O que senti ao conhecer Machu Picchu

 

Uma energia diferente. É isso que se sente ao dar os primeiros passos dentro do sítio arqueológico de Machu Picchu. É um tipo de sensação que se tem poucas vezes na vida. Talvez quando se encontra um amor, ou quando se tem um filho. Ou então quando se conquista algo há muito tempo desejado. É isso! Uma sensação de conquista. De que tudo o que você passou para estar a ali valeu a pena. E foi assim, depois de vários dias caminhando pelos vales e montanhas da trilha Salkantay, subindo e descendo por pedras disformes e caminhos tortuosos, enfrentando sol, chuva, frio…. Em cinco dias, meu corpo sentiu todo o tipo de temperatura adversa. Mas nada disso tinha importância perto do que estava por vir, do que me aguardava ao final dessa jornada, como alguém que encontra um pote de ouro no fim do arco-íris.

Quando decidimos conhecer Machu Picchu atravessando por uma trilha de cinco dias, pensei: “que loucura!” Pra mim, não fazia muito sentido passar por lugares às vezes inóspitos para realizar esse feito. Era uma simples ida a um ponto turístico. Mas não! Na verdade, era muito mais que isso. Era algo maior. Era algo que eu já havia sonhado nos meus planos mais inocentes de viajar e conhecer novas culturas. Era a oportunidade perfeita para sair do meu quarto ou da tela do computador e me abrir para o mundo.

E fomos de peito aberto e com o coração cheio de expectativas. Fomos na certeza de que nossos esforços seriam recompensados.

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Confesso que, no primeiro dia de trilha achei que não seria possível, que aquilo não era pra mim. Cheguei a acreditar que a altitude iria botar tudo a perder. Mas eu estava indo para Machu Picchu. Era a realização de um sonho. “Não, não vou me deixar vencer só porque a montanha se impôs!” Eu respeito a montanha, ali é ela quem manda, não tem jeito. Mas no meu corpo mando eu. Quem manda aqui é a minha vontade de seguir em frente. E assim foi. Eu, meus pensamentos, minha total força de vontade, todos dizendo para o meu corpo, “sim, você consegue” ou “sí se puede”, na língua nativa. Estava em um grupo com mais 14 pessoas, cada um com uma dificuldade diferente, uns mais ágeis, outros mais lentos. Estava também sob apoio e parceria da Camila, que, sempre que pôde, tentou me ajudar e me deu força. Aí o tour ficou mais fácil. Desafiador, claro, mas bem menos pesado. Eu sabia aonde queria chegar e sabia que desistir não era uma opção.

Depois de tanto caminhar por climas e temperaturas muito diferentes, chegamos a Aguas Calientes, ou Machu Picchu Pueblo, como é chamada a cidade base para quem quer conhecer Machu Picchu. Chegamos ao final do dia e a ansiedade para enfim subir a montanha mais importante daqueles dias só aumentava. Era a noite em que dormiríamos em um quarto de hotel, com banheiro e água quente por perto. Com charmosos restaurantes ao redor e uma praça simpática para ver o tempo passar e descansar um pouco. Mas se aproximava também a hora de conhecer a cidade sagrada dos Incas. SA-GRA-DA!

Já disse em outro post aqui no Vida Sem Paredes que conhecer Machu Picchu era um desejo antigo, que foi sendo adiado pelas circunstâncias da vida. Mas agora eu estava muito perto. E meu coração estava em festa.

Chegou o grande dia e, antes que o sol ousasse sair, pulamos da cama. Tudo pronto. Agora era pra valer. Saímos do hostel às 4h30 e seguimos para a entrada de Machu Picchu. Estava a cerca de uma hora e algumas centenas de degraus de, enfim, conhecer as ruínas tão sonhadas.

Se eu achava que já tinha passado por todo tipo de adversidade na trilha Salkantay, é porque ainda não tinha experimentado subir a escadaria até Machu Picchu. É realmente intenso, praticamente sem pausas. Falta o ar. Dá muita sede. Faz frio, mas de repente faz calor… Tudo isso pra, cinco minutos depois de finalizar a subida, ser presenteado pelos deuses.

Depois de passar pela parte burocrática da portaria, um corredor rústico e até meio escuro te leva, vagarosamente, para uma vista sensacional. O dia estava amanhecendo, ainda não tinha nenhum filete de sol batendo nas pedras. Mas, ainda assim, era a melhor visão que eu poderia ter tido nos últimos dias. Eu estava diante da cidade mais incrível de todo o nosso mochilão.

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As nuvens contrastam com o verde da cidade

O início do nosso tour era guiado. Nosso guia, Carlos, passou pelos pontos mais emblemáticos da cidade e nos explicou o significado das construções, como eram feitas, para que eram feitas. Os templos, a “tecnologia” usada para construir cada cantinho. E a cidade começava a ficar ainda mais incrível.

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La Tumba Real del Machu Picchu: alinhada com a torre do Templo del Sol, cheia de símbolos talhados, a teoria é de que foi a tumba do representante mais alto dos incas e de outros membros da aristocracia.

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La Roca Sagrada: as teorias são de que ela orienta sobre as entradas da montanha Wayna Picchu e o lado norte da cidade; ou representa o Cerro Pumasillo com finalidades ritualísticas ou de observação dos astros.

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Cruz Andina localizada no El Templo de las Tres Ventanas, que indicam a localização exata da entrada do sol, e onde se observa uma sombra perfeita no chão, que “forma” a cruz inteira (metade pedra, metade sombra). Isso ocorre apenas uma vez ao ano, no dia 21 de junho, indicando o solstício de inverno e o começo do ano no calendário inca.

Às oito da manhã, partimos para mais um desafio: subir a montanha Wayna Picchu. Queríamos ver Machu Picchu lá do alto e agradecer à Pachamama de perto. É, acho que a montanha nos recebeu com tanta festa que errou a mão, mandando água, muita água para a nossa chegada. O desafio de subir outros incontáveis degraus debaixo de chuva foi até fácil de concluir, mas cessar a aguaceira que descia do céu era uma questão que não estava ao nosso alcance.

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Começo da trilha para a Montanha Wayna Picchu, com 2.667 m. de altitude

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A subida sinuosa

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Degraus cuidadosamente talhados

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Cume da Wayna Picchu: as nuvens e a chuva impediram de ver a cidade de Machu Picchu

Não vimos Machu Picchu do alto, então descemos para conhecê-la de perto. E fomos desbravando cada canto, cada encruzilhada, cada bifurcação, cada centímetro daquele solo sagrado. Subimos e descemos escadarias enormes, e o cansaço já não fazia mais parte da nossa vida. E nem a chuva. (conheça todos os setores da cidade aqui).

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Ruínas, muros, templos

Fomos até Intipunku, a porta do sol. É por lá que chegam os aventureiros da trilha Inca, a trilha mais famosa para Machu Picchu. De lá sim, deu para ver a cidade pequenininha, como em um souvenir desses que a gente compra nas barracas de artesãos.

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O sol voltou a brilhar!

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Machu Picchu pequenininha lá embaixo

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As montanhas espetaculares vistas de Intipunku

O sol estava prestes a se pôr, o que deixava nosso tour ainda mais bonito, com aquela cor alaranjada. A hora de ir embora foi se aproximando. O que não chagava era a vontade de sair dali. Mais uma foto, mais um carinho nas lhamas. “Vamos sentar aqui e só admirar essa cidade linda”. Vamos!

É difícil traduzir em palavras o sentimento que tomou conta de mim em Machu Picchu. O que posso dizer é que se essa história de pote de ouro no fim do arco-íris realmente existe, eu encontrei o meu e sai de lá muito mais rica do que quando iniciei a viagem.

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Vista do alto


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Machu Picchu, Cusco – Peru

Data da viagem: abril de 2016

Por Nange Sá

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2 Comments

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