O Santuário Ecológico da Água Santa

 

O Santuário Ecológico da Água Santa é um daqueles típicos lugares entrelaçados na história de uma cidade, no caso, Bicas, município da Zona da Mata mineira. Rota de índios, passagem de tropeiros, berço de grandes fazendas de café, o santuário guarda histórias que remontam ao triste passado da escravidão. Mas uma história que teve final feliz. Pelo menos ali, na “Água Santa”.

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Sinalizações da estrada

 

A história da Água Santa

 

 “A história data do ano de 1860. Bicas era conhecida como Arraial das Tabôas. Haviam grandes fazendas de café e a mão de obra era de escravos africanos. Era costume levar todo escravo enfermo para longe das senzalas para que não contaminasse os demais. Um grupo de escravos com feridas pelo corpo com aspecto maligno foi levado para o alto da serra, onde havia água em abundância e inhame rosa como alimento. Passado o tempo, eles voltaram para a fazenda inteiramente curados, ficando conhecido que a cura destes escravos foi pela água, então reconhecida como Água Santa. As peregrinações de fé passaram de geração a geração até os dias de hoje. Através do ícone da Nossa Senhora das Graças, no silêncio da montanha encontramos a verdadeira paz.”

 

Digo final feliz porque, lenda ou verdade, a cura desses escravos marcou a história da cidade e ainda abriu as portas para que muitos outros procurassem o mesmo final feliz, e deixou como legado esse bonito santuário, hoje visitado por pessoas de várias partes do Brasil.

São cerca de 9 quilômetros só de ida, em um caminho que muitos percorrem à pé, de bicicleta ou de carro comum mesmo, já que a estrada é de terra mas está em boas condições. Pelo caminho, uma moldura de eucaliptos, aromas de flores, cantos de pássaros e outras pequenas sutilezas que encantam vão dando o tom de um passeio agradável em meio à natureza.

Desde criança sempre fui à Água Santa. Tenho fotos e memórias guardadas do lugar. Rio ao lembrar de quando fomos aprender a dirigir no caminho para lá, choveu pra caramba e voltamos deslizando com o André segurando o carro “no braço”. Mas aproveitando mais um fim de semana em Bicas, fui mais uma vez, agora, decidida a contar um pouquinho sobre o lugar.

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Eu com 2 anos adorando entrar na água gelada! (Minha irmã ali na barriga da minha mãe!)

 

O caminho até o Santuário Ecológico da Água Santa

 

Eu, João Victor e o meu irmão saímos às 3 e 20 da manhã, com o intuito de ver o Sol nascer lá. A noite estava super agradável, sem sinal de chuva próxima e com uma lua grande e redonda que os dois teimavam em falar que era Lua Cheia, embora o calendário dissesse Lua Nova. Tudo porque ela bastava para iluminar nossos passos. A gente deixava a lanterna apagada para saborear a luz brilhante. Passamos por várias fazendas cujos cachorros sentem nossa aproximação centenas de metros antes. Eles latem prontamente como sentinelas atentos que são, mas nem chegam perto. O caminho tem algumas bifurcações, mas é bem sinalizado.

Chegamos em 2 horas e 10 minutos de caminhada, parando apenas algumas vezes para apreciar a noite. Ah, também paramos um tempinho para fotografar um sapinho do tamanho de uma moeda.

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A estrutura do local

 

Chegamos bem pouco antes do amanhecer, mas não teve nascer do Sol (essa é a segunda vez que João Victor e eu saímos para ver o Sol nascer lá e chegamos com o céu encoberto, mas da outra vez choveu). O jeito foi comer e esperar o dia clarear para poder dar uma volta. Sim, dar uma volta. Hoje em dia, o Santuário Ecológico da Água Santa tem uma estrutura bem diferente de quando eu ia lá na infância. Tem uma pequena capela com caixinhas para os peregrinos depositarem seus pedidos de oração, tem banheiros, bancos e mesinhas, tem uma igreja sendo construída e tem a água que jorra da gruta, levada por um cano até uma pia. Tem uma vista linda do horizonte e das montanhas, mas a neblina não deixou a gente ver. Ficamos ali umas 2 horas conversando e fazendo vários “ensaios” fotográfico (risos), e voltamos com o dia claro e com uma visão bem diferente da madrugada.

 

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Melhor época para visitar

 

Ecoturismo ou peregrinação religiosa, o Santuário Ecológico da Água Santa proporciona uma paz que só encontramos no silêncio da montanha. A gruta que se transformou no Santuário de Nossa Senhora da Água Santa trouxe consigo uma data comemorativa, sempre no último domingo do mês de Agosto, ocasião em que os romeiros visitam o santuário para louvar e agradecer as graças alcançadas pela intercessão de Nossa Senhora das Graças da Água Santa, com uma já tradicional festa que toma a cidade. Fora da data festiva, o ideal é visitar durante o inverno, quando chove menos.

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Neblina

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Eucaliptos

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Quase chegando

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Mar de morros

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Plantas fecham a entrada da antiga gruta para evitar acidentes

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Trecho dentro da mata

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Pórtico da entrada dentro de Bicas

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Flores do caminho

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Gabriel, eu e João Victor

 

Como chegar

Bicas fica entre Juiz de Fora e Leopoldina, às margens da BR-267, não tem erro! O aeroporto mais próximo é o da Zona da Mata Itamar Franco, a cerca de 50 quilômetros. Juiz de Fora está a cerca de 40 quilômetros.

Há três acessos para o santuário: à esquerda de quem vem de Juiz de Fora pela BR-267 logo após a passagem por São Manoel; pelo município vizinho de Chácara; e por dentro de Bicas mesmo, seguindo pela Rua Álvaro Dias (vulgo Tiracouro) que fica próxima à entrada da cidade para quem vem de Juiz de Fora ou Leopoldina. Essa última foi a via que usamos.

De ônibus, as empresas que levam até Bicas são a viação Paraibuna a partir de Leopoldina; e viação Santos, viação Bassamar, viação Sertaneja e viação Paraibuna a partir de Juiz de Fora. Confira os horários aqui.

 

Anote

  1. Não jogue lixo no caminho.
  2. Para quem quiser fazer o passeio noturno como nós, logo na entrada (perto das mesas) há um poste do lado direito com um disjuntor que acende as luzes.

 

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Distâncias aproximadas até Bicas – MG:

305 Km de Belo Horizonte – MG
40 Km de Juiz de Fora – MG
60 Km de Leopoldina – MG
215 Km do Rio de Janeiro – RJ
526 Km de São Paulo – SP
430 Km de Vitória – ES

 

Santuário Ecológico da Água Santa: Bicas – MG
Data da viagem: março de 2016

por Camila Coubelle

Sobre Vida sem Paredes

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3 Comments

  1. O “Santuário Ecológico da Água Santa”, ou simplesmente “Água Santa”, como muitos na cidade de Bicas o chamam é um local que possui uma paisagem que mistura o sagrado, montanhas, mata atlântica com suas espécies características de fauna e flora, havendo também pelo caminho a intervenção do homem com sítios e fazendas, algumas com características dos tempos das grandes plantações de café. Todos da cidade se já não foram, pelo menos ouviram histórias do lugar e sabem contar algum caso de milagre que ocorreu pela fé e devoção dos peregrinos que beberam ou se banharam com a água que jorra do alto do Santuário. São histórias que atravessam gerações, começaram com o povo negro vergonhosamente escravizado e se mantém fortes na memória da cidade, apesar de algumas nem estarem documentadas e seguirem essa perpetuação através da verbalização.
    Me recordo da primeira vez que fui a Água Santa, como todo cidadão biquense ouvia as histórias que os membros mais velhos da família contavam, casos de curas, milagres aos que tinham fé e fossem caminhando para tomar a água que poderia até secar, não sair da bica, caso houvesse qualquer brincadeira de mal gosto, ou segundas intenções na peregrinação. Era o que nos recomendavam, “Não faça brincadeiras bobas no caminho, se não a água seca”, todos obedeciam e mesmo que fizéssemos algo que segundo nosso julgamento fosse errado, como susto nos primos e amigos imediatamente o arrependimento vinha, pedia-se perdão e continuávamos a caminhada com conversas e histórias. Lembro que saímos para a peregrinação de madrugada por volta das 03 ou 04 horas, o que era favorável aos sustos e pregar uma peça em algum distraído, principalmente no trecho em que se passa por dentro de uma mata, isso para evitar o sol forte em nossas cabeças (pelo menos na ida) e também ver seu nascer lá do alto da montanha, que é uma cena linda! A chegada era simbolizada com orações e ingestão da água, bem como passá-la em algumas partes do corpo, como rosto, mãos, braços e pés.
    Toda a estrada de chão é de fácil acesso, local onde passam inclusive caminhões de leite e gado das fazendas ao redor. A peregrinação é constante, tendo maior incidência aos finais de semana, “esbarra-se” com pessoas a pé, de carro, motocicleta, bicicleta, a cavalo, uns em busca de um milagre, outros curiosos ou simplesmente a passeio.
    Talvez a única parte que exija um pouco mais de esforço, mas nada absurdo, é o último trecho de subida constante para enfim chegar à Água Santa.
    Da época em que fui pela primeira vez em comparação com o que se vê atualmente houveram mudanças. Há uma boa conservação e melhor adequação do local aos peregrinos, mesas para lanche e piquenique foram colocadas, o antigo rancho foi transformado em uma capelinha e apesar da simplicidade é muito acolhedor, estão construindo também uma igreja no lugar. Quem senta nas pedras ou bancos dispostos no Santuário, esquece do mundo ao ouvir o som da natureza e ver a cadeia de serras, montanhas no horizonte.
    Se estiverem por essas bandas, aconselho a ida ao Santuário Ecológico da Água Santa, aos que desejam saber mais um pouco sobre o local como imagens, histórias, aconselho também o blog: http://aguasantasantuario.blogspot.com.br/ , tem um material interessante lá.

    • Lindo comentário João! Veio ilustrar ainda mais essa experiência de visitar o lugar! Obrigada pela cia, e qualquer dia voltamos lá para ver o Sol nascer!
      beijos

  2. Pingback:Trilha do Morro Dois Irmãos no Vidigal | vida sem paredes

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