Um incrível tour pelo Valle Sagrado dos Incas

A visita ao Valle Sagrado, em Cusco, era um dos pontos altos do nosso mochilão. E nossa viagem começou antes mesmo de embarcar. Isso porque passamos dias pesquisando sobre o tour famoso no Peru, procuramos saber quais eram os pontos mais interessantes e idealizamos nosso roteiro.

Com tudo em mente, partimos rumo ao inesperado. Isso porque dá pra imaginar, mas na hora é outra história, não é mesmo?

O tour pelo Valle Sagrado é um passeio para quem busca conhecimento aliado a belezas naturais indescritíveis. O visual dos sítios arqueológicos impressiona pelo nível de preservação e pela história que carrega. Os povos Incas, que habitavam esses locais, foram os responsáveis por grandes obras arquitetônicas que deixam qualquer engenheiro do século XXI boquiaberto.

Confira como funciona o passeio no Valle Sagrados dos Incas, quais o pontos visitados, como contratar e como vincular à ida para Aguas Callientes para visitar Machu Picchu.

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Terraças em Pisaq

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Na feira em Ollantaytambo

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As estradas e povoados do Valle

 

O Valle Sagrado dos incas

 

O Valle Sagrado está localizado nos Andes Peruanos e é um dos pontos mais importantes da evolução dos povos Incas. O vale é composto por vários sítios arqueológicos e povoados indígenas e é cortado pelo rio Urubamba, principal manancial da região.

Aliás, foi por esse motivo que os Incas escolheram este ponto para viver. As províncias têm qualidades que favorecem a produção agrícola. É nesse ponto que se produz o melhor grão de milho do Peru. Nós provamos o tradicional choclo con queso vendido na rua e estava di-vi-no.

Além dos vilarejos, o Valle Sagrado é composto por gigantescos sítios arqueológicos, como Saqsayhuaman, Qenqo, Puka Pukara, Tambomachay, Pisaq, Ollantaytambo, Moray, Chinchero, Tipón e Pikillaqta.

 

Como contratar um passeio para o Valle Sagrado?

 

Chegamos em Cusco com o dia amanhecendo e logo que o sol saiu fomos em busca de agências que nos levariam para o Valle Sagrado dos Incas e, em outro momento, para Machu Picchu. Tarefa que foi facilmente executada, visto que a cada passo, “tropeçávamos” em um agente de viagens oferecendo passeios dos mais variados.

Praticamente todas as agências organizam as mesmas rotas: o City Tour, que é um passeio de ônibus pela cidade de Cusco, evidenciando os pontos mais importantes do lugar; os passeios para o Valle Sagrado, que podem ser feitos em um ou mais dias, em grupo ou de modo privado; e, claro, as diversas formas de se chegar a Machu Picchu. Em uma mesma agência fechamos os dois passeios que prenderam nossas atenções por seis dias. E o primeiro deles foi o Valle Sagrado dos Incas.

O tour de um dia, passando por Pisaq, Ollantaytambo e Chincero e com guia bilíngue nos custou 25 soles, sem contar o almoço, que pode ser adquirido junto ou posteriormente, no próprio restaurante. Nós pagamos 35 soles a mais por isso (no caso, ganhamos o descontinho por estarmos em um passeio guiado). Se tivéssemos fechado o almoço na agência teria custado 30 soles, então, vale a pena já fechar ao contratar o passeio.

Além do voucher para o passeio, é preciso comprar o boleto turístico no valor de 70 soles por um dia de tour.  Quem quiser conhecer todo o complexo e tem tempo suficiente para isto, deve adquirir o boleto de 130 soles (esse vale por 10 dias consecutivos).

Esse boleto que compramos dá direito a entrada em algumas ruínas do Valle Sagrado e em algumas atrações na cidade de Cusco e tem validade de dois dias consecutivos (vem escrito no verso). Nós compramos no posto de venda durante o tour no vale, mas pode ser adquirido no escritório de informações turísticas próximo da Plaza de Armas em Cusco. Saiba mais aqui no site oficial dos ingressos.

 

Como seguir para Aguas Callientes e Machu Picchu após o passeio no Valle Sagrado?

 

É muito simples: Ollantaytambo, onde está a estação de trem para Aguas Callientes, é o penúltimo ponto do tour no Valle Sagrado. Assim, é possível combinar previamente na agência que você irá finalizar o tour nesse ponto, independente de você já ter ou não os tíquetes do trem. A visita em Ollantaytambo termina por volta das 16 horas e o guia já indica a estação de trem para aqueles que vão seguir para Aguas Callientes. A dica é confirmar na agência esse horário. E se for o caso, você pode adquirir o tíquete do trem na mesma agência e ainda conseguir um desconto.

Se preferir seguir de Ollantaytambo para Aguas Callientes, você só perderá a última parada do tour no Valle Sagrado, em Chinchero.

 

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Terraças em Ollantaytambo

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Ruínas  e passarelas

 

Valle Sagrado: como funciona o passeio?

 

Nosso tour começou bem cedinho, às 8h30, horário marcado na agência para encontrarmos com nosso guia, Javier. De lá, somos levados para uma praça de onde partimos, às 9h, em um ônibus fretado. O ônibus é super confortável e quem vai aproveitar o passeio para seguir para Machu Picchu pode deixar as malas no bagageiro.

Cerca de 30 minutos após a saída, paramos em uma feira de artesanato em Ccorao, um dos povoados que cercam o vale. Lá é possível comprar lembrancinhas nas várias lojas enfileiradas. Os preços são os mesmos praticados na cidade e os produtos também, tem deles em todos os lugares. Ali ainda podemos ir ao banheiro e dar uma esticada nas pernas. São apenas 15 minutos de parada e seguimos para mais um ponto interessante, o mirante de Taray.

Uau, que vista! Dali a gente consegue ter uma dimensão da profundidade do vale. Dá pra ver bem longe e é tudo tão bonito que nem dá vontade de ir embora (a Camila quase perdeu o ônibus..rs).

 

É importante ressaltar que o passeio tem hora para começar e para terminar, por isso tudo é cronometrado e nosso guia é o responsável por colocar todo mundo de volta no ônibus.

 

Time Javier” embarcado, seguimos para Pisaq, onde encontramos mais uma feirinha, bem no caminho das ruínas. As ofertas são inúmeras, é quase impossível sair de lá sem comprar uma “coisinha”.  Depois de uma subida leve, enfim chegamos às ruínas de Pisaq.

De cara, nos deparamos com os imensos terraços, usados pela população da época para o cultivo agrícola. É tudo muito grande, parece não ter fim. Segundo o nosso guia, esses terraços eram usados para o plantio de mais de 500 espécies de batatas. Sim, 500! Cada terraça tem uma temperatura diferente, podendo gerar inúmeras formas de cultivo. Nas ruínas ainda bem preservadas é possível ver muitos bairros, plataformas, cursos de água canalizados e pontes.

No tempo em que ficamos em Pisaq, aproximadamente 40 minutos, conhecemos o bairro de K’allaQ’asa. Construído no topo da montanha mais alta, é o maior de todos os bairros da cidade Inca. As residências têm muitos aposentos, encostas íngremes, torres, além de desfiladeiros impressionantes ao seu redor.

 

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Entrada do sítio arqueológico

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Terraços e mais terraços

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Mirante de Taray

Valle Sagrado dos Incas, Cusco – Peru

 

Curiosidade: De acordo com as tradições Incas, os mortos eram enterrados com suas joias e pertences valiosos, pois acreditava-se que eles precisariam de toda a sua riqueza “do lado de lá”. Por conta disso, durante a colonização os espanhóis saqueavam os túmulos localizados em um cemitério cravado na montanha. Ali em frente às ruínas, vemos esse cemitério vertical, que é um dos maiores do império incas.

 

Depois de Pisaq, partimos para Urubamba. Na cidade fomos levados para uma fábrica de joias de prata. Os anfitriões bilíngues nos explicaram todo o processo de produção das joias e também as principais diferenças entre a prata verdadeira e aquelas que possuem outros metais misturados, geralmente cobre e zinco. Após a explicação somos convidados a conhecer a loja.

Anote: quem quiser comprar joias por lá, deve guardar uma graninha, viu. O preço compensa e as peças são lindas. Se você gosta desse tipo de joia, reserve um extra pra esse passeio.




Dali, seguimos para o restaurante Inkas House, onde seria servido o almoço. Não compramos o almoço junto com ticket do passeio porque ficamos receosas sobre a qualidade do lugar. Medo bobo, pois o rango servido no restaurante Self-service compensa muito e o restaurante é alto nível. É uma ótima oportunidade de experimentar vários pratos típicos da região. Mas um detalhe: é preciso ser rápido. Só temos 40 minutos pra comer. Ah, as bebidas não estão incluídas no valor do buffet.

Seguimos agora para Ollantaytambo, mas antes fazemos uma parada para adquirir aquele tal boleto turístico que eu tinha falado. Lembre-se de deixar o dinheiro reservado – e trocado.

Em Ollantaytambo, desembarcamos diretamente em uma feirinha, um pouco maior que as outras, mas com os mesmos produtos que todos já tínhamos visto.

Nosso guia Javier nos contou que durante o incanato, Pachacútec conquistou a região e criou o povoado, conhecido pelo seu grande centro religioso. Também cheia de terraços, a subida até o topo da cidade Inca é desencadeada por 242 degraus. Após a subida, no entanto, todo o esforço é recompensado e é possível ter uma vista incrível das rochas e ruínas.

 A grande atração do local é a pedra de granito de 40 toneladas, situada bem no centro da montanha. Essas pedras eram trazidas das montanhas ao redor pela própria população. O trajeto era feito rolando troncos de árvores encaixados nas pedras cuidadosamente polidas.

Mas pra mim, o ponto mais interessante da cidade estava na frente dela: uma das montanhas que cercam as ruínas mostra formações rochosas que se assemelham ao rosto de uma pessoa, aparentando ser um rei, com coroa e tudo mais. Os locais dizem que é a imagem de Wiracocha, um deus Inca considerado por eles o Mestre do Mundo.

Ao lado do rosto existe um silo de alimentos, estrategicamente planejado. A localização é para que, mesmo em dias de sol intenso, o vento forte que bate na montanha mantenha o local bem fresco, favorecendo a conservação dos alimentos. Quanta inteligência!

 

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Vista do povoado de Ollantaytambo, onde estão as estações de trem

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O rosto do Wiracocha está à esquerda do quadrado

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Repare na escadaria à direita

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Na feira em Ollantaytambo

 

Ficamos em Ollantaytambo cerca de 1h30. Nosso horário estava apertado e era hora de seguir viagem.

Fomos, então para Chinchero. Lá somos levados até uma loja de produtos têxteis. Fomos recebidos pelas famílias indígenas com um chá quentinho. A tarde já estava caindo e o frio andino começava a dar o ar da graça.

As mulheres muito simpáticas abusaram do inglês cheio de sotaque para nos explicar todo o processo de confecção das peças tradicionais do Peru. Desde o trabalho do fio de lã, passando pelo tingimento, até a tecelagem. Elas utilizam ervas, grãos, minerais, sementes, folhas e até terra para dar cor às lãs e também para lavá-las, já que dá pra fazer até shampoo com essas ervas. Um trabalho realmente incrível. Um ponto alto é a reação química que elas fazem usando limão para modificar uma cor. Genial!

Tivemos contato com peças cuidadosamente trabalhadas, como caminhos de mesa, tapeçarias, blusas, cachecóis, gorros e inúmeras outras utilidades em tecido.

A parada em Chinchero é um pouco estratégica, buscando levar os visitantes para as lojas a fim de que façam suas compras no local, aumentando, assim, a renda e beneficiando as famílias. Nada mais justo. Nós também não resistimos e acabamos fazendo umas comprinhas por lá.

Com as sacolas cheias, finalizamos nosso tour pelo Valle Sagrado com a sensação de que ainda falta muito lugar lindo pra conhecer por lá.

 

Leia também: O que fazer em Cusco

 

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O chá em Chinchero

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O processo de trabalho em lã: produtos usados no tingimento e tecelagem

 

Tome nota: o tour pelo Vale Sagrado dura o dia todo, portanto leve lanche, bastante água, protetor solar e blusas de frio. Quando o sol se põe o ar fica bem gelado na região.

 

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Valle Sagrado dos Incas: Cusco, Peru

Data da viagem: abril de 2016

 

Por Nange Sá

Sobre Vida sem Paredes

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7 Comments

  1. Pingback:Peru: como é a tirolesa de Santa Teresa | vida sem paredes

  2. BOA NOITE;
    E COM RELAÇÃO À MOEDA? DÓLAR OU NUEVO SOL?
    GRATO

  3. Olá. Camila e Nange. Adorei o relato de viagens de você. Poderiam me ajudar, por favor? Estou quebrando a cabeça para montar a viagem para Cusco daqui do Brasil, e não tenho avançando muito. Vi que podemos fechar esse passeio para o Valle Sagrado facilmente lá em Cusco mesmo, né? Outra dúvida: sabe se existe a possibilidade de começar esse passeio em Cusco, e terminar em Aguas calientes? Muito Obrigado!!!

    • Olá Carlos! Você consegue comprar facilmente o tour no valle sagrado de véspera, no centro de Cusco. Sim, existe a possibilidade de terminar o passeio em Ollantaytambo e pegar lá o trem para Aguas Callientes. Basta combinar e contratar isso com a agência na hora de contratar o tour no valle. O guia dá toda a orientação para aqueles que desejam seguir para Aguas Callientes e os coloca dentro do trem em Ollantaytambo. Abraços!

      • Obrigado! Só estou com medo de não haver mais vagas no trem. Estou pensando em comprar pela Peru Rail (site). Pergunta obvia: o preço dos trens (contratando lá no centro de cusco) sairá mais caro do que eu comprar no site, né?
        Valeeeeu!!!

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