Travessia do Salar de Uyuni: 2º dia

Para muitos, férias é sinônimo de acordar depois do meio dia. Tarefa não executada por quem passa as férias no Salar de Uyuni. Nosso segundo dia pelo deserto de sal começou bem cedo, antes mesmo do sol começar a espiar o horizonte. Nossa ideia, aliás, era exatamente essa: bisbilhotar o sol. Pra isso, levantamos às 5h30 e seguimos para a nossa varanda, o salar.

Vida sem Paredes - Salar de Uyuni dia 2 (15)

Amanhecer no Salar

Vida sem Paredes - Salar de Uyuni dia 2 (7)

Espelhos d’água

Vida sem Paredes - Salar de Uyuni dia 2 (1)

Amanhecer

É incrível como aquela manhã silenciosa fazia tanto barulho dentro da gente. É, barulho. Talvez por conta do coração, que batia acelerado. Não demorou muito e o sol começou a iluminar nosso dia que mal tinha começado. Poucas vezes na vida presenciei cenas tão bonitas. O sol, dourado, intenso, refletindo na imensidão branca foi mesmo um momento inesquecível. Não houvesse fotos, poderia descrevê-lo exatamente como foi só com o que ficou na memória.

Retornamos ao hotel para o café da manhã e, em seguida, partimos para o nosso segundo dia no Salar de Uyuni.

Vida sem Paredes - Salar de Uyuni dia 2 (16)

Entrada do povoado Coqueza, vulcão Thunupa ao fundo

Vida sem Paredes - Salar de Uyuni dia 2 (17)

Vulcão refletido no coreto da pracinha de Coqueza

Vida sem Paredes - Salar de Uyuni dia 2 (14)

Foi sensacional ver o sol refletindo no vulcão Thunupa

Quem embarca nesse tipo de aventura, precisa estar preparado para os imprevistos ou acontecimentos alheios à nossa vontade. Pois é, nem tudo são flores e acabamos por passar a manhã toda numa estrada sem fim. Precisamos retornar a Uyuni para buscar duas novas passageiras, e isso nos roubou um tempo. Mas tudo bem, ganhamos duas novas parceiras. Da cidade, seguimos para o povoado de San Cristobal, onde almoçamos e partimos rapidamente rumo à Laguna Colorada. Estávamos muito excitados para ver os flamingos e as águas coloridas que envolvem o deserto.

Agora não tem mais imensidão branca, mas tem um caminho lindo, cheio de plantações, pedras e animais típicos da região, como as lhamas e as vicunhas. Uma fofura só! Mas o caminho era longo e a ansiedade só aumentava.

Algumas paradas acalmaram nossos corações, como na Laguna Cañapa, de onde avistamos o Vulcão Ollague, na fronteira da Bolívia com o Chile. Ainda passamos pelas lagunas Hedionda e Honda. Cada uma com sua beleza, mas a mais esperada era mesmo a Laguna Colorada.

Vida sem Paredes - Salar de Uyuni dia 2 (3)

Com a nossa amiga francesa na laguna

Vida sem Paredes - Salar de Uyuni dia 2 (9)

Vulcão Ollague

No meio da tarde o vento parecia querer dançar com nossos cabelos e cachecóis. Nada parava no mesmo lugar por muito tempo. Parecíamos seguir para uma praia, só que de areia e nada de água. Chegamos na Árbol de Piedra, uma incrível formação natural localizada no deserto de Siloli, que ganhou o formato de uma árvore graças à constante erosão causada pelo vento, implacável a essa altura do deserto.  A região é recheada por rochas vulcânicas erodidas ao longo do tempo, mas a “árvore” é a que mais chama a atenção dos turistas. Inexplicável.

Nesse ponto, passamos por muitas pedras, inclusive algumas que furaram o pneu do nosso jipe – lembra do que falei sobre estar pronto pra imprevistos? – mas o “poderoso Gérson” estava lá pra nos salvar… e o jipe que estava atrás também. Faltava pouco para conhecer a tão aguardada Laguna e seus flamingos.

Vida sem Paredes - Salar de Uyuni dia 2 (13)

Árbol de Piedra

Vida sem Paredes - Salar de Uyuni dia 2 (18)

Totem na laguna Canapa

Vida sem Paredes - Salar de Uyuni dia 2 (11)

Deserto

Ao chegarmos, a alegria era a única sensação mais forte que o frio. Mesmo de longe, lá estava ela, vermelha, rosa, não sei o ao certo, tomando conta da paisagem desértica. Os flamingos davam o tom de contraste e o vento assoviava ao pé dos nossos ouvidos. É difícil descrever as sensações daquele momento fugaz. Foram poucos minutos, muito poucos mesmo, já que a tarde começava a cair, mas aquela cor indefinida, aquele som de valsa que o vento fazia, aquilo não precisava de muito tempo pra ficar na memória. A Laguna Colorada está no topo dos lugares mais bonitos da travessia do Salar de Uyuni, com certeza. Pelo menos para mim.

Vida sem Paredes - Salar de Uyuni dia 2 (19)

Laguna Colorada

Hora de dar as costas e trilhar pelo deserto mais uma vez. Finalizamos mais um dia carimbando nosso passaporte no Parque Nacional de Fauna Andina Eduardo Avaroa, parada obrigatória, visto que precisamos pagar Bs. 150 para acessar as lagunas.

Seguimos para o hotel, para as nossas comidas quentinhas, para o vinho que ganhamos e para descansar, principalmente. O dia seguinte começaria às 3h30 da manhã. O último dia pelo Salar de Uyuni nos reservaria gratas surpresas.

Vida sem Paredes - Salar de Uyuni dia 2 (4)

Pôr do Sol em Coqueza

Vida sem Paredes - Salar de Uyuni dia 2 (6)

Vulcão Thunupa e sua sombra refletida

Vida sem Paredes - Salar de Uyuni dia 2 (5)

Gratidão!

O primeiro dia de travessia no Salar de Uyuni também foi emocionante.

Confira aqui no Vida sem Paredes quais foram as nossas sensações:

Travessia do Salar de Uyuni: 1º dia

Data da viagem: Abril de 2016

Por Nange Sá

Sobre Vida sem Paredes

Um blog sobre descobertas e viagens, ou vice-versa.
Adicionar a favoritos link permanente.

Um Comentário

  1. Pingback:Travessia do Salar de Uyuni: 3º dia | vida sem paredes

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *