos de Marc Chagall. Durante a Primeira Guerra Mundial, sofreu graves danos e foi restaurada no século XX.

Além do interior e do órgão monumental, caminhe pela praça em frente para apreciar a imponência da fachada gótica. Além disso, a praça é bastante movimentada e cercada por bistrôs, cafés e restaurantes. Ótima pedida para qualquer hora do dia.

Na entrada principal, à esquerda, observe o famoso L’Ange au Sourire, ou o “anjo sorridente” e, uma vez no interior, atente-se para a enorme rosácea no vitral.

A Catedral Notre-Dame de Reims ficou marcada como a primeira que visitei na Europa, e fico feliz por ter sido uma igreja que achei tão bonita.

O que a catedral guarda: Em Notre-Dame de Reims, o grande órgão, com cerca de 6.600 tubos e 85 registros, ocupa o transepto norte e é usado com frequência para concertos. É um dos maiores da França e foi reinaugurado no século XX após danos de guerra.

Quando ir: Entre 19 de junho e 19 de julho, a cidade vibra com o festival Flâneries Musicales: uma maratona de concertos em patrimônios da cidade, incluindo a catedral. É clássico com cara de piquenique: música + patrimônio + champanhe.

Como fazer: acompanhe a programação do festival e chegue cedo. Os concertos em espaços monumentalizados lotam rápido (e o pôr do sol entrando pelos vitrais vale o esforço).

  • Funcionamento: Todos os dias, das 7h30 às 19h30 (domingo até 19h15).
  • Ingresso: Entrada gratuita; tours guiados pagos estão disponíveis.
  • Confira a programação no site.

Praga – o “novo” órgão que completa 700 anos de história

cateral europa
praga republica tcheca
Vista do topo da Catedral de São Vito.

Localizada no Castelo de Praga, sua construção levou quase 600 anos, sendo concluída apenas em 1929. A Catedral de São Vito pode ser avistada do centro de Praga, e guarda as joias da Coroa da Boêmia e o túmulo de São Venceslau. O novo órgão, em fase de instalação, será um dos mais modernos da Europa.

Suba na torre sul para vistas panorâmicas de Praga, e visite a capela de São Venceslau, onde estão relíquias históricas.

Eu subi em diversas torres de Praga, incluindo a da igreja e acho que todas valem a pena, pois cada uma oferece uma vista especial e particular da cidade.

Como esta catedral está em um dos maiores complexos de castelos do mundo, minha dica é reservar um dia inteiro para a visita da catedral e dos outros espaços.

O que a catedral guarda: A Catedral de São Vito está instalando um órgão novo de mais de 6.000 tubos, obra do ateliê espanhol Gerhard Grenzing. A montagem começou em abril de 2025 e a inauguração está marcada para 15 de junho do ano que vem (Dia de São Vito), passo final simbólico na longa construção do monumento.

Além de devolver projeção sonora integral à nave, o projeto nasceu de uma campanha de doadores (20 mil apoiadores “adotaram” peças do instrumento), reforçando a ideia de que patrimônio vivo se sustenta em comunidade.

Como fazer: se estiver em 2025, procure visitas e ensaios abertos. Para 2026 em diante, vigie a temporada inaugural do órgão.

  • Funcionamento: Segunda a sábado, das 9h às 17h; domingos, das 12h às 17h (varia no inverno).
  • Ingresso: Parte do complexo do Castelo de Praga; o ticket completo custa cerca de 350 CZK (~14 €).
  • Confira a programação no site.

Dresden – uma reconstrução que também soa

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Vista da cúpula da Catedral Frauenkirche.

Originalmente do século XVIII, a Frauenkirche foi destruída durante a Segunda Guerra Mundial e deixada em ruínas como memorial até a reunificação alemã. Reconstruída entre 1994 e 2005, é símbolo da paz e reconciliação.

Hoje ela se destaca entre as igrejas luteranas de Dresden, e o que mais chama a atenção é a cúpula panorâmica, acessível por escadas ou elevador, que revela uma das melhores vistas de da cidade..

A praça ao redor é bastante movimentada e um ótimo lugar para conhecer o dia a dia da cidade. Repare em uma pedra próxima a igreja, remanescente da antiga construção destruída pela guerra.

O que a catedral guarda: A Frauenkirche foi reconstruída após a reunificação alemã e reaberta em 2005, inclusive o órgão principal, construído por Daniel Kern no espírito de Silbermann. A igreja mantém programação regular de vesperais e recitais de órgão.

Como ouvir: a agenda oficial lista Orgelvesper, cantatas e grandes obras corais; verifique as noites de órgão solo, ideais para sentir o espaço respirando junto com o instrumento.

  • Funcionamento: Segunda a sexta, das 10h às 12h e das 13h às 18h; sábados das 10h às 15h; domingos das 12h30 às 18h.
  • Ingresso: Entrada gratuita para a nave; subida à cúpula custa cerca de 10 €.
  • Confira a programação no site.

Berlim – potência sinfônica dentro do domo

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Construída em 1905 em estilo neobarroco, é a maior igreja protestante da Alemanha. O órgão Sauer, com quase 7.300 tubos, é um dos maiores da Europa. No subsolo, a cripta dos Hohenzollern guarda túmulos da antiga família real da Prússia.

Combine a visita com um passeio pela Ilha dos Museus, outra atração imperdível na capital da Alemanha.

Ah, e não perca a subida à cúpula. Após 270 degraus, a vista panorâmica do centro de Berlim compensa.

O que a catedral guarda: Na Berliner Dom, o órgão Sauer (1905) é o maior da cidade e um sobrevivente notável da era imperial. É um monstro de múltiplos milhares de tubos (completo em timbres românticos e coros de palhetas) e estrela uma série contínua de recitais.

Como ouvir: acompanhe a série de Orgelkonzerte do Dom. Há récitas curtas no fim da tarde que cabem no roteiro entre museus da Ilha.

  • Funcionamento: Todos os dias, das 9h às 20h (horários variam no inverno).
  • Ingresso: Entrada custa 10 € (inclui acesso à cúpula e cripta).
  • Confira a programação no site.

Bruxelas – um “ninho de andorinha” que voa alto

igrejas em bruxelas
catedral st michel bruxelas
Interior da catedral de São Miguel e Santa Gudula, em Bruxelas.

Construída entre os séculos XIII e XV, em estilo gótico brabantino, recebeu coroações reais e hoje é palco de concertos do festival Ars in Cathedrali. O órgão de 2000, suspenso como “ninho de andorinha”, é destaque arquitetônico.

Observe os vitrais renascentistas e a cripta arqueológica, com restos da primeira igreja do século XI. Sem dúvidas, uma joia de Bruxelas.

O que a catedral guarda: Na Catedral de São Miguel e Santa Gudula, o órgão de Gerhard Grenzing (inaugurado em 2000) fica suspenso em posição de “ninho de andorinha” e tem mais de 4.300 tubos. É a joia da série Ars in Cathedrali e palco de noites de órgão assinadas por instituições como a Bozar.

Como ouvir: a Organ Night costuma lotar com programas que vão de Bach a transcrições sinfônicas; chegue com antecedência para ficar na nave central.

  • Funcionamento: Segunda a sexta, das 8h às 18h; sábados e domingos, das 8h às 15h.
  • Ingresso: Entrada gratuita; visita à cripta arqueológica custa cerca de 2 €.
  • Confira a programação no site.

Paris – enquanto Notre-Dame renasce, a cidade toca

Notre-Dame ainda em reforma quando estive em Paris.
Interior da Sainte-Chapelle, uma das catedrais mais lindas que visitei na Europa.

Símbolo de Paris e da França, foi iniciada no século XII e recentemente restaurada após o incêndio de 2019. Reaberta ao público em dezembro de 2024, seu Grande Órgão é um dos mais famosos do mundo.

A catedral ainda em fase de reabertura gradual, mas os interiores já podem ser explorados. Ela ainda não estava aberta quando estive em Paris, mas mesmo assim, a parte externa e a exposição temporária com realidade aumentada estavam sempre lotadas.

O que a catedral guarda: Notre-Dame reabriu ao público em 8 de dezembro de 2024. O Grande Órgão, histórico e pouco danificado pelo incêndio de 2019, foi limpo, reassemblado e rebenzido em 2024, com voicing/harmonização noturna estendendo-se ao longo de 2024 e início de 2025.

  • Funcionamento: Todos os dias, das 8h às 18h45.
  • Ingresso: Entrada gratuita, mas existem visitas guiadas à parte.
  • Confira a programação no site.

E enquanto isso… A Sainte-Chapelle mantém um circuito constante de concertos (centenas por ano), fórmula perfeita para quem quer música de câmara sob vitrais góticos. O calendário 2025 segue ativo com poucas pausas sazonais.

Construída no século XIII para abrigar relíquias da Paixão de Cristo, é famosa por seus vitrais góticos que iluminam toda a capela. Foi um dos lugares que mais me impressionou em Paris. É aquele tipo de atração que você não consegue parar de olhar e quer continuar lá dentro olhando, tamanha beleza.

Eu visitei durante a manhã, por questões de roteiro, mas soube que é melhor no fim da tarde, quando a luz do sol atravessa os vitrais e transforma o espaço em um caleidoscópio.

Como ouvir: combine tarde no Musée d’Orsay e noite na Sainte-Chapelle; para Notre-Dame, fique atento a anúncios oficiais sobre a retomada plena de concertos do Grande Órgão pós-restauro.

  • Funcionamento: Todos os dias, das 9h às 19h.
  • Ingresso: Entrada custa 13 €.
  • Confira a programação no site.

Málaga – dois órgãos gêmeos, tradição gigante

catedral de malaga

Conhecida como “La Manquita”, por sua torre sul nunca concluída, essa catedral da Europa mistura estilos renascentista e barroco. Os dois órgãos gêmeos do século XVIII somam mais de 4.000 tubos.

Além da nave principal, vale a pena fazer uma visita às coberturas, que oferecem vistas espetaculares do centro histórico de Málaga e do mar. E o templo fica bem no centro histórico da cidade, perto de várias outras atrações que podem ser visitadas a pé.

O que a catedral guarda: A Catedral de Málaga tem dois órgãos históricos gêmeos (século XVIII, associados a Julián de la Orden), utilizados em ciclos anuais gratuitos no fim de maio e início de junho, uma tradição com mais de trinta edições, sustentada pelo cabildo e parceiros locais.

Como ouvir: o Ciclo de Concertos de Órgão costuma ocorrer às 20h, com média de 600 pessoas por noite. Programe-se e aproveite para subir às coberturas (obra de novo telhado em curso) em outro horário.

  • Funcionamento: Segunda a sexta, das 10h às 20h; sábados das 10h às 18h; domingos, das 14h às 18h.
  • Ingresso: Entrada geral custa 6 €; com acesso ao telhado, cerca de 10 €.
  • Confira a programação no site.

Madri – a jovem catedral que toca grande

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Interior da Catedral de Almudena, em Madri.

Relativamente jovem, a Catedral de Almudena foi inaugurada em Madri em 1993, após mais de um século de obras. Combina estilos neogótico e neorromânico. Foi o local do casamento de Felipe VI e Letizia em 2004. Seu órgão Grenzing, de 1999, é destaque musical.

Minha dica é que você visite também o Museu da Catedral e, se possível, vá em um concerto de órgão.

A Catedral de Madri fica bem perto do Palácio Real e de outras atrações importantes, como a Plaza Mayor.

O que a catedral guarda: A Almudena é jovem, mas seu órgão Grenzing (inaugurado em 1999) dá o tom de uma programação que inclui solistas internacionais e colaborações com coros da capital.

Como ouvir: fique de olho nos ciclos de órgão divulgados pela arquidiocese e pelos próprios organistas titulares; muitas récitas têm entrada livre.

  • Funcionamento: Todos os dias, das 9h às 20h30.
  • Ingresso: Entrada sugerida de 1 € Museu e Cúpula custam 6 €.
  • Confira a programação no site.

A playlist do viajante (o que priorizar se você só tem 1 ou 2 noites em cada cidade)

  • Berlim: recital de órgão no Dom + caminhada iluminada pela Ilha dos Museus. É impacto acústico máximo em pouco tempo.
  • Bruxelas: Organ Night na catedral. Programação curada, hall central fotogênico.
  • Paris: concerto na Sainte-Chapelle. O combo vitral + cordas é imbatível; monitore comunicados sobre a retomada de concertos em Notre-Dame.
  • Málaga: pegue o Ciclo de Órgão (maio/junho) para ouvir dois órgãos ao mesmo tempo. Experiência rara.
  • Reims: alinhe sua visita às Flâneries Musicales para ver a catedral em modo festival.
  • Dresden: Orgelvesper na Frauenkirche. Liturgia curta que rende música de primeira.
  • Praga: se a viagem cair perto da inauguração do novo órgão (junho de 2026), compre antes.
Já pensou em colocar um concerto no roteiro ao visitar países da Europa? Veja dicas e aproveite!

Dicas práticas para quem quer ouvir bem (e não só “ver a igreja”)

Assentos: nave central e primeira travessa lateral costumam oferecer melhor equilíbrio entre ataque e reverberação. Evite ficar muito perto das paredes. (Teste fácil: bata palmas discretas antes do concerto; se o retorno “borra” muito, avance algumas filas.)

Outra dica bacana sobre está relacionada ao “fio condutor” desse artigo, isto é, os órgãos. Em algumas catedrais, é possível escolher um assento que permita vislumbrar este instrumento musical durante o concerto, o que eleva ainda mais a experiência. Afinal, como dizia Honoré de Balzac, o órgão é “o mais grandioso, ousado e magnífico de todos os instrumentos inventados pelo gênio humano”. Você não vai querer perder essa vista, certo?

Programas certos para espaços longos: Bach, Franck, Messiaen funcionam impecavelmente; transcrições orquestrais (Wagner, Ravel) ganham uma camada quase cinematográfica em órgãos sinfônicos como o Sauer de Berlim.

Chegue cedo: muitos concertos são gratuitos ou sem assento marcado (Málaga, várias séries em Dresden/Bruxelas).

Calendários mudam: confirme datas da própria igreja ou produtor (Sainte-Chapelle tem pausas sazonais em 2025).

Por fim, confira o site Classictic, que apresenta um calendário de concertos, incluindo os que acontecem em catedrais da Europa. É possível buscar por cidade e data.


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Se a Europa é um grande palco, as catedrais são as suas caixas acústicas ancestrais. Nelas, pedra, história e ar viram música. E nós, viajantes, viramos plateia de luxo.

Chegue cedo, olhe para cima e deixe o fôlego do órgão “levar” sua viagem para outros tempos.

por Camila Coubelle


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Vida sem Paredes
Vida sem Paredeshttps://vidasemparedes.com.br/
Um blog sobre descobertas e viagens, ou vice-versa. Aqui você encontra muitas dicas, roteiros, guias de destinos incríveis pelo mundo. A gente divide nossas experiências para inspirar as suas.

3 COMENTÁRIOS

  1. Amei o post! Deu pra imaginar o som, a luz e a arquitetura de cada catedral com sua escrita…
    Você saberia se essas catedrais mantém uma agenda pública de concertos?
    Se sim, existe algum calendário online para acompanhar a programação?

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