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Relato e dicas para a Travessia da Serra Fina

 
Junho. Feriado de Corpus Christi. Eu já estava fazendo a mala há uma semana. Às 18h da quarta estava pronta esperando três amigos que ainda não conhecia (RS), para seguir rumo a tão temida Serra Fina.

A travessia entre Passa Quatro a Itamonte, no sul de Minas é uma clássica do montanhismo no Brasil e é considerada de nível pesado, principalmente pelo número reduzido de fontes de água em alguns trechos, o que obriga o montanhista a carregar mais peso. A Serra Fina abiu o Projeto Vida sem Paredes nos 10 Pontos Culminantes do Brasil pois lá estão duas das montanhas mais altas do país – Pedra da Mina e Pico dos Três Estados. Aqui você vai conferir informações sobre a trilha, atrações vistas e dicas importantes para quem pretende fazer a Travessia da Serra Fina.

Vida sem Paredes - Serra Fina (6)

A Serra Fina:

 
Ela faz parte da Serra da Mantiqueira, uma das mais importantes cadeias de montanhas do país e fica entre Minas e São Paulo, nas cidades de Passa Quatro, Itanhandu, Lavrinhas e Queluz. De lá dá para ver o Parque Nacional do Itatiaia e o Pico das Agulhas Negras, que ficam na Serra de Itatiaia e várias outras montanhas cobiçadas pelos aventureiros.

A Serra Fina tem um dos maiores desníveis topográficos do território brasileiro entre a base da serra e o topo da Pedra da Mina, esta que é o 5º ponto culminante do país, com seus 2.798m. de altitude. Lá também estão o Pico dos Três Estados, 2.665m, que ganhou esse nome obviamente porque em seu topo está o ponto tríplice (amo essa palavra!) onde se unem as divisas dos estados de MG, SP e RJ.

O motivo do nome Serra Fina: a crista tem cerca de 1 metro de largura em alguns trechos.

Crista da Serra Fina I Foto: Lúcio Lima

Crista da Serra Fina / Foto: Lúcio Lima

 

Informações e Dicas para a Travessia da Serra Fina:

 
1. A maioria dedica três dias e meio para a empreitada, mas conheço pessoas que fizeram em dois.

2. A trilha toda é bem marcada e tem muitos totens ajudando na orientação, mas é claro, não é recomendável ir sozinho caso não tenha experiência com navegação.

3. Agora vamos ao fato que fez a Serra Fina ser conhecida como “temida”, ou como uma das travessias mais difíceis do país. São poucas fontes de água, obrigando quem se arrisca a atravessá-la a carregar de 4 a 5 litros de água em alguns trechos.

4. Uma coisa que fugiu ao nosso controle, mas acabou levando ao que eu considero a melhor forma de começar a travessia, foi o atraso. Combinamos dormir na Toca do Lobo, onde a trilha começa de fato, e começar às 5h da quinta. Mas só chegamos na Toca, que na verdade é um buraquinho (RS), às 3h e decidimos começar de uma vez. Considero a melhor forma de iniciar porque evitamos uma noite de frio ao andar na madrugada, e, sem sol, economizamos água.

5. A próxima parada é o Pico do Capim Amarelo, a 2.570m, que considerei pesado, não sei se por estar virada, ou se por ter que usar as cordas que estão lá muitas vezes, em uma escalaminhada que pareceu infindável.

6. É bom evitar os feriados. Quando chegamos na área de acampamento no alto do Capim estava lotado. Como ainda era cedo, seguimos para o acampamento Avançado e também estava lotado. Acampamos em algum lugar entre capim de 2 metros de altura e pedras, antes do acampamento Maracanã.

7. No segundo dia, a caminho da Pedra da Mina, passa-se pela Cachoeira Vermelha, de águas enferrujadas, e, um pouco antes da base da pedra, pelo Rio Claro, de deliciosas águas geladas.

8. Achei que a subida da Pedra da Mina foi a mais leve entre todas as montanhas desse maciço. Há um livro de cume no topo para as assinaturas de quem chega até ali. O acampamento é desprotegido e deve ser um frio do cão. Dormimos no vale logo abaixo, e combinamos de subir para ver o sol nascer, mas a neblina não deixou. Estava tudo fechado e só saímos das barracas lá pelas 8h.

Livro de Cume da Pedra da Mina

Livro de Cume da Pedra da Mina

9. É possível pegar uma trilha – do Paiolinho – até a Fazenda Serra Fina e descer após ter conquistado a Pedra da Mina (bem que podia ter uma mina lá no alto).

10. Em seguida vem o famoso Vale do Ruah, onde todo mundo acha que vai se perder, mas de boa? Dá para mirar o vale no meio e seguir o fluxo, com cuidado para não afundar em alguns trechos.

11. Um próximo acampamento interessante fica em um bambuzal antes do Pico dos Três Estados. O lugar é mais quente para dormir, e costuma ficar vazio visto que muitos seguem direto para o Pico dos Três Estados e têm dificuldade em conseguir espaço.

12. Dormindo no bambuzal, é possível levantar acampamento às 3h30 e partir para o ataque ao cume, que tem muitos trechos de escalaminhada.

13. Existe um marco de ferro no cume, representando cada um dos três estados que fazem a divisa tríplice.

Marco Pico dos Três Estados

Marco Pico dos Três Estados

 

O sol nasceu lindíssimo no alto do Pico dos Três Estados, e depois disso foi só descida.

Mentira. Como dizia o bordão dessa expedição, “a gente desce pra subir, e sobe pra descer”. Isso porque se passa por várias outras montanhas para se chegar ao sítio do Pierre, na BR-354 na cidade de Itamonte, onde termina a travessia. Passamos pelo Cabeça de Touro, Alto dos Ivos e outros.

 
14. O resgate estava marcado para às 15h, mas devido ao contingente, só aconteceu às 17h, e mesmo assim, buscaram nossos dois motoristas, que voltaram para nos buscar já com o carro. Então sugiro que quem for de carro fazer a travessia, vá até Itamonte e deixe no final. É melhor contratar um carro para buscar em Itamonte e levar até a Toca do Lobo. Deve ficar a 1h30 de distância, e evita uma espera no final, quando todos estão cansados.

No cume do 3 Estados

No cume do 3 Estados

15. Existem muitos sites de trekking e montanhismo com ótimos relados, tracklogs e informações para quem for fazer a Serra Fina. Só olhar no Google!

16. Alguns amigos planejam fazer ao contrário: partindo do Sítio do Pierre para a Toca do Lobo. O fato é que a experiência é intensa e as pessoas acabam buscando outras maneiras diferentes de vivê-la.

17. A travessia não é nada simples e exige muito esforço físico, mas os visuais compensam muito. Deve ser por isso que muitos montanhistas colocam essa no topo da lista quando planejam seus trekkings.

18. Diferente de outros locais como a Serra dos Órgãos (Entrada por Teresópolis) ou a Serra da Bocaina, que possuem locais de acesso mais fácil ou de carro, A Serra Fina não permite que pessoas sem prática de montanhismo tenham muitas chances de curtir. Além do mais, lá não existem abrigos. São de 2 a 4 dias isolados meeeesmo. Para alguns, esse é o ponto forte.

19. Roupa de frio é pouco. Pela primeira vez na vida tive que abrir meu cobertor de emergência que já andava na mochila há um tempão, mesmo com dois conjuntos segunda pele e um de fleece. Mas vale ressaltar que meu saco de dormir era para conforto de 5º.

20. Clor-in é fundamental. O pessoal usa ‘o banheiro’ onde dá na telha.

21. Não preciso falar que é extremamente necessário preservar o meio ambiente e não poluir ou deixar lixo na Serra Fina ou em qualquer outro lugar.

22. Cada montanha tem seu grau de esforço e suas dificuldades. Até a Pedra da Mina, que eu não considerei difícil de subir, tem outro tipo de obstáculo, que é o frio. Mas em cada uma delas fiquei estarrecida pela beleza, pela emoção e pela superação.

E assim foi a 1ª etapa do Projeto Vida sem Paredes nos 10 Pontos Culminantes do Brasil, que riscou da lista o 6º e o 10º colocados, ou o 7º, a seu gosto.

Vida sem Paredes - Serra Fina (3)Vida sem Paredes - Serra Fina (4)

Travessia Serra Fina: da Toca do Lobo ao Sítio do Pierre – 30 km de extensão

Pedra da Mina: 2.798,4 metros (4º ponto culminante)
Pico dos Três Estados: 2.665,0 metros (10º ponto culminante)
Pico do Capim Amarelo: 2.570 metros
Alto dos Ivos: 2.519 metros
Pico Cabeça de Touro:  2.649 metros
Pico Cupim do Boi: 2.543 metros


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Distâncias até Passa Quatro – MG:

441 km de Belo Horizonte – MG
266 km de Juiz de Fora – MG
264 km do Rio de Janeiro – RJ
245 km de São Paulo – SP
706 km de Vitória – ES

Data da viagem: Junho de 2015
por Camila Coubelle

Sobre Vida sem Paredes

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2 Comments

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