Carrancas e suas cachoeiras incríveis

 
Apesar de ter nascido em uma cidade próxima, no alto dos meus 28 anos, eu nunca tinha ido a Carrancas, cidadezinha de quase 4.000 habitantes no sul de Minas Gerais, até que, no final de dezembro de 2014, Camila e eu resolvemos dar um pulo por lá.

Leia ao som da playlist que super combina com as cachoeiras:

A Camila saiu de Juiz de Fora com destino a Cruzília. De lá, fomos de carro até Carrancas. São 68km em estrada de chão, seguindo pela Estrada Real. Parece perto, mas a impressão é de que não vai chegar nunca. Mas o caminho é lindo. Passamos por várias fazendas históricas, como a Traituba, local onde D. Pedro I fazia suas caçadas. Ah, quem não tem costume de viajar por estrada de terra deve ficar atento aos “mata-burros”, são váááários (alguns em estado de conservação duvidoso).

Por do Sol visto da estrada que leva ao Complexo da Zilda

Pôr do Sol visto da estrada que leva ao Complexo da Zilda

Confira o que fazer em Carrancas:

Chegamos no meio da tarde, depois de mais de duas horas de viagem. Não tínhamos pesquisado lugares pra ficar, mas no caminho vimos uma placa indicando o Camping Sossego do Jeca, no centro da cidade. Fomos direto pra lá. O lugar é muito legal. O dono, Cássio, nos recebeu na porta, no ajudou a montar a barraca e ainda nos indicou o melhor caminho para a nossa primeira aventura, o Complexo da Ponte.

O Camping é legal porque, além de estar dentro da cidade, perto de tudo, ainda é limpo e organizado. Tem divisão de banheiros, masculino e feminino, coberturas individuais na área das barracas. Dá pra colocar o carro do lado da barraca e, se chover, nem precisa cobri-la com lona. Isso sem falar na boa prosa do Cássio.

Devidamente instaladas, partimos para a cachoeira do Moinho. Pegamos a saída para Itutinga e entramos à direita. O local é movimentado e tem um camping que parecia estar bem cheio. A sinalização é que não é muito boa. Por estar em propriedade particular, o acesso às cachoeiras costuma ser pago. Nessa, pagamos R$ 5 cada uma. Depois de seguir por uma trilha leve, chegamos à primeira cachoeira, Salomão. Com uma boa queda d’água, ela não possui poços para banho, o que não diminui a beleza.

Seguimos pela trilha e chegamos a Cachoeira do Moinho. A queda não é grande, mas dá relaxar nos pequenos poços formados ao longo das pedras. Depois do banho de cachoeira resolvemos procurar a trilha para a Gruta da Ponte, mas os nativos nos deram informações desencontradas e ainda por cima não haviam placas. Acabamos desistindo, mas já está na lista para quando voltarmos.

Anoiteceu e voltamos para a cidade. Demos uma volta na praça e presenciamos apresentações de Folia de Reis. Pra quem não sabe, essa é uma festa católica que celebra os Três Reis Magos, onde os músicos cantam e dançam fantasiados e mascarados, carregando estandartes e fitas coloridas.

Fomos a um restaurante próximo a igreja. O lugar é muito bom, tinha música ao vivo e jantar self-service por R$10 o quilo. O único problema foi com o vinho que levamos. Pedimos para entrar com ele e o dono não falou sobre valor de rolha. No meio do jantar, uma garçonete chegou marcando nossa comanda, R$ 20. Mas valeu pela boa comida e boa música.

No dia seguinte, seguimos para o Complexo da Zilda, que fica a 13km do centro. Lá no camping mesmo, nós conhecemos uma família de Ubá – MG, que acabamos encontrando por lá e nos enturmando.

Cachoeira dos Índios

Cachoeira dos Índios

Vida sem Paredes - Carrancas (4)

Complexo da Zilda

Chegamos bem cedo no complexo e pagamos R$ 3 pra entrar. Como ainda estava vazio, aproveitamos para relaxar na primeira cachoeira do complexo, a dos Índios. A queda é pequena, mas bem forte. Dá pra deitar, mergulhar, tirar fotos. E é realmente bem bonita. Atravessando pela água ou pela trilha, chegamos na Cascata da Zilda – se alguém acompanha novela, foi nessa cachu que rolaram as cenas do casamento entre o Comendador e a Sweet Child, em Império.

Voltando ao mundo real… a cascata é linda. A Camila se arriscou em chegar bem na beiradinha, perto da queda. Mas acho que rolou um medinho, viu. Descemos pelas pedras até a “praia”. A descida é meio ruim, mas nada que impeça de chegar. Ainda conseguimos chegar até a queda e ficar atrás da água. Vale a aventura (risos).

Cascata da Zilda

Cascata da Zilda

Camila arriscando a vida pra ver a queda de cima (risos)

Camila arriscando a vida pra ver a queda de cima (risos)

Encontramos com a família de Ubá e eles nos levaram até uma gruta do outro lado da queda. Não é muito legal ir sozinho, lá dentro existem trechos em que se pode precisar de apoio.

Depois da gruta, voltamos à “praia” e seguimos para outra cachoeira. Dá pra ir pela água mesmo, mas é bom tomar cuidado, pois as pedras são escorregadias (eu cai feio).

Chegamos à cachoeira da Proa, um complexo com uma descida imensa pela pedra. Lá embaixo tem um poço e uma pequena queda. Crianças felizes que somos, brincamos várias vezes de escorregar pela pedra. Mais a frente, tem um lago mais profundo e muito grande. Vale a pena também dar uma esticada até lá.

Nange sendo feliz da Cachoeira da Proa

Nange sendo feliz da Cachoeira da Proa

Voltamos todo o trajeto pela trilha e fomos almoçar no restaurante do complexo. Pedimos porções de frango e fritas, mas também tem opções de almoço que servem até 4 pessoas. Dali, seguimos para o outro lado, rumo ao Escorregador da Zilda. Se nós nos divertimos lá na Proa com uma queda pequenininha, imagina um escorregador natural e imeeenso. É só chegar lá em cima e se jogar. Farra garantida! Só que o local é disputado e precisamos enfrentar fila.

Depois do escorregador resolvemos explorar a área caminhando por uma trilha. Ela dá acesso à Chapada dos Perdizes e a Serra das Broas. Mas era impossível ir a pé, até porque, mesmo com o horário de verão, já era tarde. Encontramos um pessoal que estava subindo de caminhonete e eles nos deram carona até uma cachoeira, a 4km dali. O caminho é péssimo, cheio de buracos (só depois descobrimos que existem passeios de 4×4 pra lá). Na volta, os caras não quiseram nos lavar por conta do perigo de subir na carroceria e fizemos todo o trajeto caminhando. Foi puxado, mas pudemos observar melhor o visual incrível dali.

Trilha para a Chapada dos Perdizes

Trilha para a Chapada dos Perdizes

Última cachoeira antes da Chapada dos Perdizes

Última cachoeira antes da Chapada dos Perdizes

Serra das Broas

Serra das Broas

No último dia, levantamos cedinho e fomos para o Complexo do Tira Prosa. O nome é uma homenagem a Sebastião Guimarães Monteiro, antigo morador que adorava “tirar prosa” com os visitantes da cidade. Seguimos a orientações do Cássio, mas passamos batido pela entrada do complexo. Acabamos em uma propriedade particular e deixamos o carro em um ponto cheio de pedras. Seguimos a pé pra ver onde dava. Foi aí que encontramos alguns moradores do local, que nos guiaram até a “entrada”. O trajeto que fizemos não é comum, os moradores do lugar nem gostam muito da presença dos turistas, mas demos sorte de encontrar uns nativos legais. o/

Fizemos então o caminho oposto dos turistas: em vez de subir pelo complexo, nós descemos. E foi lindo! Passamos pelos Poços do Remo, do Pulo e da Canoa. Todos bons pra banho. A chapada de pedra ao redor e a água cristalina encantam. O poço do Tira prosa em si não é muito legal. Fica muito cheio e a água não é limpinha como lá em cima. Dali, voltamos a pé até onde estava nosso carro.

A hora de ir embora chegou, mas a vontade não. Botamos tudo no carro, almoçamos naquele primeiro restaurante (dessa vez sem vinho) e partimos rumo a Cruzília. No caminho, aproveitamos pra conhecer outras cachoeiras.

Descida do Complexo do Tira Prosa

Descida do Complexo do Tira Prosa

Poço da Canoa

Poço da Canoa

A primeira foi a da Fumaça. O ponto é parada obrigatória para quem vai a Carrancas, é o cartão postal da cidade e fica a cerca de 3 quilômetros do centro. O complexo tem várias piscinas naturais ao redor. O único problema: o banho é proibido por conta da poluição das águas e o grande risco de afogamento. Infelizmente encontramos muitas pessoas ignorando isso.

Carrancas

Carrancas

Cachoeira da Fumaça

Cachoeira da Fumaça

Um pouco mais a frente, cerca de 6km, fomos conhecer o Complexo da Vagem Grande, onde se encontra o Poço da Esmeralda. O espaço é muito disputado, quase não tem lugar pra estacionar o carro. O caminho a pé é fácil e bem sinalizado, porém longo. O ideal é chegar lá por volta das 12h, quando o sol bate na água e a deixa toda esverdeada, como uma esmeralda (daí o nome). Tinha tanta gente lá que mal dava pra ver a água, que dirá a cor dela (risos).

Hora de voltar pra casa. Seguimos pela estrada de chão e voltamos pra Cruzília com a certeza de que Carrancas será sempre um bom destino nas nossas agendas.

E você? Conhece algum lugar de lá que não citamos? Divida com a gente!

 

Lugares visitados: Complexo do Moinho, Cachoeira do Salomão, Cachoeira dos Índios, Cascata da Zilda, Escorregador, Poço da Proa Chapada dos Perdizes, Serra das Broas | Complexo do Tira Prosa (Poço do Remo, do Pulo e da Canoa) | Cachoeira da Fumaça, Poço das Esmeraldas.

Onde Ficar em Carrancas: Camping Sossego do Jeca – Centro de Carrancas, atrás do Salão Paroquial | Aberto 24h | Vivo – WhatsApp: (35) 9891-0843 | Oi: 8857-9197 | Tim: 9206-5363

 

Distâncias até Carrancas:

286 km de Belo Horizonte – MG
68 km de Cruzília – MG
241 km de Juiz de Fora – MG
421 km do Rio de Janeiro – RJ
411 km (Presidente Dutra) ou 430 km (Fernão Dias) de São Paulo – SP
Respeite sempre a Natureza!

Carrancas – MG: 3.948 habitantes | 1.600 m de altitude | 110V

Quando: Dezembro de 2014

por Nange sá

Sobre Vida sem Paredes

Um blog sobre descobertas e viagens, ou vice-versa.
Adicionar a favoritos link permanente.

4 Comments

  1. Olá minhas amigas, quero que da próxima vez que voltarem a Carrancas conheçam a Raxa da Zilda, uma cachoeira a 1 km acima da cachoeira dos Índios, é uma das mais bonitas e em questão de aventura é 10. Em outubro estarei em Capitólio para conhecer mais lugares que mereçam um bis. Grande abraço e em dezembro, quem sabe, nos encontramos em Carrancas.

  2. Aliás, parabéns pelo blog, ficou perfeito.

  3. Adorei o post. Engraçado isso da gente morar perto de um lugar e nunca ter ido lá, né? Dá uma olhada neste post aqui: aconteceu a mesmíssima coisa comigo este ano!. https://cuorecurioso.wordpress.com/2015/06/26/olhar-de-viajante-ou-indo-ao-viaduto-13-pela-primeira-vez/

  4. Pingback:Visitando o Parque das Águas em São Lourenço | Vida sem Paredes

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *