Trekking na Ruta Sagrada de la Eternidad del Sol, Bolívia

O sol apontou salpicando as águas do Titicaca com tons laranja. Era o sinal de largada para começar a empoeirar nossas botas na Ruta Sagrada de la Eternidad del Sol (Willka Thaki) rumo às ruínas de onde, segundo a lenda, saíram Manco Capac e Mama Ocllo para fundar o império inca.

Das praias de águas calmas até as ruínas, dez longos minutos de expectativa e subida. O trekking na Isla del Sol mal começa e já mostra suas recompensas: os contornos sinuosos das águas cristalinas do Titicaca emolduram uma costa cheia de belezas.

Confira como é o trekking, quais as ruínas você vai ver e veja dicas de como chegar, onde dormir e quanto custa.

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Trekking na Ruta Sagrada de la Eternidad del Sol, Bolívia

 

O Templo del Sol e a Pisada del Sol dão as boas-vindas para os aventureiros que chegam de várias partes do mundo para desbravar o lugar. Alguns passos adiante, a Roca Sagrada, de onde “saíram” de fato os deuses se revela, até o labirinto de dezenas de salas das ruínas Chinkana roubar a atenção. As cores das suas pedras meticulosamente encaixadas se misturam com as cores da terra. Aquela terra que emana uma energia que fala alto em meio ao silêncio profundo que nos faz companhia ali. Mais à frente, um cemitério inca (Cementera del Inka). Mas tudo rouba a cena. Os cenários disputam nossa atenção, cada um oferecendo o seu melhor.

A Mesa Cerimonial é um deles, com seus traços ritualísticos ao centro do sítio. Uma espécie de altar onde faziam oferendas à Pachamama. É difícil seguir, mas a rota grita por nós. Pelos 8 quilômetros que ligam o povoado de Challapampa, no lado norte da Isla de Sol, até o povoado de Yumani, no lado sul da ilha, o silêncio é acolhedor e a beleza é o propulsor que faz a subida ficar mais leve, mesmo com a nossa cargueira de 25 dias de mochilão, e a quase 4 mil metros de altitude.

A simpática estradinha estreita vai nos ganhando sem nem a gente se dar conta do tempo decorrido. Já as cores do tempo eram impossíveis de ignorar: céu azul, arco-íris, nuvens carregadas se intercalaram durante as 7 horas de caminhada que fizemos. Sim, 7 horas. O trekking na Ruta Sagrada de la Eternidad del Sol pode ser feito em 3 ou 4 horas, mas nós tínhamos tempo e vontade suficiente para se deixar ficar ali apreciando todas as curvas da ilha. Durante a trilha, camponeses conduziam seus rebanhos de lhamas de um lado para outro. Pequenas casinhas rústicas davam as caras aqui e ali. A expectativa de ver um condor conduzia cada passo.

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Mesa Cerimonial

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Chinkana





 

Outras atrações da Isla del Sol

 

No meio da rota, alguns caminhos secundários levam para outros pontos igualmente incríveis da ilha, bem longe do circuito que a maioria faz ali. O Sítio Sagrado Ceremonial Puskallani é um deles. É preciso desviar para o leste para chegar até ele e até o Sítio Condor Ikina, onde – dizem – habitam os condores. Dizem. Não vimos. Mas também não fomos até o Faro, a última ponta da ilha, onde um viajante solo que encontramos no dia anterior viu o condor.

As cores de tormenta do céu eram preocupantes. Voltamos, concluímos a Ruta Sagrada de la Eternidad del Sol e descemos por meia hora até o litoral da comunidade Challa, no centro da ilha. Nesse povoado, o Templo Puma Punko e o museu são os principais atrativos. Nenhum outro turista se aventurou por ali naquele dia, dentre os poucos que cruzamos durante o trekking.

Perguntamos aos locais pelo Museu Arqueológico, e quando pisamos sua porta – fechada – um homem se aproximou perguntando se queríamos entrar. Ficamos com a sensação de que ele – o funcionário – fica espiando de algum lugar e corre para abrir a porta quando alguém aparece. O museu é simples e pequeno e como não achamos restaurante aberto ali na comunidade, nem sinal de barcos para Copacabana, decidimos continuar até o povoado Yumani, no sul, o lado mais frequentado da Isla del Sol.

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Povoado Challa

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Ruta Sagrada de la Eternidad del Sol

 

Explorando a Isla del Sol

 

Essa foi a parte em que o imprevisível acrescentou suas doses de aventura, para minha alegria, e para o desespero da Nange. O fato é que um nativo disse que a gente não precisa subir novamente, retornando por onde tínhamos chegado, mas nos orientou a ir pela costa, seguindo até o fim da praia e subindo por uma trilha. Ok. Subimos.

Impossível não se encantar com as casinhas que parecem de boneca, de portinhas de um metro de altura. Todas pareciam não ter ninguém em casa. Explicado. Quando passamos por plantações, haviam entre 5 e 10 pessoas trabalhando com enxadas ou as mãos. Todos nos olhavam assustados e não davam atenção quando tentávamos falar algo ou apenas cumprimentar, apenas nos apontavam o sul. Me senti intrusa. De repente, após muitas subidas íngremes fora do circuito turístico, o fim da trilha não dava em lugar algum. Voltamos.

A sorte foi encontrar com uma simpática moça tecendo sua lã e olhando o horizonte. Ela decidiu nos levar. O segredo estava em uma casa à direta, bem antes do “final” da trilha de onde voltamos. Era preciso entrar ali. A moça indicou a passagem e nos deixou. Atravessamos o pequeno quintal e o chiqueiro da casa. Não teríamos encontrados sozinhas simplesmente porque não entraríamos em uma casa, mesmo ela não tendo portão.

Dali em diante, foi fácil, mas levou mais um tempo até a igreja e a descida para o píer do lado sul. Ainda faltava uma hora e meia para o barco das 16h quando chegamos. Tempo suficiente dentro desse dia insuficiente para conhecer cada detalhe desse lugar único. Voltarei!

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Informações sobre a Ruta Sagrada de la Eternidad del Sol:

  • Sem desvios, o circuito de cerca de 8 quilômetros pode ser feito em 3 ou 4 horas, de várias formas, incluindo uma ida e volta de 6 ou 8 horas, mas saindo bem cedinho.
  • Em um bate e volta para quem vem de Copacabana, é possível chegar na primeira barca, começar em um dos lados e terminar no outro a tempo do último barco (às 15h no lado norte, e às 16h no lado sul).
  • Com um pernoite na ilha, dá para chegar em um dos lados (norte ou sul) para dormir, e sair cedo pela manhã para chegar a tempo do último barco no lado oposto. Assim dá para ter mais calma, como nós.
  • Em alguns pernoites na ilha, com tempo suficiente para conhecer os quatro cantos, todos os desvios da rota principal e todos os povoados. Minha escolha na próxima!
  • A taxa de visitação do lado sul é de Bs. 5 e do lado norte, Bs. 15. Porém, pagamos apenas Bs. 10 no começo da trilha, logo após deixar as ruínas. Apresentamos o mesmo boleto no meio do circuito, no museu e no final da trilha. Guarde o boleto para apresentar em todos os “pedágios”.
  • No verso do boleto há um mapa com todos os circuitos (principal e secundários) e os locais das ruínas.

 

Leia mais: Ônibus na Bolívia: preços e duração

 
 

Como chegar na Isla del Sol

 

A partir de Copacabana, há barcos saindo para ambos os lados da Isla del Sol às 8h30 e às 13h. Os preços são Bs. 15 para o lado sul e Bs. 20 para o lado norte. Na volta, o barco custa Bs. 25 em ambos os lados.

Para saber mais sobre restaurantes, hospedagens e outros detalhes da Isla del Sol, confira o comparativo entre os lados:

Isla del Sol: lado norte X lado sul

 


 

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Ruta Sagrada de la Eternidad del Sol: Isla del Sol, Bolívia

Data da viagem: abril de 2016

 

Por Camila Coubelle

Sobre Vida sem Paredes

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3 Comments

  1. Olá Camila. Chegarei em Copacabana aprox. 10h e gostaria de já ir nesse horário para Isla del sol. sabe se há barcos que saem antes das 13h? De agencia, privado, que tenha um preço similar. Obrigado

    • Oi Alan! Quando estive lá em abril só existia esses 2 horários: 8h30 e 13h. Vi algumas placas anunciando “frete particular”, mas o preço deve compensar só para grupos. Aconselho você a procurar no píer quando chegar lá, talvez haja outras pessoas na mesma situação que você…
      Abraços!

  2. Pingback:Isla del Sol: lado norte X lado sul | Vida sem Paredes

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