Um dia no Quilombo dos Palmares

Imagina a reação de estar pesquisando roteiros em Maceió e descobrir que o Quilombo dos Palmares está a apenas 80 Km da capital de Alagoas? Quando comecei a pesquisar, não liguei os fatos de imediato, mas assim que me dei conta dessa pequena distância, e já sabendo que a gente ia alugar um carro, comecei a contar os minutos para pisar no mesmo solo que foi um dos palcos de momentos importantes da história do Brasil.

Entrada do Parque Memorial Quilombo dos Palmares

Entrada do Parque Memorial Quilombo dos Palmares

 

O momento

Saímos bem cedinho e a viagem de Maceió até União dos Palmares foi rápida, cerca de 1h. A cidade é pequena e tem muitas placas indicando o caminho. Mas foi só quando pegamos a estrada de terra que leva até o alto da Serra da Barriga é que começamos a nos dar conta do momento. Dentro do carro que balançava e desviava das saliências no chão, alguém decidiu colocar a música Zumbi, de Jorge Bem, mas na versão da Ellen Oléria.

Fomos ouvindo em silêncio, meio engasgados.

“Angola Congo Benguela

Monjolo Cabinda Mina

Quiloa Rebolo…”

Dá o play no Spotify nessa e outras músicas que são a trilha perfeita para o momento.

 

Parque Memorial Quilombo dos Palmares

 

Ontem

A comunidade quilombola de Palmares foi o mais famoso povoado de resistência negra do país. Criado no final de 1590 pela princesa congolesa Aqualtune, transformou-se num estado autônomo e resistiu por quase cem anos no alto da Serra da Barriga, no município de União dos Palmares, em Alagoas. Em 1695, um ano após a morte de Zumbi, líder na ocasião, ele foi totalmente destruído.

Hoje

O antigo lugar que abrigava o quilombo foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1985 e, desde 2007, abriga o Parque Memorial Quilombo dos Palmares. É uma maquete em tamanho real que recria o ambiente da República dos Palmares, com elementos significativos dos seus tempos áureos. Lá estão o Onjó de farinha (Casa de farinha), Onjó Cruzambê (Casa do Campo Santo), Oxile das ervas (Terreiro das ervas), e Muxima de Palmares (Coração de Palmares), com suas coberturas vegetais e inscrições em banto e yorubá. Alguns desses espaços têm pontos de áudio com música e textos que contam o modo de vida da comunidade quilombola e da cultura negra em quatro idiomas (Português, Inglês, Espanhol e Italiano). Há também as Ocas indígenas no parque e a explicação para isso é que muitos anos antes de o local ser um quilombo, a mesma serra foi habitada pelos índios.

Dos mirantes, chamados de atalaias de Acaiene, Acaiuba e Toculo é possível avistar toda a magnitude da serra que foi propícia para proteger a comunidade. Muitos se jogaram do atalaia de Acaiene, preferindo a morte ao cativeiro quando as tropas inimigas avançaram.

Atalaia de Acaiene - Parque Memorial Quilombo dos Palmares

Atalaia de Acaiene

Mirante Parque Memorial Quilombo dos Palmares

Vista do mirante

Parque Memorial Quilombo dos Palmares

Ocas

Parque Memorial Quilombo dos Palmares

Teto trabalhado

 

Como é a visita no Parque Memorial Quilombo dos Palmares

 

Lá dentro as sensações são as mesmas de séculos atrás – acredito eu – paz, isolamento, silêncio, contato com a natureza… Na verdade é mais do que contato. Foi justamente a natureza uma das razões pelas quais o quilombo resistiu tanto tempo. As altitudes que dificultavam a chegada. A floresta que cercava como sentinela. As diversas frutas que alimentavam. No instante em que se pisa no parque, os aromas doces das jacas, laranjas e outras frutas ajudam a te levar de volta à atmosfera da época.

Os guias nos receberam e explicaram alguns detalhes, mas todos os elementos que reconstituem e reverenciam a história da comunidade que ali viveu são explicativos.

A gente ficou ali descalço, pisando aquele chão, mal vimos o tempo passar. Visitamos a lagoa e a árvore sagrada dos escravos: a gameleira branca. Aqui, o orixá dessa árvore é o Irôco e representa o tempo. Para eles, a gameleira é a árvore primordial, a essência da criação, o poder da terra que ensina aos homens o sentido da vida.

 

“Só fica escravo aquele que tem medo de morrer sobre donos.” Zumbi dos Palmares.

 

Quilombo dos Palmares - Vida sem Paredes

Lagoa sagrada dos negros - Parque Memorial Quilombo dos Palmares

Lagoa sagrada

Gameleira Branca - Quilombo dos Palmares

Gameleira Branca

 

Passeio casado: A região quilombola de Muquém

 

Depois de descer a serra, ainda faltava conhecer o povoado quilombola de Muquém, e a mestre artesã Irinéia. Avistamos ela na porta, toda receptiva, explicando suas obras enquanto seu marido, Antônio Nunes, trabalhava a argila sentado no chão. Bebemos água para aplacar os 40ºC e ouvimos um pouquinho das histórias de Mestre Irinéia: sobre a famosa jaqueira que abrigou os que fugiram da enchente que houve lá, sobre as encomendas que recebeu de longe, sobre as entrevistas que já deu, enfim, um pouquinho de tudo.

Compramos algumas peças de cerâmica de argila, e por mais que o Brasil todo conheça o trabalho dela, que nasceu na comunidade e é uma das mais antigas remanescentes dos que sobreviveram ao Quilombo de Palmares, o preço é simbólico. Acho que a mestre está preocupada apenas em mostrar as lutas, crenças e histórias do seu povo através do artesanato.

Mestre artesã Irinéia

Mestre artesã Irinéia

Peças de argila

Peças de argila

 

Como chegar no Quilombo dos Palmares

 

União dos Palmares fica a cerca de 80 Km de Maceió. Partindo de carro da capital, é preciso é seguir pela BR-316 até o município de Satuba e pegar a BR-104 até União dos Palmares, onde está tem início uma estrada de 9 Km de terra para a Serra da Barriga. Há placas indicando o caminho e a estrada não é das piores. Subimos tranquilamente em um carro 1.0.

De ônibus da Auto Viação Progresso é possível ir de Maceió a União de Palmares, e de lá, ir a pé ou de táxi até o parque.

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Subida para a Serra da Barriga

Subida para a Serra da Barriga

 

Melhor época para ir

 

O calor quase não dá trégua, então, se você prefere tentar a sorte, o melhor é escolher os meses mais frios do ano. A dica para quem busca mais do que uma visita é ir em novembro, quando acontecem as comemorações de 20 de novembro durante todo o mês. A data em que Zumbi morreu significa muito para a comunidade afro-brasileira e embala os festejos que recebem mais de 10 mil visitantes de todo o Brasil e do exterior.

 

Anote as dicas

 

  • Há um restaurante no parque, mas estava fechado quando fomos, e como não há nenhum tipo de comércio perto, é bom levar água e um lanche. Depois de descer, não se preocupe: em União dos Palmares você encontra de tudo, incluindo posto de gasolina, bancos, restaurantes e hotéis.
  • O aeroporto mais próximo é o de Maceió: Rodovia BR 104, Km 91, S/N – AL
  • No site do parque é possível fazer um passeio virtual e sentir o gostinho do que você vai ver lá, além de conferir mais informações a respeito.

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Distâncias até União dos Palmares – AL:
321 Km de Aracaju – SE
79,2 Km de Maceió – AL
338 de João Pessoa – PB
220 de Recife – PE

Parque Memorial Quilombo dos Palmares, União dos Palmares – AL
Data da viagem: abril de 2015

 

por Camila Coubelle

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