Travessia do Salar de Uyuni: 1º dia

Salar de Uyuni. Falta o ar. Estamos a 3.656 metros acima do nível do mar. Falta o ar. E nem é por causa da altitude. Falta o ar. O coração meio que dispara e bate devagar ao mesmo tempo. Falta o ar. E sobra vontade de ficar ali contemplando tamanha genialidade da natureza. Não falta nada. Ao ingressar rumo ao primeiro dia do tour pelo Salar de Uyuni, sete corações, sete pares de olhos atentos, tomam conta da atmosfera fria da Bolívia.

Gérson, nosso guia, não era de muitas palavras. Somente nos indicou que estávamos indo pra o Cemitério de Trens. Lembra da história do coração que batia rápido e devagar ao mesmo tempo? Pois é, começou aí. Mas não deu nem tempo de curtir essa sensação inusitada. Piscamos e já começamos a avistar os trens. Ou o que restou deles. São muitos. Incontáveis. Cada um faltando um pedaço diferente. Ficamos ali por meia hora como crianças em um parque de diversão, buscando o melhor ângulo pra foto, o trem mais alto pra subir, vasculhando a melhor maneira de avistar o horizonte azul e infinito.

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Trens

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Parque de diversões

Os turistas mais desavisados, que não abasteceram a mochila com lanches ou água, têm, ali, a última oportunidade de comprar seus apetrechos. Há uma vendinha modesta em meio aos esqueletos dos trens. O preço é tão salgado quanto o deserto, mas há quem queira pagar. No vilarejo de Colchani também há artesanato típico para olhar por horas. Mas o tempo é curto!

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a vendinha

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artesanato em Colchani

Agora sim, partimos rumo ao Salar. O solo branco chama atenção de longe e “uaaaau” surge como uma expressão singular em todas os sotaques dentro do carro. O céu limpinho, de um azul ainda sem nome, ajuda no processo de “apaixonamento”. Visitamos o Salar de Uyuni em abril, estava frio, mas isso não nos impediu de sair do carro e viver intensamente aquela experiência.

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Pulem, muchachos!

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a imensidão branca

Contratamos o tour pelo Salar de Uyuni no dia anterior à viagem, e nele estava incluso almoço, jantar e hospedagem para todos os dias. Depois de uma pequena parada para fotos, fomos almoçar em um dos hotéis de sal espalhados pelo deserto. A comida, levada pelo nosso guia, era de encher os olhos, tanto pela fartura, quanto pelo sabor. Mas o que chama a atenção nessa parada não é a comida, e sim um monumento dedicado ao Rali Dakar, que passa por lá desde 2014. A escultura é gigante e feita toda com tijolos de sal. Ponto certo para fotos e poses caprichadas. É também ali, o endereço da “praça das bandeiras”, uma estrela de sal com mastros de bandeiras de algumas partes do mundo. É lindo vê-las cantando com o vento. Um dueto e tanto!

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Praça das Bandeiras

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Ojos del Salado, de onde saem águas com propriedades medicinais

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Monumento Dakar

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o restaurante de sal

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tudo é feito de sal dentro do restaurante

No carro, um objeto me chamava a atenção: um dragão de brinquedo. Ficava me perguntando qual era a finalidade daquilo dentro do jipe. Quanta inocência! Era óbvio e eu não havia me atentado. Fotos! Muitas fotos em perspectiva. Era essa a nossa atividade após o almoço. E quem não queria simular o ataque de um dragão? Ser guerreiro ou até fugir dele… Todos queriam. E todos tiveram seu momento. A felicidade ali era tão grande, todos estavam tão alegres e sorridentes. Era bonito de ver. Era, sobretudo, gostoso estar ali. E esse momento já valia por toda a viagem. Só que tinha mais. E que bom que tinha mais.

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foto em perspectiva

O próximo passo foi conhecer a Isla Del Pescado. “Uaaaau”, de novo. Uma protuberância no meio do deserto, com cactos de mais de 10 metros de altura. Parada obrigatória. Para subir, bastava pagar Bs. 30. A Isla Incahuasi, alcunha oficial, parece te levar pra dentro de um filme de ação. Fiquei com a impressão de que o Indiana Jones poderia aparecer ali a qualquer momento. Não seria nada mau (risos).

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cactos gigantes

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na ‘porta’ da Isla Incahuasi

O dia foi puxado, muita informação, muito sol, muita adrenalina. Talvez por isso a noite tenha chegado sem ninguém se sentir cansado. Junto com a noite, veio o frio e a despedida de alguns colegas que compraram o passeio por um dia apenas. Quem vai passar os três dias por ali segue, então, para Coqueza, um povoado aos pés do vulcão Tunupa. Já imaginou passar a noite em um hotel feito de sal, com o Salar de Uyuni na porta de casa e um vulcão no quintal? Eu nunca havia imaginado, mas agora posso dizer que é uma sensação maravilhosa. A partir daí, uma sequência de coisas quentinhas: chá, banho (quem quiser, precisa pagar Bs. 10), sopa, jantar, cama. O trajeto do dia seguinte já estava planejado. Só nos restava dormir a guardar energias para as próximas emoções.

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a bailar (!)

Confira aqui no Vida sem Paredes algumas dicas fundamentais para se preparar para o Salar de Uyuni:

 
Salar de Uyuni: tudo que você precisa saber antes de ir

Data da Viagem: abril de 2016
Por Nange Sá

Sobre Vida sem Paredes

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6 Comments

  1. Pingback:Travessia do Salar de Uyuni: 2º dia | Vida sem Paredes

  2. Pingback:Travessia do Salar de Uyuni: 3º dia | Vida sem Paredes

  3. Jaqueline Furtado Bentes

    Por qual agência vocês fizeram o passeio do Salar?

  4. Meninas, que post legal! Vou colocar o link dele no meu blog (http://mulhercasadaviaja.com), em post sobre o Atacama.

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