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Comendo cupim com os índios da Venezuela

 

Você teria coragem de comer cupins? E grilos? Descubra alguns “pratos” inusitados que experimentamos com os índios da Venezuela.  Os pemóns habitam a Gran Savana, próximo à divisa com o Brasil e a Guiana, no Parque Nacional Canaima, onde está o Monte Roraima. Durante um trekking nessa montanha deslumbrante que está entre os 10 pontos culminantes do Brasil, é comum contratar esses profundos conhecedores do local para apoio. Foi assim que conhecemos um pouco da cultura deles.

 

Os índios pemóns

 

Na comunidade Paraitepuy, onde fica o início da trilha para o Monte Roraima, conhecemos nossos quatro ajudantes – Olegário, Jorge, Miguel e Wimer, responsáveis em carregar nossas comidas e nosso banheiro. Tivemos a sorte de conviver com eles e conhecer um pouco de seus costumes e sua cultura, e trocamos muita figurinha, já que eles eram interessados em aprender português e saber mais sobre o Brasil – eles falam a língua pemón e o espanhol. Nos acampamentos, nós aprendemos um pouco sobre seus hábitos, crenças, sobre o idioma e sobre suas comidas, rica em tubérculos e no que a natureza lhes dá, já que a aridez da Savana impossibilita o cultivo da terra e a criação de animais.

Miguel, eu, Jorge, Wimer e Olegário na Comunidade Paraitepuy – Roraima e Kukenan ao fundo

Olegário eu e Jorge perto do Mirante da Ponta de Pedra

No penúltimo dia de trilha, acampados perto do Rio Tek, decidimos encerrar nossa expedição com um almoço na comunidade Paraitepuy e fizemos a “encomenda” das refeições. Eles nos contaram as opções – o cardápio – e depois que todos decidiram, Olegário passou um rádio para a comunidade para que estivesse tudo pronto quando a gente chegasse.

O almoço foi ótimo e o momento foi incrível, um misto de comemoração pelo sucesso em todos os nossos planos no cume do tepui Roraima, e de despedida dos nossos amigos.

Compartilho um pouco do que conhecemos das comidas pemóns em fotografias e uma breve explicação dos pratos.

Galera reunida para a comemoração final

Almoço com vista para o Monte Roraima e para o Kukenan

Pratos da culinária pemón, índios da Venezuela:

 

  1. Casabe

Lembra um pão ou uma tapioca e é feito com farinha de mandioca, ou harina de yuca, na língua pemón. Eu experimentei puro com picantes, que era como um molho de pimenta, e com sopas, na comunidade Paraitepuy. O casabe não é muito macio e seu sabor não é forte.

 

  1. Tumá de Pescado

Tumá significa sopa. A sopa de peixe servida na comunidade veio com um único exemplar inteiro. Come-se com casabe.

 

  1. Vespas

Comemos as vespas no acampamento do Rio Tek, “fresquinhas” e cruas, pouco tempo depois que eles pegaram no ninho (com toda uma técnica). O gosto era como o de uma frutinha azedinha, tipo um morango silvestre, e no frame abaixo, é possível ver o inseto em seus diferente estágios. O vídeo registra justamente a “aula” que tivemos sobre isso.

 

  1. Tumá de Termitas

Nem todos tiveram coragem de provar essa sopa de cupins na comunidade Paraitepy. Achei a textura parecida com a de um feijão um pouco duro, e o gosto também me lembrou um feijão branco sem tempero. Acho que estava tão cansada e com fome que comi como se fosse uma sopa conhecida de velhos tempos hahaha.

 

  1. Saltamontes

Nada mais nada menos que grilos. Experimentei cozido junto com a sopa e me pareceu um pedaço torrado de frango sem tempero, difícil de mastigar e triturar. Não consegui tirar a cabeça, e pedi ajuda para os nossos amigos locais. É preciso separar a cabeça para tirar o estômago, parte que é jogada fora. Olha o antes x depois do prato e ele deixado para o final:

 

  1. Pollo com plátano

O pollo com plátano frito, ou frango com banana frita é bem mais familiar! Acompanhado de arroz e salada e muito bem servido.

 

  1. Stegolepis

A espécie endêmica do Monte Roraima tem gosto parecido com o de um melão, um pouco menos acentuado. Come-se só a parte mais clara do inferior da folha, que é um pouco gelatinosa.

Imeru, Lúcio, eu e Helena

 

  1. Cachiri

O cachiri é uma bebida feita com mandioca e eu não consegui encontrar uma comparação para explicar. Se for fermentada torna-se uma bebida alcoólica fortíssima mas a que bebemos estava mais para um suco, meio rosado e com uns fiapinhos. Outra bebida comum da etnia pemón é o paracari, mas quando estivemos na comunidade Paraitepy só tivemos oportunidade de experimentar o cachiri.

 

Quem acompanha o Vida sem Paredes sabe que sou turista gastronômica e nunca perderia a chance de experimentar as comidas dos lugares que visito. Não importa se é muito diferente, ou com aspecto aparentemente estranho, eu acredito que na pior das hipóteses, posso cuspir se não gostar. Para falar a verdade, ainda não provei nada que achasse ruim, mas acho que sou um pouco suspeita nesse assunto hahaha!

Sinceramente, não acho que eu vá sentir vontade de comer uma sopa de cupins e grilos como eu sinto de comer um nhoque, simplesmente porque as comidas diferentes que provei eram um pouco insípidas. Mas do ponto de vista da experiência e da convivência com os índios pemóns, foi incrível conhecer um pouco mais sobre a cultura e a cculinária deles!


Confira aqui como contratar um trekking no Monte Roraima e como chegar na comunidade Paraitepuy.


Comunidade Paraitepuy, Venezuela
Data da viagem: março de 2017

por Camila Coubelle
 

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